Crato, as portas e as galerias do Parlamento

Isto foi exatamente assim. Como deputada, estava dentro do plenário, onde se discutia a prova-20 euros-a- ver- se-te -vais -embora. Como todos, estranhei ter visto uma fila brutal de professores desde a hora do almoço esperando o exercício do seu legítimo direito de assistir ao debate e, no entanto,  ver as bancadas quase vazias.

Feitas algumas interpelações à PAR, parece que se resolveu o problema, de repente, puf, e vai que se enchem as galerias de professores humilhados por este Crato sem cravo.

O ministro não estava, claro; estava o secretário de estado que aos costumes disse nada.

Foi interpelado sobre a destruição da escola pública, mesmo perante os relatórios altamente favoráveis à mesma, foi interpelado num dia em que se falou sobre os cortes de milhões na escola pública, tudo parte de um bolo, no qual entra o cheque-ensino, a tal da “liberdade de esolha” falhada nos países que a tentaram, foi interpelado acerca do por quê de mais uma prova aos professores que já são avaliados. Foi finalmente interpelado sobre os 20 euros, sobre o absurdo de tudo isto, sobre o evidente expediente para mais despedimentos e aos costumes disse nada. Como lhe fica bem, de resto.

Os professores manifestaram-se nas bancadas. Naturalmente, não podem fazê-lo. E devemos defender as regras de funcionamento da AR e das galerias.

Mas engana-se o CDS e o PSD: acusam sempre, como hoje o fizeram, através de apartes de vários deputados, que “aquela gente” é “organizada” pelo PCP.

Estão enganados. A ira que se apoderou das pessoas que, em dias de horror para as suas vidas, vão à casa da democracia não é comandada por ninguém.

O Governo, neste aspeto, tornou dispensável o PCP.

7 thoughts on “Crato, as portas e as galerias do Parlamento”

  1. oh minha! atão, és pela avaliação ou vai tudo corrido a bom +? o pcp há muito que se tornou dispensável.

  2. Ó lisboa, vê lá se deixas de vir para aqui fazer publicidade à miséria a que chamas blog e em que passas o tempo a fazer copy-past do que os outros escrevem, neste caso o Paulo Pinote, porque para mais não te sobra engenho e arte. Ganha vergonha, e se queres que essa tua aberração bloguística seja conhecida, põe uns anúncios no correio da manha, que é o sítio ideal para isso, porque, lá está, nada como um jornal (???) de merda para fazer publicidade a uma bosta de blog.
    E duques…

  3. enquanto discutiamos aqui asobre subseres meio formigas meio abutres que representam o que manda em nós hoje, morreu mais um grande. Mais um que fez a realidade vergar-se ao (seu) sonho. Agora estamos mais ocupados a vergar-nos a toda a merda, normalmente designada por mercados – o “poder branco” sem cara. Utopia lutar contra? Não, seria deitar ao lixo o legado de Mandela, o nosso Mabiba.
    Estarão os sonhadores, que vergam a realidade, em extinção? Então e nós, os vivos? estamos à espera do quê?
    http://www.youtube.com/watch?v=RwUGSYDKUxU

  4. O Captain! My Captain!

    O CAPTAIN! my Captain! our fearful trip is done;
    The ship has weather’d every rack, the prize we sought is won;
    The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
    While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring:
    But O heart! heart! heart!
    O the bleeding drops of red,
    Where on the deck my Captain lies,
    Fallen cold and dead.

    O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
    Rise up—for you the flag is flung—for you the bugle trills;
    For you bouquets and ribbon’d wreaths—for you the shores a-crowding;
    For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
    Here Captain! dear father!
    This arm beneath your head;
    It is some dream that on the deck,
    You’ve fallen cold and dead.

    My Captain does not answer, his lips are pale and still;
    My father does not feel my arm, he has no pulse nor will;
    The ship is anchor’d safe and sound, its voyage closed and done;
    From fearful trip, the victor ship, comes in with object won;
    Exult, O shores, and ring, O bells!
    But I, with mournful tread,
    Walk the deck my Captain lies,
    Fallen cold and dead.

  5. É muito triste ver os toscos que se rebelaram raivosamente contra a Milu Rodrigues e o Sócrates serem agora gozados à fartazana pelos que os usaram como escadote de alumínio para chegarem ao Poder.

    É muito triste, sobretudo porque nem assim estes trastes, que se julgam Professores, vão alguma vez aprender a Lição (e basta seguir o “raciocínio” simiesco do tipo-Lixo Bunda para o constatar…).

    Deveriam era passar todos os seus dias de futuros desempregados sentados à porta das sedes do PSD e do CDS, de preferência em cadeiras “confortáveis” com a forma dos impressionantes gráficos dos Testes PISA, a vê-los passar, aos figurões “guvernamentais”, a rir-se na cara de todos eles, com ar de alarves.

    Aqui para nós: e acaso os senhores “stores” merecem mais?

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