Desemprego: o fim do contrato político

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Que diz o Governo? Numa rara aparição numa reunião do tipo “com parceiros sociais”, eventos que não frequenta, V. Gaspar anuncia ao povo, que legitima democraticamente o exercício do seu mandato, isto:
“O ministro das Finanças anunciou hoje que as previsões do Governo sobre a taxa de desemprego foram revistas em alta. Segundo Vítor Gaspar, haverá 15,5 por cento de portugueses desempregados no final deste ano, contraindo as estimativas apresentadas no Documento de Estratégia Orçamental, que apontavam para 14,4 por cento. Já para 2013, as novas previsões apontam para uma subida ainda mais acentuada: 16 por cento, uma taxa recorde que contrasta com os últimos dados do Governo, que davam conta de uma descida para os 14,1 por cento”.
Está quase tudo perdido. Quando quem nos governa não tem interiorizada a principiologia de responsabilidade democrática mais rudimentar, está quase tudo perdido.
Numa matéria de flagelo social, de desastre pessoal profundo, o Ministro não pode, pura e simplesmente não pode, alterar em ditado, num mês, previsões como estas sem explicar, fundamentar, cabalmente, o por quê da reviravolta.
Falta de sentido democrático, irresponsabilidade política, filhas de uma insensibilidade social assustadora de quem tem em mãos os tais dos números.
Deve ser mais fácil assim. Governar para taxas apagando as pessoas que as geram.
Está quase tudo perdido. Não é gente desta que nos ajuda. Porque não sabe que estamos do lado de cá de um contrato político.

8 thoughts on “Desemprego: o fim do contrato político”

  1. Õ desemprego tem a ver com despedimentos do agrado dos patrões,e tambem com as dezenas de pequenas e medias empresas que vão à falência por dia. leiam o livro” o banco” de marc roch e ficam a perceber melhor como a goldman sach dirige o mundo.na capa, tras 4 fotos de homens de mão, um deles é o “nosso” antonio borges que disse anteontem que os salarios têm que baixar.grande sacana

  2. Estava prometido, estão a cumprir e os eleitores, tacitamente, aprovam, seja porque lhes parece que não há saída (é o nosso fado), seja porque não há alternativa a esta política. As sondagens são esclarecedoras no apoio a Passos-Portas. Foi “prometido” dar um passo atrás para dar dois em frente; o empobrecimento; o corte nas gorduras (do “estado” dos mais vulneráveis). Penso que os eleitores nunca tinham sido tão esclarecidos e avisados como antes destas últimas legislativas. De um lado os partidos da esquerda radical, xuxas veneráveis, com Soares à cabeça a exigir a Sócrates a vinda da TroiKa e a louvar a inteligência e honestidade de Passos, a que se juntaram a direita em peso, venerada pela santa igreja católica e pelo santissimo e competentissimo patronato luso. Do outro lado alguém que se viu sozinho a puxar pelas energias do país, perante toda aquela oposição organizada e ululante encabeçada por sua excelência o Presidente Cavaco.
    Senhores eleitores, apanhem os cacos.
    Diz-se que de Espanha voam biliões para o exteriror, em prevenção do que aí vem. Destroi-se assim a economia de um país e a vida de milhões de pessoas. É uma guerra de crueldade extrema, mas passa ao lado das preocupações dos acerrimos defendores dos direitos humanos, porque não há balas nem sangue como na Síria.
    É imoralidade de uma moral das conveniências e, sobretudo, das aparências. É a emergência da lei da selva, do triunfo do mais forte e do mais apto, travestida na “livre circulação de pessoas e bens”, o jacpot para os “fortes” num mundo globalizado.
    Selecção natural, dizem eles.

  3. Mario,subscrevo muita coisa que escreveu,mas perante a sua narrativa anterior (e ela é muito teimosa) não consigo enquadrar politicamente o seu discurso.Mario Soares uma referencia na nossa democracia,cometeu erros,que se pagam caro.Um ex. Aqui há tempos no youtube,vi um ataque demolidor de Sergio Sousa Pinto ao Bloco.Sabe qual foi a resposta de Louça, à falta de outros argumentos? sitou uma frase de Mario Soares.Tem razaõ quando diz que os portugueses estavam avisados antes das eleiçoes.Pergunto qual era a alternativa para si a um governo de direita que se está a vingar do 25 de Abril?C ontinua a ter razão quando diz que Mario Soares desvalorizou a vinda da troika para Portugal.Ele governou duas vezes com o FMI,depois de governos de Vasco Gonçalves e da direita,mas esqueceu-se de analisar, o que esses senhores estão a fazer hoje na Grecia.è verdade que fez elogios a Passos Coelho,antes de começar a tomar medidas, mas depois de uma conversa com ele e das medidas já levadas a cabo, disse sem vacilar que ele era um ultraliberal.Se comecasse a critica-lo antes,perdiam legitimidade as suas criticas não acha? Por ultimo a quem se refere quando diz:Do outro lado ,alguem que se sentiu sozinho a puxar pelas energias do pais. Eu faço uma pergunta,” mas não havia necessidade” porque nesse papel só vi José Socrates e os seus camaradas, com José Seguro fora desse comboio…

  4. Esse homem que galhardamente lutou sozinho contra xuxas, contra esquerdistas e a direita foi, evidentemente, José Sócrates. Pensei que o identificasse nas palavras citadas.
    Por falar em alternativas, hoje é claro que não havia alternativas. Por isso votei Sócrates, uma, duas e três vezes. E nunca vi o homem a não ser na televisão. Mas vi as suas apostas e foram elas que me fascinaram, ao ponto de eu deixar para segundo lugar os seus muitos defeitos.
    Agora estamos a navegar sem direcção alguma e a oposiçãoé o que a Rita vê.
    Quanto a Soares, não consigo ter empatia pela pessoa. Parece-me um “sempre em pé”.
    Como todos os homens tem o seu valor e, à falta de melhor, votei sempre nele para a presidencia da república. E não precisei de tapar o seu retrato na hora de votar.

  5. Mas não precisamos que nos identifique o problema, que já conhecemos. Precisamos é de solução e de estimulo, agora lembrar e deitar abaixo…não obrigado, camarada Isabel.

  6. Hoje, li a crónica do Miguel Sousa Tavares com umas ideias suficientemente estimulantes. Melhor que anti-inflamatórios.

  7. Ó APSantos, just vai cumer onde comem as galinhas, pá, até podes biajar com o Miguel sousa tabares pelas estradas de portugal e trocares impressões sobre as últimas tiradas, vulgo, escarradelas, da maitê proença no património portugues. queres cunbersa, ó pá, tinha que escrebere bem e não mapetesse.
    Contrato político? com politicus destes, ó meu, boue á praia pá, é mais agradabele olho a natureza feita em seis dias.

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