A irrelevância de Cavaco

Um Presidente tem por funções defender a Constituição, garantir, sobretudo em cenários de maioria absoluta, a defesa dos direitos fundamentais, garantir o regular funcionamento das instituições democráticas e elevado sentido de patriotismo constitucional quando fala dentro e, especialmente, fora do país. E tem de ser isento, o que não quer dizer neutro, porque tem de saber ler a realidade do país e não ser um boneco alienado da mesma.

Hoje, nas comemorações que tiveram lugar na AR, a única alegria que podemos retirar de um dos discursos mais pobres de Cavaco é o facto de ter sido o último 25 de Abril em que a casa da democracia acolheu este Presidente.

Não vale a pena reproduzir toda a pobreza do discurso, mas vale a pena assinalar o topete de um Presidente que apela à apresentação de propostas para depois ter por absolutamente exigível o consenso, mais dizendo que é para isso – mentira – que o nosso “sistema” aponta.

Nesta contradição insanável, Cavaco sustenta a tese da indiferenciação política e do repúdio pelo debate “fundado em ideologias” no perigo do surgimento de movimentos extremistas.

Não houve um assessor que aconselhasse Cavaco no sentido de não tomar o Povo por ignorante, esse Povo que já percebeu que os movimentos extremistas que vão nascendo pela Europa fora ganham força precisamente à conta da indiferenciação política, da falta de alternativas, daquilo que gera a frase descontente, essa frase – são todos iguais.

Este Cavaco dos consensos que tudo fez para inviabilizar acordos de estabilidade política no passado, o homem da inventona de Belém, o homem que afirmava que os portugueses não suportavam mais sacrifícios, hoje deu vivas à visão laranja do crescimento e da retoma.

Sem legitimidade e sem credibilidade nas palavras, Cavaco é irrelevante.

 

13 thoughts on “A irrelevância de Cavaco”

  1. Cavaco não é irrelevante. Cavaco Silva representa como nenhum outro a hipocrisia política e a degradação da democracia portuguesa. Torpedeou consensos quando eram indispensáveis. Vem pedi-los quando já não há remédio.

  2. Ai Isabelinha isabelinha continuas a mesma melga snob e azeda ! Devias buer uns copos e dar umas passas pra te animar e deixares de repetir a mesma entediante lengalenga. O chefe já sabe que tu és prestável e que gostavas de continuar a missão abnegada de deputada. Eles la sabem pra que te convidaram! Um misterio pro resto do pessoal, mas adiante. Devias fazer como os gajos que por aí andam voltas a divertir – se! Sao só tenho brincalhões. Que pandegos. Chega o dr. Costa e pimba, temos brincadeira pela certa. Vou devolver as massarocas roubadas, diz ele, o gozão.
    Ouve-se o dr. Passos com mais justiça social, e pimba, mais um imposto galhofento.
    Bem, e do dr Portas nem se fala. É deboche, e do bom.
    Do PCP e afins, então esses, estão sempre em festa. E da rija. É só rir.
    Depois assistimos aos revolucionários do MFA. É uma terceira idade folgazona até dizer chega. Sempre firmes e hirtos como uma barra de ferro. Aposto que nem precisam de Viagra.

    Ora diga lá Isabelinha: se perante esta brincadeira pegada, uma pessoa como vocemessê não tem que ser séria? Talvez seja mesmo a única …

  3. Cavaco é tão irrelevante quanto Salazar o foi desde os princípios da década de sessenta. Mas, tal como Salazar, constitui-se o pilar do país retrógrado que nele se revê. Está velho e “gagá”, já mal sabendo ler o discurso que lhe colocam nas mãos (cidadões!), mas é a referência do país retrógrado. Até pode acontecer que depois de Cavaco a direita apodrecida se esfrangalhe, se digladie, se esfarrape, porque nunca é fácil substituir uma fantochada por outra. E os dez anos de cavaquismo presidencial foram uma fantochada, além de um imenso desastre para o país. Dos primeiros dez anos de cavaquismo conseguimos recuperar, mas destes últimos tenho sérias dúvidas, tal é a destruição que o “cavaquismo presidencial” provocou nas Instituições da República. A PR está desacreditada ao ponto de pantomineiros como Marcelo Rebelo de Sousa e Santana Lopes se perfilarem como candidatos, num claro sinal de que, depois de Cavaco, qualquer “coiso” serve para presidente. A Justiça caiu nas mãos de verdadeiros facínoras que se sentiram com carta branca para perseguir e destruir os inimigos de estimação, deixando absolutamente impunes os que lhe dão cobertura e os seus próximos. Chegou-se ao cúmulo de, uma e outra vez, os agentes da justiça estabelecerem uma descarada agenda política, sempre que se avizinham eleições. Como está a acontecer neste preciso momento. O conluio mais que evidente entre os media nas mãos da direita mafiosa e os agentes da justiça destruiu, também, toda a credibilidade dos nossos jornalistas, os quais, ora são controlados com mão de ferro pelos seus patrões, ora colaboram activa e militantemente, depois de escolhidos a dedo para os quadros dos órgãos de informação. Assim, tornou-se fácil queimar na praça pública todos os que se opõem ao novo regime nascido sobre as cinzas da democracia de Abril. Assim já nem faz falta a polícia e a sua tortura, nem a censura com o seu “lápis azul”. Na verdade, a democracia formal que temos tortura sem PIDE e julga sem TRIBUNAIS PLENÁRIOS. E faz autos de fé nas praças das cidades sem ter sido necessário ressuscitar a velha Inquisição. Ao que chegamos. E fomos consentindo. E os “bons democratas” não têm um assomo de dignidade e um sobressalto cívico perante o desmantelamento da jovem democracia. Em vez disso, repetem que “a democracia funciona”, “a justiça funciona”, sempre que mais uma vítima das instituições minadas pela máfia é arrastada para fogueira da comunicação social, para os tribunais corrompidos e para as masmorras, onde fica a apodrecer pelo tempo que muito bem entenderem os donos da justiça. E os bons democratas vão continuar a assistir impávidos ou lamuriando-se aqui e ali, fingindo que não percebem o que verdadeiramente está a acontecer. Também pode ser, simplesmente, por cobardia.

  4. Simplesmente notável Maria Abril. A verdade nua e crua, por muita trapaça que engendrem os vendilhões do templo, acabará por se revelar, e esta corja que se apoderou de Portugal terá a merecida retribuição. Viva o 25 de Abril.

  5. Cara autora,

    de facto assim é. Não se esqueça, porém, que V. Ex.ª. como representante do Povo também não se deve meter na seara da Justiça, maxime, dizendo-se advogada, tomando partido por quem está sendo investigado. É a medida da isenção. Etc. etc.

    O discurso está pobre na direita. É. Mas na esquerda, INEXISTE. Ora entre estas duas realidades e com as prestações dos deputados portugueses, eu prefiro investir na ABSTENÇÃO…mas, atenção, pensaria duas vezes em ISALTINO. O tipo borrifou-se para os carneiros, abotoaram-lhe os sapatos, mas apresentou obra….enquanto que outros, na onda da investigação, dizem-se tão queridos das coisas do mundo, que Deus Nosso Senhor, lhe deu um amigo altruísta, tipo apóstolo. Algo difícil de provar, a não ser que se convertam e peçam a intercessão de Santo António, carismático, que pôs o morto a depôr e assim defendeu seu pai…

  6. uma deputada digna desse cargo ter-se-ia voltado de costas para o calhorda enquanto este discursava e emporcalhava a AR no dia da liberdade. cavaco não é irrelevante, é muito mais do que isso – como esta deputada bem sabe, mas prefere ignorar, prefere não agir por imperativo ético e corajosamente, mas meramente guiada pelo senso comum, pelo que é politicamente correto e, acima de tudo, pelos seus irrelevantes e fúteis interesses pessoais – é, no verdadeiro e mais vil sentido da palavra, um traidor.

  7. Caros cidadoes: proponho que a Maria Abril substitua a enjoada e histérica Isabelinha na próxima lista de comensais do Ps na AR. Assim sempre teríamos uma tónica diferente com a Maria: histérica e raivosa. Sempre dá mais luta e faz mais barulho. Tipo Ana Gomes desbocada …

  8. Caro Albuquerque e Sá de Miranda,

    Permita-me: juntemos à sua sugestão as flatulências verbais de IGNATZ, o IGNORANTEZES mor do espaço.

    Até sempre

  9. Óbe Nuno, ixplica, habia muitos sócrates na miséria, hum? Óbe, num habia santos silba na altura, num é? Ta beie. Tá certo. bua noute.

  10. Na ditadura, nas prisões não se morria com droga para cavalos.

    Havia menos presos no facho do que nesta abrilada.

    Havia era melhor selecção de prisioneiros.

    Agora são mais presos, mas de qualidade inferior.

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