Sem Sócrates seria tudo um mar de rosas

O Governo ficou muito satisfeito com as alterações ao OE que foram apresentadas e aprovadas ontem. Segundo os próprios, prova que esta maioria tem o dom do diálogo, que sabe ouvir e decidir. Mas em lado nenhum se falou de terem chegado a um entendimento ou a acordo com o maior partido da oposição. Nem sabemos se o recuo do Governo resultou efectivamente de negociações com o PS, já que Passos e Seguro passaram os últimos dias a contradizerem-se em relação à existência das mesmas. E é isso mesmo que não se percebe. Então, PSD e CDS, não diziam que bastava Sócrates ser corrido para que o tão desejado entendimento entre os maiores partidos ocorresse sem quaisquer problemas? Passos e Portas, de forma inqualificável, chegaram mesmo ao ponto de pedir a sua saída da liderança do partido. Mas, afinal, com Sócrates, o arrogante com quem era impossível dialogar, fora de cena, o que o PS recebe em troca é desprezo. É assim que a maioria tem recebido as propostas apresentadas pelo maior partido da oposição, o tal com quem o acordo era imprescindível, no dizer de tantos. E nem o facto de o PS ter optado pela abstenção na votação do Orçamento contribuiu para ter direito a um tratamento diferente nos debates que se seguiram.

Não espanta que PSD e CDS quisessem afastar Sócrates, espanta é a ingenuidade dos que acreditaram que sem ele a atitude dos dirigentes daqueles partidos seria diferente. É que para que haja debate e discussão de ideias entre partidos, em primeiro lugar, é preciso tê-las.

6 thoughts on “Sem Sócrates seria tudo um mar de rosas”

  1. O Sócrates tinha de ser corrido porque foi um mau governante, independentemente das tricas partidárias que vão sempre existir. Quem está na oposição está do contra mesmo que tivesse as mesmas politicas, independentemente de quem é governo ou posição. Mas uma coisa é certa seria mais fácil o consenso partidário se Sócrates tivesse levado o buraco que fez no país atrás dele, nesse caso seria mais fácil não eram precisos tantos sacrifícios.

  2. Um buraco bem grande existe na tua “análise” ridicula, José, acerca da governação de Sócrates. Fazes-te de ceguinho. Se te dá gozo, continua, rapaz.
    A Guida foi certeira. Faltou referir todos aqueles que no PS, a começar pelo Soares, se convenceram que a saída de Sócrates era a melhor solução para o país. Agora temos estes estarolas a empurrar o país sabe-se lá para onde. Cavaco pensa que pode impedir o espalhanço que provocou. Não pode. E vai ser complicado.
    Triste fado. Elites medíocres. Governantes corruptos. Justiça corrompida até ao Supremo!!! Já sabem da última com o quadro de Vieira da Silva, não é?
    Foda-se, pá!

  3. Cara guida,
    o que era preciso era arrumar o Sócrates, não porque fosse mau, ou porque fosse incompetente ou mesmo teimoso, o que não permitia é que fizessem dele gato sapato e só a muito custo engolia sapos.
    O Sócrates, foi aliás um político peculiar. Foi difamado, ostracizado, insultado, atraiçoado, enganado, perseguido, espiolhado, tudo em nome da democracia e da pureza dos costumes.
    Os que o fizeram, são um anjinhos honestos e puros que nunca disseram uma mentira, que nunca cometeram uma infração, que nunca disseram um palavrão, nunca copiaram num exame, nunca meteram uma cunha, nunca paparam um almoço à pala, nunca se abarbataram com mordomias do estado, enfim, gente de invulgar personalidade com uma sensatez patriarcal e que só não são santos porque têm os pés muito grandes e as mãos ainda maiores.
    As soluções que tinham nos bolsos, os discursos a favor dos pobrezinhos, das pequenas, médio e micro empresas, dos professores, dos agricultores, das pessoas que ficavam sem centros de saúde, dos sobrecarregados por taxas e impostos… Os cortes nas célebres gorduras do estado que eram a panceia anunciada em meia dúzia de dias foram parar ao caixote do lixo abatidos por uma gravíssima crise internacional que surgiu num dia de Primavera em 2011.
    Mesmo tendo partido para a estranja, embora não sendo jovem e por isso não tendo seguido o conselho que atualmente é dado aos ditos por um senhor secretário de estado, ainda incomoda e estorva a corja que respirou de alívio ao vê-lo pelas costas.
    Sócrates não é perfeito, nem se calhar nunca o quis ser, não sei se o seu inglês técnico é melho que o francês suave do Mário Soares, do espanhol do Cavaco, ou do lá-lá-lá-lá-lá-lá mdo Coelho, muito longe disso, cometeu erros como muitos cometeram antes e muitos mais serão cometidos pelos que se lhe seguirem. Teve más companhias, mas quem estiver livre delas, em política, que atire a primeira pedra. Foi obstinado na defesa daquilo que entendia serem as necessidades do País, apoiou o desenvolvimento da ciência e tecnologia como até agora poucos tinham feito, lutou pelo aumento das exportações de qualidade, quis dotar o país de infraestruturas modernas e competitivas, tentou derrubar os fortes muros dos caciquismos locais e setoriais, não teve medo em se atirar como gato a bofe a certas castas que só estavam habituadas aos salamaleques e aos beija-mão de circunstância.
    Poderão dizer que errou, que poderia ter feito melhor, que poderia ter sido mais derrotista, que se poderia ter acomodado e deixar andar, não o fez, mas também não nos esqueçamos de que é apenas um homem e não um Deus infalível e perfeito como foram aqueles que nos tinham governado até ele ter chegado e os que o substituíram na sua saída.
    Para já estamos a pagar (e bem) só para estar a jogo, ninguém sabe que jogo é, nem quais são as cartas mais valiosas porque os donos da banca só de pois de o ganhar é que nos informam.

  4. Prezada “guida”,

    penso que por esta altura em que te escrevo já estarás informada de que não foi apenas o Governo que ficou muito satisfeito com as migalhinhas que, afinal, sobraram para alguns pobrezinhos, mesmo ao caír do pano da discussão do OE2012: o Tó-Zé Seguro também se mostrou muito contentinho da silva!

    Mas deixa lá, agora o que me preocupa mesmo não é a corja que se alçou ao pote do orçamento nacional, nem sequer os abutres que abifaram o “potinho” do PS: são em verdade todos aqueles que, por omissão ou demissão, foram coniventes com os que, ativamente, colaboraram e se uniram para golpear Sócrates e o seu Governo ao longo de três anos extremamente difíceis.

    Sabes de quem falo, não sabes? Não há palavras que descrevam o desprezo político que sinto por vozes como as de M. Maria Carrilho, Manuel Alegre, Henrique Neto e outros cujo silêncio, motivado apenas pela mais mesquinha inveja, ainda ressoa na escuridão atual, como Ant.º Vitorino, José Lamego, o próprio Ant.º Costa, sim, e muitos outros de menor craveira intelectual e política, que marcaram estrondosa ausência no processo canalha que nos conduziu ao estado presente do País, entregando a defesa do melhor Executivo socialista (pelo menos) de sempre aos seus próprios Ministros, a começar por José Sócrates, coadjuvado apenas por individualidades do Governo, como Francisco Assis, Pedro Silva Pereira, Vieira da Silva, Augusto Santos Silva e poucos mais, quando o megafone mediático trovejava diáriamente impropérios e falsidades, que exigiam do aparelho político socialista – e da própria “intelligentsia” nacional! – uma mobilização e uma unidade comparáveis às do Verão Quente de 75, tal a gravidade da situação que vivemos e, pelos vistos, viveremos até sabe-se lá quando (e que aconteça sabe-se lá o quê…)!

    O resultado dessa clamorosa e imperdoável omissão está à vista. E o PS prepara-se para bater o seu recorde histórico da inutilidade e da irrelevância eleitoral, com um resultado que poderá ser inferior a 20% dos votos!

    Quem está à coca, esperando pelo desastre para surgir como potencial salvador, talvez venha a descobrir, tarde demais, que já não resta nada a salvar…

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