Apesar de saber que a lei não permite o adiamento das eleições, em todo o país, Ventura continua a insistir que deviam realizar-se na semana seguinte. Em que se terá baseado para fazer esta proposta? Obteve alguma garantia dos responsáveis do IPMA, ou da Protecção Civil, de que as condições meteorológicas vão melhorar nos próximos dias? Impossível. As previsões indicam mais adversidade. Ou seja, apesar de ser o líder do segundo maior partido, comporta-se como qualquer outro taralhouco, nas redes sociais, adivinha. Fundamentar as decisões que toma é coisa que não lhe assiste.
Vai terminar a campanha em Alcácer do Sal. Será que vai garantir àquelas populações que no dia 15 o território já se encontrará sequinho? Claro que não. Mas acusar os imigrantes e os ciganos de, em conluio com os socialistas, terem raptado o anticiclone dos Açores, e de serem os responsáveis por tudo o que estamos a viver, não me espantaria rigorosamente nada.
Se por mares nunca antes navegados, e cabeças nunca antes tão cheias de merda, o SMUGLE CHEGANO fosse hoje PM, a sua cambada eleitora iria perceber, na desgraça e da pior maneira –digo eu, que acredito ainda que é possível conseguirem orientar-se mesmo no nevoeiro — que tinham votado num oportunista invertebrado badalhoco, o qual teria usado a sua esperteza saloia, para chegar ao pote, dizendo mal dele.
Haja fé que tal nunca se verifique, para bem de muitos, e prejuízo de alguns gárgulas, poucos, e de outros,
.. tipo cães de chapeleira, como lhes chamou o Simões –um pouco mais .
O Ventura, o novo discípulo de Salazar, apenas quer continuar a chafurdar na lama. É isso que lhe trás votos. Só cresce no caus e com a desordem pública. Não inumera uma única medida que possa ser eficaz. Apenas aponta aquilo que está mal. Como o tempo está incerto, e o mais certo é piorar, ele quer o adiamento para poder apontar mais desgraças.
O povo que abra os olhos que ainda vai a tempo…
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Ventura tudo faz e tudo fará que pareça contradizer o establishment, na esperança de captar votos de protesto, incluindo o que vai contro o mais elementar bom senso, incluindo fazer figura de urso ou de palhaço. Já dizia B. Johnson: all publicity is good publicity. E o pior é que as críticas que lhe são feitas apenas reforçam as suas chances de captar ainda mais votos de protesto.
É preciso compreender que o que caracteriza as eleições, hoje em dia, é que os vencedores não as ganham por causa dos votos dos eleitores que os apoiam, mas antes por causa dos eleitores que não votam nos seus adversários. Isto é que é preocupante e isto é que é preciso modificar. Mas não é fácil, porque implica modificar os modos de exercício da democracia. Não é fácil, mas é importante, e urgente.
Boas
@ Joao Viegas
“É preciso compreender que o que caracteriza as eleições, hoje em dia, é que os vencedores não as ganham por causa dos votos dos eleitores que os apoiam, mas antes por causa dos eleitores que não votam nos seus adversários. Isto é que é preocupante e isto é que é preciso modificar.”
Isso e compreendido ha muuuuito tempo. E, alias, o pilar basico sobre o qual quase todos modernos estrategas politicos desde pelo menos os anos 60 na chamada “alternancia democratica” em paises classificados como “democracias maduras” baseiam quase todas as campanhas eleitorais.
No sistema eleitoral realmente existente e muito mais facil desmotivar um eleitor adversario de ir votar no partido em que, a partida, votaria, do que fazer-lo mudar de ideias. As eleicoes sao decididas basicamente pela capacidade de mobilizar da base eleitoral propria e desmobilizar a alheia.
Este sistema incentiva as campanhas negativas, negras, a calunia e a difamacao. Este sistema incentiva percentagens crescentes de abstencao porque os eleitores perdem qualquer nocao de lealdade politica ou desligam-se do processo politico.
Ora isto nao e defeito, e feitio do sistema. Tanto assim e, que, apesar de milhares de mensagens pias e vazias a apelar ao sentido civico dos cidados, a lamentar a crescente apatia politica e o estado geral das campanhas eleitorais, ha decadas que todos os partidos politicos do extremo centro convivem contentinhos com este estado de coisas.
O verdadeiro problema, o verdadeiro defeito no sistema e que partidos os partidos fascistas estao agora a crescer porque estao a recrutar bases de apoio eleitorais extremamente leais no exercito de reserva que constituia esta multidao de abstencionistas criados pelo extremo centro. O problema, o defeito, curiosamente e que estes eleitores se revelam agora algo imunes as campanhas negativas contra estes partidos emergentes.
O defeito, o problema para o sistema eleitoral realmente existente e, ironicamente, a crescente mobilizacao e motivacao destas populacoes para re-entrarem no processo democratico – a decrescente apatia politica portanto.
Portanto, Joao Viegas, nao so pareces chegar muito tarde a esta festa como pareces ainda alimentar ilusoes sobre a natureza da festa a que chegaste.
@ Joao Viegas,
So para nao ir mais longe que o nosso Portugalzinho na periferia do Imperio, que, como habitual, nada mais que espelhar com 10 anos de atraso as modas do centro do imperio. Consulta os numeros absolutos de votos do nosso CNE de 2020 a esta parte. Rapidamente constatas que o crescimento do CHEGA tem sido essencialmente feito a custa de um recuo significativo da abstencao.
*2010 a esta parte
joão viegas , está a dizer que eu devo votar a favor do sistema e não do que penso ? eu sou um instrumento? era só o que faltava que não pudesse expressar no meu voto a minha vontade.
Não, yo.
Estou a dizer que reduzir o voto a um “protesto”, seja ele contra o sistema, ou contra os que querem destruir o sistema, é preocupante porque esvazia o voto da sua componente construtiva, e da sua correlativa responsabilidade. De resto, não me considero imune à critica. Não me lembro de ter votado com entusiasmo (ou então foi ha muuuuito tempo), nem duma votação onde não compreendia perfeitamente, e até simpatizava, com aqueles que não iam votar, ou que iam votar em branco, que são de facto o cerne da questão.
E’ necessario voltar a dar ao voto a sua componente de escolha politica entre opções politicas. As pessoas hoje, na sua esmagadora maioria, não aderem às propostas dos candidatos em quem votam, a não ser na medida em que esses candidatos rejeitam as propostas dos seus adversarios. Isto é verdade nos chamados partidos “extremistas” tal como em relação aos partidos ditos de “governo”. A eleição não pode, ou pelo menos não devia, reduzir-se a um referendo sobre “queres mais sopa?”. Penso eu de que.
Boas
Certo, percebi mal. Concordo
joão viegas,
“E o pior é que as críticas que lhe são feitas apenas reforçam as suas chances de captar ainda mais votos de protesto.”
Não sei se percebi, Queres dizer com isto que não deve ser criticado para não captar ainda mais votos? O problema é ser tão pouco criticado. É deixá-lo dizer e fazer o que lhe apetece, usar métodos que seriam a morte política de outros líderes partidários, e ainda lhe elogiarem a inteligência e eficácia. Creio que tem vigorado, entre os seus eleitores, o “quem cala, consente”, se não o criticam é porque tem razão, é o maior.
“sigh”, não vi que o post era da Guida, ou não teria comentado…
Não, nada disso, quando digo “E o pior é que as críticas que lhe são feitas apenas reforçam as suas chances de captar ainda mais votos de protesto” apenas quero dizer o que está escrito na frase. Ou seja, que, infelizmente, (o que eu lamento), as críticas dirigidas ao Chega, por muito pertinentes e por muito razoáveis que sejam, o que se aplica também às que eu possa fazer, e faço regularmente, galvanizam os sentimentos dos que votam no Chega para protestar contra “o sistema”, na medida em que lhes soam como uma confirmação de que o Ventura é hostilizado pelo “establishment” e por todos aqueles que o apoiam, por entusiasmo, por interesse ou cumplicidade. Não sou o único a dizer isso.
O Lowlander já aqui se mostrou irritado por eu estar a explicar uma coisa que ele, e muitos outros, perceberam há vário anos, e eu não quero estar a abusar da paciência de ninguém, mas perante algumas interrogações que aqui vejo, não me parece despiciendo precisar o que quis dizer com o meu comentário: é bom criticar o Chega, mas é necessário não esquecer que ele apenas cresce por causa do dito voto de “protesto”, voto inevitável em qualquer eleição. O que digo é que o voto de protesto nunca consegue vencer quando existem alternativas nas quais as pessoas acreditam, ou que elas prezam. Os votos néocon, de tipo Ventura, não teriam expressão significativa não se desse a falta de comparência das outras forcas políticas, que sobrevivem duma proposta de sopa morna em que ninguém se reconhece. E não há razão para tal. Existem inúmeros desafios, ou problemas de interesse comum, de real importância, nos quais existem opções políticas opostas, que deveriam suscitar propostas eleitorais construídas que levem o povo a fazer verdadeiras escolhas quando vota: a Europa fiscal e social, as questões ambientais, a disfunção dos sistemas educativos, a repartição dos custos das prestações sociais, a função realmente redistributivas dessas mesmas prestações, as desigualdades territoriais (em Portugal e na Europa, pois a nossa realidade económica é europeia, quer queiram, quer não queiram), a promoção de uma agricultura sustentável num mundo aberto ao comércio (sem que isto signifique que o comércio não possa nem deva ser regulado), etc., etc.
Mais do que bater no óbvio, dizendo, como penso, e como penso que se deve poder dizer, que o Ventura é um reles populista sem nível duma pobreza confrangedora, deveríamos preocuparmo-nos com a ausência de verdadeiro debate sobre as questões acima enumeradas, e outras igualmente importantes. E também considerar que, se o Ventura cresce em Portugal, não é forçosamente porque haja mais estúpidos, ou mais pessoas a votar estupidamente, mas sobretudo porque está cada vez mais difícil votar nos apertos que Seguram (como eu fiz hoje de manhã).
Está mais claro assim?
Boas
Addenda: Eu bem sei que estamos numa eleição presidencial, na qual não se decide principalmente sobre programas de governo. O meu comentário dirige-se à inquietação com o possível crescimento de Ventura, que está, quanto a ele, claramente a pensar noas próximas legislativas…
Boas
joão viegas,
“”sigh”, não vi que o post era da Guida, ou não teria comentado…”
Se soubesse deste terrível equívoco jamais te teria incomodado. Mil desculpas!