Disparar a matar: o método de Ana Gomes e pelo meio o Estado de direito

As declarações de Ana Gomes – na senda de outras, de resto – num debate com António Pires de Lima são inaceitáveis.

Da opinião pessoal que cada um de nós tenha de alguém à opinião pública, declarada, explanada afirmativamente sem dúvida alguma, vai uma enorme distância: – chama-se respeito pelos direitos fundamentais do outro.

Ana Gomes, no seu estilo justicialista, afirmou – já seria grave que criasse a suspeita -, afirmou com a força que o seu tom acusatório lhe permite, que o CDS não sairá do Governo porque Portas precisa da imunidade por causa da justiça, por causa dos submarinos.

Louvo a paciência e o tom com que Pires de Lima recordou que Portas não é nem foi arguido, suspeito ou sequer testemunha nesse caso.

Ana Gomes deveria saber algumas coisas: se não tem provas para apresentar ao MP; se o único facto que tem para a apontar a Portas é o de ele ter sido Ministro à  época da negociação dos contratos, o que naturalmente não o incrimina em nada; se o domínio da constestação ou mesmo raiva politica e o domínio do direito não se misturam; se o PM e os membros do Governo não gozam da imunidade parlamentar prevista na Constituição; se, portanto, Portas pode ser investigado à vontade; se a comissão de ética da AR entendeu no passado que só tem de autorizar que os membros do Governo que sejam acusados –  repita-se, ninguém pode impedir que sejam constituídos arguidos, investigados, objeto de inquérito e acusados -, é o de autorizar que eles sejam submetidos a julgamento, uma vez acusados definitivamente, ou então autorizar que sejam detidos ou presos no caso de as autoridades judiciais solicitarem à Assembleia da República essa detenção ou prisão; se tudo isto se verifica, ou melhor, se nada se verifica, quem, no seu estado normal, lança uma acusação contra um Ministro daquele calibre?

Ana Gomes não hesita em defender o direito ao bom nome dos seus e dos que não lhe merecem simpatia, mas uma ou um democrata tem de ser de ferro nestas matérias, diria, sobretudo quando estão em causa os nossos adversários.

Paulo Portas é presidente do CDS. Por mim, podia ser do PS, do PSD, do BE ou do PCP. É-me indiferente. Tem  de ser assim. E é, com genuína naturalidade.

No dia em que aparecesse uma fuga com uma notícia sem provas sobre Ana Gomes, no dia em que ela fosse Ministra e contratos realizados sob a sua tutela viessem a ser objeto de suspeitas, no dia em que o seu bom nome fosse atacado, cá estaria para ter tudo isso por inadmissível.

Antes de se estar com ou contra quem quer que seja, está-se com o Estado de direito.

 

57 thoughts on “Disparar a matar: o método de Ana Gomes e pelo meio o Estado de direito”

  1. “Paulo Portas é presidente do CDS. Por mim, podia ser do PS, do PSD, do BE ou do PCP. É-me indiferente.”

    já suspeitava das tuas indiferenças, mas tenho a certeza que o ps nunca o permitiria.

    a ana gomes faz aquilo que os caceteiros de direita fazem quando são oposição com a diferença dos albertos não terem interferido na justiça e a louraça da cruz condicionar os agentes judiciários com declarações públicas ou determinar agendas judiciárias, uma ingerência jamais vista que tem por objectivo caluniar governantes de socrates e ilibar as vigarices da direita. entre a desbocada ana gomes que o aparente bom senso da isabel moreira venha o diabo e escolha.

  2. faroleiro
    para publicar e agradecer
    corrigido.
    de resto, agradeço sempre que me apontem as gralhas. escrevo em texto pequeno e corrido. não o revejo com especial cuidado por falta de tempo..e de visão :) (literalmente. vejo mal).

  3. o estilo ana gomes é exactamente o mesmo de toda a direita. só se singulariza pelo facto de ser a única do ps a fazê-lo. é sempre engraçado ver pessoal habituado a jogar ao ataque a ter dificuldades quando joga à defesa perante a ana gomes. e não esquecer que mesmo luís amado teve que sofreras fúrias de ana.

  4. Ainda bem, Isabel, que escreveste sobre mais estas indecentes afirmações de Ana Gomes. Também o tencionava fazer, e se calhar ainda o faço tal a revolta que elas me despertam, mas dito por ti é outra loiça e outro campeonato.

  5. Falou muito bem, deputada Isabel, como alguém que vive num Estado Democrático onde as instituições, como a justiça ou a PR funcionam normalmente. A Isabel passa por cima dos processos deliberadamente forjados, como o Freeport (ex-PGR dixit) e por cima da “intentona de Belém” contra o PM eleito, com toda a displicencia de uma parlamentar que foi eleita para defender o povo e a sua Lei Fundamental.
    A Ana Gomes não aguentou mais a farsa ou mera formalidade em que se transformou a nossa democracia. Há um limite a partir do qual temos que dizer que o PR renegou a sua função de “garante da constituição” e a justiça se colocou ao serviço de uma mafia toda poderosa. A mesma justiça mafiosa que durante seis anos arruinou o bom nome de um PM e agora aparece a proteger um ministro da sua cor, na opinião da Ana Gomes. A Ana Gomes pensará que atingimos aquele limite. A Isabel Moreira onde coloca o seu limite? Num golpe de estado formal? Vai assistir, de bancada, ao lento desmantelar da democracia a partir das suas estruturas fundamentais como a PR, a AR e a Justiça?
    Por isso o povo vos compreende cada vez menos! Que vale uma democracia quando a justiça foi capturada? Quando a agenda da justiça se confunde com a agenda política? Diga aí, Isabel, que outro país da UE chegou a esta disformidade na Justiça e na PR? Como pode mandar calar a Ana Gomes, que já interiorizou o golpe de estado palaciano do cavaquismo?

  6. A Ana Gomes deve ter tido conhecimento do conteúdo deste “LinK” do ignatz e muito mais. A Isabel vive noutro país, com outra justiça. Pensei qiue era deputada da Nação.

  7. Devia-se dar ao trabalho de falar com a Ana um dia destes.

    Ela sabe que houve corrupção, ela denunciou, ela apresentou provas, ela ajudou em todas as fases do processo e ela é até observadora do mesmo.

    Falando com ela não restam dúvidas de pelo menos uma coisa: houve dinheiro a ir para campanhas do CDS. Falo apenas desta porque é certo. Está provado em todo o lado menos nos tribunais que a senhora insiste em defender em vez de ajudar a melhorar.

    Paulo Portas (e se calhar Pires de Lima, o problema de a justiça não funcionar é este mesmo…) é corrupto. Ana Gomes sabe-o e contra o seu interesse próprio (Paulo Portas vai ser chefe dela quando ela voltar à sua profissão principal, e deportá-la-á concerteza para o burundi) denuncia.

    Conhecendo os factos, só se pode aplaudir.

  8. Muito bem, António. Também me espanta que a Isabel, antes de fazer este ataque pessoal à colega deputada, não tenha considerado a batalha que a Ana travou contra os encobridores da justiça, da investigação e da política, quase sozinha, com um PS passivo a assistir, como assistiu praticamente passivo à destruição de Sócrates, reconfortando-se no inócuo, conivente e quase sacana (dadas as circunstancias): “deixem a justiça funcionar”. Eles todos sabiam, a começar pelo senhor ministro da justiça, Alberto Martins, que a justiça estava a ser uma perfeita treta. No mínimo, o senhor tinha pedido a demissão, explicando que não podia suportar o linchamento ignóbil a ser levado a cabo pela justiça que ele tutelava. Mas ele fez como agora faz a Isabel à Ana Gomes: “deixem funcionar a justiça”. Que justiça? Esse é que é o problema.

  9. Confesso que fiquei admirado com a intempestiva reacção de Isabel Moreira. Segundo parece Ana Gomes afirmou, não insinuou, pelo que, como pessoa responsável, estará à vontade para justificar, provar, o que disse. Não seria pois preferível aguardar pela reacção da personalidade referida por Ana Gomes?

  10. isto é para as virgens mais escandalizadas com as peixeiradas da mrs gomes.
    há tempos, junho 2011, a ana gomes disse qualquer coisa parecida com isso e quando a comunicação social pediu ao portas uma reacção sobre o assunto ele respondeu que ia ponderar uma acção judicial. como não o fez até hoje e não deu mais explicações, suponho que não deve ter considerado grave ou preferiu não fazer ondas para evitar imersões ou amonas, se preferirem.

    http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?content_id=1874319&especial=Revistas%20de%20Imprensa&seccao=TV%20e%20MEDIA

  11. Dá-lhe ignatz!!!
    Uma coisa é certa: O Paulinho das passeatas não saiu, nem sai, do governo porque tem medo, muito medo, do que o troglodita do Relvas lhe faria a seguir. Só não vê quem não quer. Imaginem o Paulinho a bater com a porta e no dia seguinte a CS a ser inundada com com tudo o que era informação acerca das negociatas dos submarinos, dos sobreiros e de outras que por aí andam escondidas.

  12. Ainda sobre as palavras de Isabel Moreira contra a Ana Gomes e a solidariedade manifestada por Valupi. Custa-me a compreender que uma pessoa inteligente e muito bem formada como a deputada Isabel possa afirmar, para atacar a Ana Gomes, fazendo suas as palavras de Pires de Lima “que Paulo Portas não é investigado, arguido nem acusado de coisa nenhum”, fingindo ignorar que, desde há uns bons anos, os justiceiros portugueses só investigam quem muito bem entendem e, sobretudo, se forem adversários concorrentes ao poder governativo, que a direita pensa ser sua coutada exclusiva e o PS um intruso, tendo formado uma aliança tácita com PCP e BE.
    Também o Relvas permanecerá uma virgem imaculada se nunca for investigado!
    Espero que tanto a Isabel como o Valupi nunca belisquem, neste blog, a sua honorabilidade impoluta porque nunca foi investigado, não é arguido, nem acusado de nada pelos tribunais. Sejam coerentes e coloquem-se ao lado do doutor Relvas, na defesa do seu bom nome. É o mínimo que podem fazer por esta potencial vítima de outras Ana Gomes.
    A Isabel é jurista e parece ter ficado presa ao formalismo da lei, quando o exercício da lei se encontra subvertido por quem devia ser o seu garante e cuidador. Se ela e os seus amigos do PS querem continuar avestruzes, Portugal e a democracia só têm a perder e muito a lamentar. O silêncio e a falta de investigação sobre o caso das acções do Cavaco e da troca da sua casa no Algarve teriam impedido a reeleição do homem que agora viola alegremente a consituição, promulgando OE fora da lei. TC dixit. A Isabel, o Valupi e o PS inteiro acham que Cavaco é uma virgem imaculada porque nunca foi investigado, arguido ou acusado! Viva o formalismo, onde se esconde o pior laxismo de um PS sem verticalidade e por isso mesmo tratado pela direira como uma lesma. A Ana Gomes é uma excepção. A Isabel Moreira é a regra PS. E o Valupi é um indecente caluniador quando fala na “intentona de Belém”, porque não foi investigada, Cavaco não foi arguido nem acusado!!!
    Recentemente, na Alemanha, o presidente da republica pediu a demissão por um favorzito qualquer. Aqui é o que se vê.
    Também eu pergunto, coisa que a Isabel e o Valupi não fazem: por que Paulo Portas não processa a Ana Gomes?

  13. não podemos querer para os outros o que não desejamos para nós.o negocio dos submarinos,cheira a esturro,mas que se saiba portas não é sequer arguido.nós não somos pulhas como a direita que nos rouba, maltrata,mente,e mete nojo,como tal não podemos ir por aí.isabel parabens pelo post.

  14. Do ponto de vista formal o post está correcto. Só que, neste país, com esta gentinha que ocupa os lugares de comando,as coisas passam-se de outra maneira. São golpes de toda a espécie a contornar as questões legais, de forma a permitir os maiores abusos que dão acessos a benesses de espécies várias. É evidente que Ana Gomes tem razão em tudo o que diz. Embora seja acusada de desbocada, a verdade é que ela “tem-nos no sítio” e não tem receio das represálias a que fica sujeita.
    Portas é useiro e vezeiro em habilidades, sabendo que, quando chegado ao governo, pode distribuir algumas Cardonas pelos lugares certos, encarregadas de abafar os problemas que poderiam surgir se as coisas fluissem normalmente. Lembremo-nos, entre outros, do caso da Moderna que é deveras elucidativo.

  15. Oh Pedro, quando dizes que “…e PS inteiro acham que Cavaco é uma virgem imaculada…” baseias-te numa sondagem marada ou é por experiência própria?
    Por outro lado percebo e concordo contigo, se só falássemos de quem já é arguido ou acusado então o Passos, o Relvas , o Cavaco não teriam tido a honra de terem sido alvo de milhões de opiniões, faladas ou publicadas sobre a Tecnoforma, a licenciatura flash, a intentona de Belém ou a casa algarvia.
    Quanto se escreveu e disse sobre o Freeport nos 5 anos que levou a “investigar” , um processo que deixou uma suspeita eterna sobre Sócrates, bem aproveitada por tudo o que milita ou vota à direita.
    Que eles provem do seu próprio veneno não me vai tirar o sono.
    Deve ser trauma. que eu costumava ter um enorme sentido de justiça, com tratamento igual para os meus amigos e inimigos.
    Ou talvez uma deformação de carácter, consequência dos anos em que os ora atacados mexiam os cordelinhos para lixar a vida a outros.

  16. “Ana Gomes apresentou provas”??? Sim? Quando? Onde estão? Por que não sustenta a ideia de que Portas tem de ser ministro “por causa da imunidade quanto à justiça” nessas provas? ana gomes limita-se a dizer que ele “era ministro”. isso é prova??? e de que imunidade fala ana gomes? e o tempo todo em que portas não foi ministro? se há provas, onde está a investigação contra portas? uma coisa é a contestação política. posso ser contra a forma como está a ser gerido o dossier da RTP, por exemplo. mas acusei alguma vez relvas de só ser ministro para fugir à justiça? posso criticar a MJ em várias medidas, mas acusei-a de ciminosa encoberta numa pretensa imunidade? é esta distinção que tem de ser feita. o processo de privatização da TAP é em todos os seus contornos pouco transparente, tem um só candidato, o preço é uma anedota e o caderno de encargos foi feito posteriormente. sou a favor de que a AR faça o seu papel, questione, defenda a TAP e o seu destino, como lhe compete, mas não acusei ninguém do governo de corupção encoberto no seu cargo. é esta a diferença. o CV de uma pessoa não a torna imune. todos somos livres de pensar que ana gomes fez muito por muita coisa, mas isso não lhe permite fazer uma acusação criminal em direto e para mais assegurar que o “criminoso” é ministro apenas para se esconder da justiça. é que se nao temos isto presente, que se chama estado de direito, amanhã, se nos calhar a nós alguém esmagar o nosso nome sem provas, que dizemos?

  17. Pedro, quando disse “PS inteiro”, referia-me ao “PS-institucional”, ou seja, os seus órgãos dirigentes e, sobretudo, o seu grupo parlamentar, eleito para defender o povo e a lei. Defendê-lo da própria justiça, se for caso disso. Como tem sido o “caso”. Repito: este PS assistiu, praticamente quedo e mudo, ao desmantelar dos pilares da democracia, como são o regular funcionamenti da justiça e da Presidência da República. Talvez o maior erro de Sócrates tenha sido deixar sacrificar estes dois pilares em nome do projecto que que concebeu para o seu país e pelo qual tanto fez em tão pouco tempo. Aceitar tal sacrificio significou, a curto prazo, a destruiçâo, não só da obra feita, como da moral do país e da democracia. Agora temos cacos e somos governados por uma espécie de aventureiros/quadrilheiros. O fim pode vir a ser mesmo muito triste. Oxalá esteja enganado e a integração na UE ainda sirva para alguma coisa.

  18. Senhora deputda Isabel. O nome de muitos membros dos governos de Sócrates tem sido “esmagado”. Acaba de ser esmagado, perante os seus olhos. Podia ser precisamente o seu, se tivesse sido uma Lurdes Rodrigues, a “criminosa” da Parque Escolar por gestâo danosa ou coisa parecida. Esta justiça subvertida precisa de provas? Não se deu conta, como se afirma aí atrás, que a justiça portuguesa é um pilar destruido? Não a incomoda, como deputada e jurista que o PR promulgue, em dois anos consecutivos (ao que tudo indica) um OE contra a Constituição? Dirá, sim senhor, que incomoda, mas “é a vida; o povo elegeu-o..” Vê alguma coisa parecida na UE? Não estamos perante um golpe de estado efectivo?

  19. oh isabel! se a ana gomes injuriou e ofendeu o coitadinho do portas, que não está habituado a estas coisas e nem sequer foi director da maior escola de difamação portuguesa, o independente, porque é que o moçoilo não lhe move um processo por difamação ou o ministério público não investiga as declarações públicas da gomes? tá bom de ver que está tudo inquinado desde o princípio e até a tua cabecinha está formatada para interpretações burocráticas de emperrar a justiça. quando chegámos ao ponto do mesmo crime ter sido provado e julgado na alemanha e em portugal nada ter acontecido, porque morreu entretanto um suposto implicado, por ter evaporado documentação do ministério da defesa, por terem desaparecido dossiers do processo, por não serem validadas escutas comprometedoras e mais aquilo que não sabemos porque está a segurar a coligação, vens tu defender o bom nome do great pretender nacional, o escrupuloso cumprimento das leis e regras de investigação vigentes ou seja defender esta canalha e os métodos que utiliza. pois fica sabendo que o único esperança legítima que resta para apear estes gatunos do poder é desmascará-los e confrontar a justiça com o escandalo público. dentro de pouco tempo nem isso será possível porque o relvas entretanto abarbatou toda a comunicação social.

  20. O problema é que muitas pessoas (demasiadas) não estão habituadas a ler textos de mulheres que têm os tomates no sítio !

  21. Pedro, estás baralhado. Comentar e destacar uma notícia – como, por exemplo, as da Tecnoforma ou do Freeport, tanto faz – não equivale a lançar uma calúnia, pois o facto primeiro é o da notícia ela própria, a sua informação e as interpretações feitas (ou não) pelo jornalista que a publica. Facto diferente seria partir daí para garantir que alguém visado numa notícia (repara: numa notícia, não numa decisão judicial) é responsável seja pelo que for.

    Assim, é lícito, e até desejável, que se discutam as notícias sobre todo e qualquer político, sobre toda e qualquer figura pública, sobre todo e qualquer cidadão. Só que não temos de as discutir como se elas fossem outra coisa que não notícias, pois nesse caso ou estaremos a caluniar ou estaremos a ser estúpidos (e parte maior dos caluniadores não passa de uma manada de estúpidos).

    Ana Gomes tem a responsabilidade acrescida de ser uma figura pública e uma política. O que ela pretende é ofender a honra de Portas recorrendo a uma calúnia do tipo das que mandaram a Sócrates, quando também diziam que ele tinha de ficar no Governo para evitar ser investigado pelos inúmeros casos onde o meteram. Na noite da sua demissão, foi essa mesma a pergunta de uma repórter, lançando-lhe para cima esse vómito de se considerar que aquela pessoa já não tinha direito ao seu bom nome, apesar de nem sequer arguido ter sido fosse do que fosse.

    Ana Gomes nunca mexeu uma palha para defender Sócrates nem aqueles que estavam ao seu lado. Foi ao contrário, em várias ocasiões alinhou por palavras e omissões com as campanhas que pretendiam apresentar o Governo socialista como um bando de criminosos. Foi assim aquando do caso dos voos da CIA e aquando da subida de Seguro à liderança do PS, onde o discurso de ambos prometia uma limpeza da corrupção instalada dentro do partido.

    Acima de tudo, Pedro, está-te a faltar uma reflexão sobre o que seja o Estado de direito e de como ele depende dos cidadãos para a sua eficácia. Não é alinhando nas calúnias do ódio, nas campanhas negras e nos linchamentos mediáticos e públicos que te vais proteger, ou proteger os teus. É precisamente ao contrário.

  22. “Ana Gomes tem a responsabilidade acrescida de ser uma figura pública e uma política.”

    logo o ministério público tem obrigação de abrir um inquérito sobre as declarações públicas da dona ana para averiguar aquilo que estamos carecas de saber mas não podemos dizer para não prejudicar a imagem do ex-director do independente que calúniou e difamou todos os adversários políticos sem consequências maiores que umas multazitas. é este o estado de direito que devemos preservar olhando para o lado e fingindo que a justiça funciona.

  23. Insisto, Ana Gomes não insinuou, afirmou, diz a própria Isabel Moreira. Ana Gomes não fugiu para parte incerta, e, se for caso disso, julgo que estará pronta para justificar as suas declarações. Mas não, evidentemente, perante a Isabel Moreira ou perante o Val, cujas reacções me parecem demasiado apressadas e agressivas, mas perante quem foi acusado. Não creio que o Portas necessite que a Isabel Moreira e o Val atestem a sua honorabilidade.

  24. ignatz, qual é exactamente o teu plano para pôr a Justiça a funcionar?
    __

    Manojas, dizes bem, Portas não precisa que alguém ateste da sua honorabilidade. É o Estado de direito que precisa daqueles que reconhecem honorabilidade a todos por igual até prova em contrário.

  25. não conseguia dizer melhor, Val
    se as pessoas não percebem a diferença entre comentar uma notícia enquanto notícia e caluniar alguém, está tudo perdido

  26. talvez chatear? não tenho, nem sou suposto ter, mas há quem seja pago para isso e faz postes situacinistas como este.

    “É o Estado de direito que precisa daqueles que reconhecem honorabilidade a todos por igual até prova em contrário.”

    isto chama-se avalizar o sistema. respeitar a honorabilidade do portas ou do relvas não lembraria nem aos apoiantes do regime. muda de dealer que esse produto é marado.

  27. ignatz, só te mexes na defesa do Estado de direito se te pagarem, declaras. Creio que fica tudo dito a teu respeito no que a este assunto diz respeito.

  28. oh isabel! o gaspar queixa-se do mesmo, o povo é burro e não dá para descomplicar coisas bué de complexas só acessíveis a ungidos, mas pondo isso de lado, tens alguma ideia como é que se pões a justiça a funcionar ou ninguém te paga para ter ideias dessas. a calúnia legal já foi inventada há bués, planta-se uma notícia caluniosa num jornal offshore, depois cita-se e comenta-se na imprensa nacional. quem tiver carteira do sindicato de jornalista escusa de ter este trabalho, basta invocar a protecção das fontes em caso de sarilho. magistrados e bófia funceminam autogestão fazendo o que lhes apetece em nome na justiça.

  29. oh val! não foi nada disso que eu disse, se não tens argumentos não entortes a conversa com juízos de valor e conclusões disparatadas. se o problema é levares a taça, por mim estás à vontade, tirando os dos costume já todos cagaram nela.

  30. Amigo Val, quando aqui trouxeste repetidas vezes o caso da “intentona de Belém”, chegando mesmo classificá-lo como o maior atentado à nossa democracia, isso foi comentário caluniador de notícia caluniosa ou denúncia pública de um crime gravissimo que devia, em seu tempo, ter ficado sob a alçada da lei? Qual a diferença entre a Ana Gomes afirmar que Paulo Portas está implicado na corrupção do caso submarinos (até se constituiu assistente do processo!!!) e o Val fazer sobre a “intentona de Belém” as afirmações que fez, implicando o Presidente Cavaco nesse gravissimo crime? Tem provas, Val? E que pensa disto a Isabel Moreira, deputada e, portanto, com responsabilidades acrescidas?
    Acreditem, que tenho muita consideração tanto pela Isabel como pelo Val. Mas confeso que não entendo como não conseguem ver o obvio: a justiça deu o estoiro em Portugal e a Presidência da República tornou-se um antro de conspiração mafiosa. Que resta, para recuperar a dignidade da Nação, senão dar um murro nas bancadas do Parlamento? Mas os parlamentares são os excatissimos representantes de um povo que se dá muito bem com o “deixa andar”. Que importa se forem oito ou quarenta e oito anos a “deixar andar”! Basta criar as condições. Devagarinho, arrebanhando conivências e contando com todos os que continuam a defender que a “democracia está funcionar”. Como o Val e Isabel.
    “Porreiro, pá!”, também foi o erro de Sócrates e assim perdemos o melhor PM que Portugal teve em democracia. Ele também acreditou que era possivel avançar com “esta preidencia” e “esta justiça”. Chegamos a isto. Como disse no comentário anterior, a única esperança vem-me da nossa pertença à UE.

  31. Pedro, a “Inventona de Belém” é um acontecimento público: saíram certas notícias no “Público”, constatou-se o comportamento de Cavaco nas semanas seguintes, depois saíram notícias no “DN” a explicarem as notícias do “Público”, voltou-se a constatar o comportamento de Cavaco, o qual admitiu a veracidade das notícias do “DN” através da alteração na descrição das funções de Fernando Lima e através de um discurso onde assumiu a autoria moral da ocorrência e declinou assumir responsabilidades em nome da Casa Civil. A partir daqui, a interpretação do que estes factos significam não constitui uma calúnia, posto que eles são inegáveis e evidentes. Claro que não podemos saber se Cavaco realmente planeou a Inventona ou se ela foi planeada por outros que nada lhe contaram. Contudo, é indiferente, pois ele protegeu os agentes, ou agente, e fez sua a acusação lançada por eles. Isto quer dizer, portanto, que Cavaco é o principal responsável pela “Inventona de Belém”, na minha humilde e nada modesta opinião. Repara que não existe quadro legal para considerar esse episódio como crime, pelo que a eventual censura que se lhe faça é apenas política. Só os partidos com representação parlamentar é que poderiam fazer do caso matéria de investigação, e nenhum deles o quis. Onde é que está a calúnia?

    Talvez tu não tenhas bem definida o que seja uma calúnia, tanto em sentido judicial como moral. E com isso estás a misturar diferentes dimensões do complexo problema que temos entre mãos. Tu não vais resolver problema algum com murros ou com esse desespero impotente. Se queres contribuir, começa por pensar. Pensa no que escreveste e vê se daí pode nascer alguma coisa que se aproveite. Se sim, diz lá qual é. Entretanto, milhares e milhares, e mesmo milhões e milhões, de portugueses todos os dias cumprem as regras do Estado de direito que nos permitem viver uns com os outros em paz. São as excepções que nos afligem, porque uma já será de mais.

  32. Fiquei esclarecido, Val. Em política, no combate político, parece que tudo é permitido, mesmo a mentira para o assalto ao poder e colher daí os respectivos benefícios. E eu a pensar que isto configurava “abuso de poder” e outros coisas assim, quando a mentira vem de um agente politico no exercício de cargo público. Como não sou jurista, dou-lhe a primazia na apreciaçâo jurídica e fico-me pela minha opinião de leigo nessa matéria.
    A única coisa que se pode aproveitar da opinião que expressei é o alerta aos políticos de que há um limite de abandalhamento provocado ou consentido nas instituições da república, o qual, se ultrapassado, pode significar muitos anos de retrocesso. E sofrimento para a generalidade das pessoas. E é isto que me preocupa.

  33. Pedro, mas não estás sozinho nessa preocupação. Existem partidos e organizações várias com as mesmas preocupações, e oferecendo diferentes soluções para elas. Não existe é ninguém que tenha a única solução na mão, pois estamos em democracia.

    Quanto ao combate político, as mentiras são frequentes, mas tal não quer dizer que isso seja uma obrigação ou fatalidade dos políticos. Por exemplo, se calhar tu não mentirias caso estivesses na política. E se começares por admitir isso de ti próprio, então tens a melhor das razões para admitires isso de outros. Não queiras é mandar fora o bebé juntamente com a água do banho.

  34. eu gostava de recordar que a calúnia ou a difamação são crimes. por isso quando leio pessoas a perguntar “então se ela caluniou por que é que o MP não faz nada?”, ou coisa parecida, gostava de recordar que não estamos perante crimes públicos, logo o MP não tem qualquer iniciativa.

  35. oh minha! para ser crime de difamação ou calúnia tem de ser investigado, provado e julgado que o é ou não, até lá é uma denúncia pública que pela sua gravidade e por ser feita por uma deputada do parlamento europeu deve ser investigada pelo ministério público. neste caso nem o dito caluniado, nem ministério público, nem isabel moreira estão interessados nisso. ao portas compensa e de que maneira, ia agora mexer na merda quando a coisa vai ser arquivada, só tu ainda não deste por isso.

  36. oh isabel! andas a gozar com os pretos ou direito saiu-te na farinha amparo? queres fazer crer que as declarações públicas da ana gomes não servem para iniciar um processo porque não estamos perante um crime público? a carta anónima do gajo do cds denunciando o socras deu origem a quê?

  37. só não percebe quem não quer. o MP não inicia a investigação – não pode, mesmo – de todos os crimes. os que dependem de denúncia ou queixa carecem das ditas. e não, nem todos os crimes “têm” de ser investigados. se eu for alvo de um crime particular, eu é que decido se quero iniciar um processo ou ficar-me. tudo depende do “valor” dos bens juridicos em jogo. posso entender, é cá comigo, que não se justifica um processo, passar por isso. é uma decisão pessoal.
    a “carta anónima” era uma falsa denúncia e deu em nada. se fosse verdadeira e sendo um crime público teria havido uma investigação diferente. haveria um arguido que nunca foi arguido, etc. isto é, para que que se perceba, todas as investigações podem começar com uma denúncia ou uma queixa, mas há investigações que SÓ podem ser iniciadas com uma denúncia ou uma queixa.

  38. “…a “carta anónima” era uma falsa denúncia e deu em nada.”

    claro que não, foi uma invenção e portanto não existiu nenhum caso freeport. só não percebe quem vive em marte com fugaz passagem pelo parlamento.

  39. belinha,
    que figura triste, até percebo que há o espírito da lei, mas quanto ao espírito da ética, nunca tens nada a dizer. E muitas vezes a interpretação do espírito da lei é imoral e anti-ética. Dá- se o caso de estares muitas vezes do lado do espírito errado. E acuso – acuso-te- por essa miopia. estive eu a votar para ter esta bosta como representantes?
    (já estou como o ignatz, pergunta ao galamba,que ele sabe como se faz).

  40. qual espírito da lei, qual carapuça? a lei é clara, mas só se aplica às vezes, quando não dá jeito aplicam-se interpretações espirituais, com estes argumentos nem com o espírito santo lá vai. este tipo de explicações que não explicam nada e levantam mais dúvidas foram trazidas para o discurso político pelo cavaco, bpn e coelheiras, e têm feito carreira, em qualquer parte do mundo davam direito a despedimento, no mínimo por incompetência. o destino deste processo é ser arquivado, deve ter sido a primeira ordem da ministra loira e só não o foi ainda para garantir que o portas não rebenta a coligação. isabel pergunta ao securitas da assembleia que ele explica.

  41. O velhote Soares diz o mesmo, por outras palavras, que a Ana Gomes. Lá estão as ameaças a Portas…
    “Paulo Portas, que votou o Orçamento, invocando “o interesse nacional”, avisou agora Passos Coelho de que “terá de ouvir mais o CDS” (o PP está a desaparecer aos poucos) e menos Vítor Gaspar, relativamente ao Orçamento do Estado para 2014. Passos Coelho deve ter-se rido muito, com tal advertência. Nessa altura, se houvesse ainda Governo – e, seguramente, não haverá -, Portas invocaria de novo “o interesse nacional” e voltaria a ficar no Governo, porque está a ser pressionado (ou ameaçado) para tanto”.
    A pior coisa que se pode fazer é tentar tapar o sol com uma peneira. Só a Isabel e outros cordeinhos não querem ver que a direita, agora com o poder todo, literalmente todo, nas mãos, fez da Constituição um farrapo. O mais curioso é que esta direita parecia saber de ante-mão que o PS “direitinho” e “arrumadinho” nas leis ia reagir desta forma invertebrada. Por isso ousaram e abusaram, sabendo que só ia haver gritinhos dos meninos e meninas bem comportadinhos do PS, cumprindo todas as letrinhas da lei. Até as que vêm nas entrelinhas.O “espirito da lei” é outra coisa. É a defesa da cidadania, que para isso foram feitas e nâo para deixar fugir os “pardais” com mil artimanhas legais. Qualquer cristão aprendeu que o “sábado sagrado” era para sempre violado, mesmo que fosse para salvar um simples burro que caiu ao poço. O espirito da lei é pelo bem do cidadão e não pela esperteza do ladrão.

  42. edie
    não é necessário perguntar ao galamba, sabe? ele, como eu, fazemos oposição a portas e a passos e, portanto, à coligação. já vi o galamba atacar, e bem, politicamente essa direita. nunca, mas nunca lhe ocorreu ir por esse caminho de ana gomes. estranho, não é? pois.

  43. ébom ver gente a fingir que não percebe perante uma resposta que a deixou quieta e desata a disparar para o lado. o caso freeport não deu em nada em relação a sócrates, ok? pronto, vou escrever assim.

  44. oh isabel! não deu nada em relação ao socrates? então o socrates não foi vítima de nada e ninguém o perseguiu durante 10 anos, como não houve processo algum desencadeado por uma denúncia anónima, até porque o ministério público só poderia abrir o processo por ordem do sócrates de acordo com as tuas interpretações manhosas (lê a resposta imobilizadora que escreveste acima).

  45. isabelinha,
    que o joão não tenha ido por esse caminho da ana gomes não contesto, já que a isabelinha faça oposição como ele faz, nã…não são do mesmo calibre.
    Nestes momentos, tenho de abardinar e dizer que já já tinha dito antes. Com certos elementos do PS como estas, não vamos a lado nenhum.
    Segue uma para actualizar as mentes, embora já tenha mais de dez anos. Como o blogue é aberto, posso pôr aqui a expressão que mais me apetecer no momento. E ainda educo as massas (ahah), qem tiver ouvidos sensíveis, faça zapping
    http://www.youtube.com/watch?v=MCQ7VLoY7bQ

  46. Naturalmente não tenho razão, mas está a parecer-me que o problema é tratar-se da Ana Gomes. Adiante! Mas, a propósito, o Paulo Portas já reagiu às acusações da Ana Gomes, que tanto incomodaram a Isabel Moreira e o val?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.