Das palavras por cima das pessoas

Sim, é uma receita extraordinária – fundo de pensões da banca. É por ser extraordinária que o Governo diz que não faria sentido poupar 800 milhões, esse número extraordinário que tem por trás os rostos de milhares de funcionários públicos e de pensionistas, gente roubada no seu direito ao salário e à segurança social. Mas foram roubados em circunstâncias extraordinárias, num OE de poupança, de rigor, e aquele fundo, ausente da discussão do OE, não é poupança, ele é extraordinário, não venham cá agora dizer que até é mais do dobro dos 800, não faz sentido ir para ali.
Até porque na crise nos vêm explicando que se espatifou um compromisso eleitoral porque faz sentido, por vezes, não fazer sentido, porque estamos a viver um momento…extraordinário.
Extraordinário é a pobreza decretada por lei, atingindo uns quantos, como que milionários – gente que viveu acima das suas possibilidades -, com a facilidade de uma calculadora, e essa pobreza ser uma montanha de rostos que ouvem nas notícias que havia dinheiro para os seus salários e pensões, mas que a verba de que falam é extraordinária.
E eles? são o quê?

12 thoughts on “Das palavras por cima das pessoas”

  1. E eu que pensava estar na dependência do Salvador, aparece-me a seita herética de São Caetano.

    Algo de extraordinário, aconteceu para tão grave punição.

  2. Chama-se “governar preventivamente” e é a nova moda cá do burgo.

    Mas parece-me que não estão a seguir esta nova linha como deviam.

    Então o Passos não sabe que se não pagar um ano inteirinho de salários á função publica , para prever qualquer precalço no orçamento claro está, mais depressa chega ao defice 0 e os mercados começarão logo a emprestar como loucos?

    Eu acho que se está a ir demasiado devagar, que diabo, é para a desgraça, é para a desgraça, cortam-se os salários a todos ( menos no parlamento, que terá de gerir a coisa e isso dá trabalho ) durante 10 anos e pimba, seremos os senhores do mundo dentro duma década, tão superavitados estaremos. Além de mortos, evidentemente.

  3. E atenção, que reduzir o vencimento mensal entre 3,5% e 10%, de uma forma progressiva, NÃO É O MESMO QUE ROUBAR DOIS SALÁRIOS EM CATORZE, o que equivale, na prática, a quase 15% mensal de esbulho!

  4. Sr. doutrora então qual é solução que tem em mente para resolver o problema do défice e da divida publica?? Decerto que é muito diferente do líder do PS aquando da sua candidatura como deputada, pois a solução dele era esta, cortar em tudo o que era estado social e aumentar todos os impostos. Parece me que hoje não apoiaria o sr eng Sócrates como fez há 6 meses atrás, está no seu direito, mas que solução tem para resolver o problema??

    Sobre compromissos eleitorais a sra não é decerto a pessoa mais indicada para falar neles, visto que pertence a um grupo parlamentar que tem MUITOS telhados de vidros nesta questão.

    Quando os Portugueses são roubados nos seu salário lembram-se bem de quem é a culpa, de quem levou o pais a pré-bancarrota e agora fala em austeridade inteligente. A sra e os seus colegas deviam de colocar a mão na consciência e pedir desculpa pelo abismo em que deixaram o país e depois falarem como se não fosse nada com vocês.

    Já agora não se esqueça que este fundo de pensões tem de ser pago, tal como tem de ser o que o utilizado pelo anterior ministro das finanças no ano passado e que mesmo assim não foi suficiente para cumprirmos o défice pretendido.

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