Suspenda-se a oposição

Durante a última campanha eleitoral, Ferreira Leite, uma senhora que nunca mente, e que já nos tinha revelado o desejo de suspender a democracia, confessou-nos uma grande preocupação: não ficava nada descansada com Sócrates sentado na bancada da oposição. Pelo que vimos nos últimos dias, não era a única com essa preocupação, mas o problema da direita não é só com Sócrates. No fundo, é toda a oposição que os atrapalha. Este Governo, aparentemente, não reconhece legitimidade a ninguém para o criticar. Com o BE e com o PCP não têm de se preocupar. Logo agora que terminou a asfixia democrática, imposta pelo maléfico Sócrates, estes partidos quase desapareceram da nossa vista. A mesma comunicação social que todos os dias concedia tempo de antena aos seus líderes, neste momento, praticamente, só lhes dá voz em dias de greve ou manifestação. Quanto ao PS, é constantemente lembrado do seu passado e acusado de ser o único partido responsável pela situação em que o País se encontra. Quer seja no Parlamento, em debates televisivos, entrevistas, blogues, seja onde for, se alguém critica o actual Governo, à falta de outro argumento, é imediatamente lembrado do passado dos governos socialistas, sobretudo dos governos de Sócrates. Ora, Sócrates governou durante seis anos (não foram sessenta), antes tínhamos tido um Governo PSD/CDS que durou três longos anos (não foram três dias). Este Governo, liderado por Barroso, Portas e Santana, foi uma autêntica anedota de mau gosto. É este o passado recente dos partidos desta gente competentíssima que agora nos governa. E a anedota continuou quando passaram para a oposição, mas não foi por isso que deixaram de ser respeitados enquanto oposição durante os governos socialistas que se seguiram. Ninguém lhes esfregou na cara a toda a hora o triste passado.
Embora não me pareça que esteja para breve, até podem sair dos partidos da direita excelentes governantes, mas têm de o provar, não podem invocar a competência de governações passadas. Portanto, deixem lá o passado dos outros em paz.

12 thoughts on “Suspenda-se a oposição”

  1. “Portanto, deixem lá o passado dos outros em paz.”

    isso é mau negócio e dar bpns a porcos. o passado assume-se com o que tem de bom e de mau, o que é muito diferente de aceitar estórias escritas por manipuladores e aldrabões.

  2. Concordo com o anonimo. Desligando o passado não se avança para lado algum.

    Com esta direita dominadora da comunicação social é preciso ser completamente impiedoso. Infelizmente, temos uma oposição de merda. A principal força de oposição, o PS actual, dá-me ideia que tem medo e vergonha do passado recente. Seguro, Zorrinho e companhia querem paz e caldos de galinha. Assim não se faz oposição nenhuma, além de se trair quem durante seis anos deu o seu melhor ao país. Pois que se vão embora e dêem o lugar a quem sabe fazer oposição, como o Galamba, que devia ser o líder parlamentar.

  3. Claro que a ideia não é esquecer o passado. Até relembro aqui o passado recente da direita no poder, que os próprios fingem já ter esquecido. O que gostava era que não invocassem o passado da governação socialista, como argumento para tudo e mais alguma coisa, tentando calar dessa forma todos os que ousam criticar o actual Governo. Só isso.

  4. não vejo qual o motivo para não evocar o passado da governação socialista desde que o façam honestamente. o que acontece é abusarem da aldrabice para justificar a incompetência e manipularem factos para retomar agora as decisões que contestaram no passado. o problema é que isto dá trabalho, requer muita paciência e alembradura, daí que o caminho mais fácil é como tu dizes, bora lá esquecer isso é o que os gajos querem para moeda de troca na venda de mentiras & vigarices públicas.

  5. Percebe-se que clamem por “Portanto, deixem lá o passado dos outros em paz”

    Mas não têm essa sorte, gabirús, a amnésia cobrade selectiva ainda não se tornou epidémica. Isso queriam vocês:

    Dá para ver como o Sócrates geriu a nossa economia nos 6 anos do seu desgoverno:

    1º – Crescimento do PIB:

    0,3 % em 2005: 1,3 % em 2006; 1,9% em 2007; 0 % em 2008; -2.8% em 2009; 1,4% em 2010.

    Esses números apresentam um sobe e desce permanente do PIB, sem qualquer consistência no que toca ao crescimento do país. Nesse período, o nosso crescimento foi praticamente nulo.

    2º – Crescimento da dívida externa (em bilions de dólares):

    A dívida era de $ 298.7 em 2005 e em 30 Junho de 2011 chegou a $548.3.

    Como podemos ver: não crescemos, nos endividamos, e falimos… Eis o tipo de gerência que o Sócrates executou em Portugal durante o seu consulado… O pior é que ele ainda se julga no direito de cagar sentenças e, aqui, os patetas alegres da vigarice piegas, de pedir que nós nos esqueçamos da tempestade de merda com que nos afogaram.

    Não vão ter essa sorte, cafagestes

  6. Rui Verde, ex-vice-reitor da Universidade Independente, revela as irregularidades na licenciatura do antigo primeiro-ministro, estranha que o caso tenha sido arquivado e diz que o assunto deveria ser analisado em tribunal.

    Por que razão só agora decidiu revelar os originais do curso de José Sócrates?
    Rui Verde – As condições políticas alteraram-se. Desde 2007, fui falando com algumas editoras, mas não passou disso. Acho que na altura ninguém se atreveu a dar um ‘forward’ ao livro.
    – O ex-primeiro-ministro foi ou não beneficiado pela Universidade Independente (UnI)?
    – Essas respostas devem ser dadas noutra sede. O meu objectivo é colocar o assunto em discussão com factos.
    – Porque levou consigo o processo de Sócrates?
    – Porque era um documento com uma série de irregularidades administrativas. Basta olhar para os papéis e ver que as coisas estão mal feitas.
    – Já tinha falado sobre isso com Luís Arouca? Obteve respostas?
    – Falei. Algumas obtive, mas não vou revelar porque sei que não vai confirmar.
    – Sócrates era um aluno especial?
    – Quando entrou, não era assim tão especial. Era um deputado do PS que se dedicava às questões do Ambiente. Depois foi para secretário de Estado…
    – A licenciatura ajudou?
    – Imagino que sim. Portugal é um país em que se dá muito peso à licenciatura.
    – E Sócrates deve ser tratado por Sr. Engenheiro ou Sr. Bacharel?
    – Por engenheiro não se pode tratar, porque ele não está inscrito na Ordem dos Engenheiros.
    – Há registo das aulas?
    – Não conheço. Mas, tendo em conta o processo que está no DCIAP, parece que há.
    – Pertencendo ele a turmas, como é que se explica que o nome apareça isolado nas pautas?
    – É uma das questões que não é muito clara. Porque é que aparece só o dele? Estranho…
    – E também não há registo de uma tese final.
    – Pois não. Se houvesse, tinha ficado registado na biblioteca. A minha experiência diz-me que quanto mais cavo, mais descubro. Há um mistério por desvendar, isso há.
    – E há registo de propinas?
    – Na matrícula diz ‘isento’. Porquê não sei. Não estou a ver a razão.
    – Em que altura se apercebeu de tudo isso?
    – Quando o secretariado de Sócrates começa a pedir certificados de equivalências para entregar na Câmara da Covilhã. Começo a perceber que há qualquer coisa estranha quando, em 2007, estala a guerra e vejo o Governo completamente parado. Pensei: ‘Há aqui gato escondido com o rabo de fora.’ Nessa altura, falei do processo ao professor Luís Arouca. Se ele sanou as irregularidades ou não, veremos. Tem de haver mais documentos de suporte, se não desapareceram.
    – A sua detenção foi mais do que uma coincidência?
    – Acho que sim.
    – Porque é que acha que Sócrates é testemunha abonatória de Luís Arouca? Dão-se assim tão bem?
    – Agora não se devem dar tão bem, porque Sócrates fechou–lhe a universidade e eu acho que Luís Arouca tinha esperança de que ele não o fizesse.
    – Ao ler o seu livro, fica a ideia de que a UnI era procurada por gente que precisava urgentemente de conseguir um ‘canudo’. Armando Vara, por exemplo, conseguiu um diploma três dias antes de entrar para a CGD. É coincidência?
    – Analisei com cuidado o processo de Armando Vara e não encontrei irregularidades. Quanto à data do curso, de facto temos aqui mais uma coincidência.
    – A UnI recorreu à CGD, através de Vara. A ajuda foi recusada. Sócrates interferiu?
    – Há quem diga que os problemas da UnI coincidem com a chegada de Sócrates a primeiro-ministro.
    – Hermínio Loureiro foi lá para conseguir um ‘canudo’ para se candidatar à Liga?
    – Fez exames orais.
    – Era uma universidade com grande propensão a gente política…
    – Não era a única. A maior parte da geração actual da política veio de universidades privadas. E mais não digo.
    – Era costume os alunos enviarem cartõezinhos ao reitor?
    – Claro que não. Embora o reitor fosse uma pessoa aberta, as coisas não funcionavam com cartõezinhos.
    – Por que razão a maioria das cadeiras foi dada pelo mesmo professor, amigo de Sócrates?
    – Não faço a mínima ideia. Agora não sei se são amigos.
    – Era bom para a UnI ter José Sócrates como aluno?
    – É possível.
    – Também achou que era positivo?
    – Não sabia se as irregularidades correspondiam a irregularidades substantivas. Agora estou convencido de que sim. É tudo bizarro, mas estas coisas já passaram pelos olhos da doutora Cândida Almeida, que achou tudo normal.
    …………….

    http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/actualidade/rui-verde-socrates-nao-pode-ser-tratado-por-engenheiro-com-video

  7. Fiquei verde. “E mais não digo”. Eu só digo isto: o Portugal dos canudos no seu melhor. Não tarda nada retiram o premio Nobel a Saramago porque os Suecos descobrem que não tem canudo. E Camões que se cuide, pois não consta que tivesse sido mais que um mero escudeiro alfabetizado e piga-amor pela sua “ama”. Já não falo do analfabeto Afonso Henriques.

    Guida, sobre lembrar ou não o passado socialista, neste caso o anterior governo PS com Sócrates, não compreendo como os actuais dirigentes socialistas nâo se ufanam do trabalho ímpar, pelas apostas certeiras e fundamentais na educação, na saúde, na ciência, na inovação tecnológica, na reforma da segurança social, nas exportações e na diversificaçâo dos nossos mercados.
    O trabalho estava a ser reconhecido por todos, sem excepção, e os lideres do PSD caiam, impotentes, um após outro. Até Cavaco PR afirmou para quem quis ouvir -mas já todos esqueceram- “que estávamos no bom caminho”.
    Depois veio a crise que nos arrastou para o precipicio, uma crise que os abutres da politica convenceram os portugueses que era só nossa e culpa da governação, a tal que até então estava no bom caminho…Foi um fartar vilanagem, foi a vinganças dos eunucos e anões politicos dentro do PS e de toda a oposição, passando este movimento grotesco a ser encabeçado por um Cavaco Presidente rancoroso e medíocre.
    Para vergonha dos socialistas, não minha, que não visto a camisola, Seguro tenta fazer esquecer o mais brilhante desempenho do PS em mais de trinta anos de democracia.
    Bonito, pá!

  8. Cara Guida admiro o seu estilo de humor.
    A frase “Ferreira Leite, uma senhora que nunca mente” garantiu a primeira gargalhada e levou-me às lágrimas. A senhora que recusou a inclusão de Passos Copelho nas listas de Vila Real e que mais tarde recusou entrar nas listas de deputados quando convidada por Passos Coelho, mas que foi dar uma perninha na campanha para a sua eleição, não estaria a mentir quando dizia que o apoiava? A senhora que dizia conhecer o negócio da PT/TVI apenas pelos jornais, a senhora que acusava o Sócrates de mentir mas não justificava porquê, pois dizia que o tinha descoberto através do raciocínio, a senhora que só não sentia asfixia democrática na Madeira, a senhora que ofereceu mais de 15 mil milhões de euros ao Citigroup para tapar os buracos do seu orçamento…
    Talvez já ninguém se recorde do crescimento do PIB em 1,1% em 92, -2.0% em 93, 1,0% em 94, quando nos chegava diariamente dinheiro fresco da Europa e não havia crise, da crise do petróleo dos anos 80, dos crrescimentos de 0,7% em 2002, -0,7 % em 2003 ou do estado em que estava o país aquando da saída de Santana Lopes, com um défice estimado de 6,8 %. Também alguns se esqueceram que o déficem em 2007 era de 2,6% e com o estalar da crise que tanto negavam e agora todos falam subiu para 2,8 em 2008 e depois então é que disparou, aliás de acordo com as políticas que chegavam da UE para controlar os danos e que se verificaram desastrosas.
    O passado de que alguns gostam de falar é apenas o passado que lhes interessa.
    Não foi o atual primeiro ministro que afirmou no início da sua governação que não se iriam referir nunca (jamé) ao passado para se defenderem?!
    É o que se tem visto.

  9. Para deixar o passado em paz só se for aquele jeitoso do Paulo Rangel que trocou o falar com as mãozinhas como fazia enquanto cá esteve por passar a falar de biquinho, cheio de estilo e com o beicinho ao lado. Vê-se que o moço adere à mudança.

    Afinal o rapaz vai chegar a mandar na UE, ou não?

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