“Chama-se Jornalismo!!!!”

“Na quinta-feira de manhã, as residências de Duarte Lima, em Lisboa, no 11º andar da rua Visconde Valmor, e no Algarve, numa vivenda na Quinta do Lago, foram alvo de buscas por parte de investigadores da Polícia Judiciária”.
Pelo que percebi, a PJ também esteve no Porto.
Às sete da manhã, quem de direito entrou nas residências de Duarte Lima e do seu “filho”. Este último foi detido e levado num carro, por quem de direito. No caso de Duarte Lima, a coisa demorou muito mais tempo.
Anormal? Não.
Anormal é ligar a televisão e constatar que jornalistas devidamente equipados e filmando o que lhes apetece seguem todo este processo.
Anormal é ligar a televisão e perceber que a comunicação social esteve presente pela noite fora ao lado da PJ a fazer uma investigação que devia ser sigilosa.
Anormal é termos informação não apenas e só apenas do resultado de uma operação da PJ fundada num mandado, mas de todo o processo, ao vivo e a cores, um filme de acção: no reflexo do vidro do carro de um detido, a jornalista e a sua pequena câmara.
Anormal é saber que isto só é possível porque houve fuga de informação provavelmente da PJ, do MP ou de um juiz.
Anormal é o apresentador de um dos telejornais da SIC perguntar a Rogério Alves se não é “estranhíssimo” uma detenção demorar mais do que outra (antes de tentar produzir mais novela, dá para pôr a hipótese de os dois mandados serem diferentes, por exemplo um de buscas e detenção e outro só de detenção?).
Anormal é perante o comentário lateral e evidente de Rogério Alves acerca da presença da comunicação social durante toda a operação em várias frentes ouvir, em jeito de interrupção indignada, ouvir o apresentador da SIC: – “Chama-se jornalismo!!!”.
Tudo isto tem muitos nomes, mas não esse.

17 thoughts on ““Chama-se Jornalismo!!!!””

  1. …concluindo mais um show dos anormais dos «jornas»…sim porque chamar jornalismo ao que hoje se faz nos médias é puro eufemismo …

  2. É preciso distinguir e não meter tudo no mesmo saco. O público tem todo o direito a estar informado. Uma coisa são ilegalidades e fugas de informação por vezes cirúrgicas, politicamente interessadas. Por exemplo, escutas ilegais feitas sob o pretexto de escutar terceiros, passadas depois à estrumeira da comunicação social com o intuito evidente de liquidar alguém. Outra coisa é seguir a par e passo casos ou processos importantes, cujos personagens adorariam que tudo se passasse num limbo secreto de onde não transpirasse nada, para poderem manobrar e traficar influências à vontade, para impedir que se faça justiça. Sem a comunicação social, por badalhoca que por vezes seja, seja, a nossa justiça seria muito mais miserável do que é. O sentimento de impotência do público perante as manigâncias dos poderosos seria dez vezes maior.

    Veja-se o caso do Duarte Lima. O processo das suas trafulhices no BPN estava praticamente parado há anos. Ninguém sabia nem queria falar dos mais de 50 milhões que o fulano recebeu e agora estamos todos a pagar. Foi preciso que a comunicação social lançasse luz sobre o personagem, na sequência de um fait divers sangrento, para o processo ser tirado da prateleira onde jazia a ganhar o pó do esquecimento e da impunidade. Ninguém estava interessado em falar das ligações de Lima com o BPN/PSD até a comunicação social brasileira e, depois, a portuguesa atirar o nome Duarte Lima para a mesa, como suspeito de um assassinato. Mesmo assim, tirando Felicía Cabrita, em geral mau modelo de jornalismo, não vi outros jornalistas portugueses, nem sequer os que estão no Brasil, como o pateta Pacheco de Miranda, a interessar-se in loco pelo caso Duarte Lima.

    Não se pode deixar de questionar também as leis que nos regem. O segredo de justiça em Portugal é uma velha prostituta de rua que se finge virtuosa. É uma mentira todos os dias desmentida à nossa frente, uma paródia indigna de um país que se acha civilizado. A cada passo fala-se na necessidade de mudar esse sistema. Depois volta-se ao mesmo, como se nada tivesse sido dito. Até quando?

  3. Esta gente às vezes surpreende-me.
    “Isto é jornalismo!” – Que parte é que não perceberam?
    Benvindos a Portugal!… Odeio quando se dão ares de intelectuais e moralistas quando vivem num país medíocre como Portugal…

  4. NAS,
    Pois a mim já não me surpreende de todo um comentário como o seu, veja o meu caro como as coisas são… e como a mediocridade interage de formas tão distintas com uns e outros, conforme quem ouve e quem diz, por exemplo, ou até conforme a maneira como se manifesta, neste seu caso em concreto. É que sabe, eu próprio também ‘Odeio quando se dão ares de intelectuais e moralistas’, viva onde viva quem o faz, seja neste país que é o meu (e não, nem sequer o é exclusivamente pelo facto de ter sido aqui que nasci, mas poupo-lhe a explicação que suspeito não entenderia, de resto) seja noutro país qualquer que não seja medíocre aos seus olhos. A questão (e o seu problema, na minha modesta e naturalmente medíocre de berço opinião) é outra para mim. Passo a explicar, manias…
    Disse um dia dos nossos medíocres mais conhecidos cá no bairro que ‘a minha pátria é a língua portuguesa’, recordar-se-á certamente do dichote em questão. Este seu comentário, quer pela forma quer pelas palavras que escolheu para lhe dar conteúdo, levam-me a concluir que a sua pátria é a tal mediocridade que nos aponta, pois só essa possibilidade me dá resposta imediata à pergunta que assim me dispenso de lhe fazer. Mas que deixo dita apenas para os outros medíocres aqui presentes: que parte é este cromo não terá percebido, não me dizem?

    saudações medíocres, caro NAS.

  5. errata:
    1 – onde se lê «Disse um dia dos nossos medíocres mais conhecidos» deveria ler-se naturalmente «Disse um dia um dos nossos medíocres mais conhecidos»;

    2 – onde se lê «que parte é este cromo não terá percebido» deveria ler-se naturalmente «que parte é que este cromo não terá percebido»

  6. Este conluio entre as televisões e os jornais com as instituições judiciárias, são altamente prejudiciais à democracia. Cada novo caso, igual a este, é mais uma machadada no sistema democrático em Portugal.
    Nada disto é novo; até já assistimos, em directo, à deslocação de um sr. juíz à AR para prender um deputado, com a total cobertura de todas as televisões. Donde partem estas fugas de informação, que permitem tais anormalidades. SÓ pode ser de quem desencadeia os processos, isto é, das tais instituições judiciárias, que são quem sabe, à priori, que as mesmas irão ser desencadeadas. Só que as investigações para descobrir donde partem, nunca levam a nada. Pois se são os próprios visados que vão investigar as actos por si praticados, como poderão alguma vez encontrar-se a si próprios como suspeitos? Mais comissão de inquérito, menos comissão de inquérito e o resultado é sempre o mesmo: não dá em nada. É UMA VERGONHA

  7. Houve duas fugas de informação…
    1ª fuga – “Malta, vão prender o Duarte Lima, bora vamos cobrir a noticia…”
    2ª fuga – “Ó careca baza daí que a bófia vai prender-te…”
    A notícia só é importante porque há dois gajos na PJ que além de bufos são corruptos e venderam a história a um jornalista que trabalha à jorna.

  8. rvn,
    não me dou ao trabalho de ir ver o teu medíocre blogue, que deve ser duma mediocridade aflitiva. Nem mereces ter por língua a pátria do “medíocre” Fernando Pessoa. Mesmo sem gralhas, escreves malissimamente… Já pensaste em mudar de ramo?

  9. Bernardo,
    fiz mais que pensar, mudei mesmo… e veja a coincidência, o quinto da esquerda na sua árvore estava disponível, mesmo por cima do seu. E aqui estou, positivamente d’alto para o que você pensa de mim.

    Quanto ao tutear, esqueça. Selectivo, sabe?

    Agora vá lá brincar, está perdoado.
    Adeus.

  10. É isso aí, caras! Chego a pensar que o próprio Dr. Isaltyno (ex-Procurador do Ministério Público e ex-Ministro de qualquer coisada num governo semelhante ao atual) ainda não foi encanado porque os JURNALEESTAS escalados para cobrir a detenção ainda estarão para aí a meio do Secundário, ou as câmaras xispêtê-ó que pretendem usar ainda não foram desalfandegadas…

  11. Eh, rata:

    1 – onde alguém leu “Isaltyno” deve poder também ler-se qualquer outro nome de burlão, gatuno, ou patifório:

    2 – onde alguém tresleu “jurnalista” deve ler-se prostituto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.