Seguro promete instabilidade política

Seguro, que jamais cometeria os erros que Sócrates cometeu, que teria, se fosse ele o primeiro-ministro na altura, impedido os efeitos da maior crise internacional das últimas décadas de atravessarem a fronteira, travando assim a vinda da Troika e a subida da direita ao poder, garantiu ontem que se demitiria se um hipotético Governo por si liderado se visse obrigado a subir impostos. Muito bonito, Seguro não quer o poder pelo poder e está muito preocupado com os sacrifícios que têm sido impostos ao povo. Mas não percebi como é que essa hipotética demissão salvaria o povo de uma subida de impostos e de ainda mais sacrifícios. Se Seguro tivesse mesmo de cumprir a promessa e demitir-se do cargo de primeiro-ministro, tal seria a prova de que a situação económica do País não se encontraria nada famosa. E Seguro garante-nos que num cenário desses seria melhor juntar à crise económica uma grave crise política. Já para não dizer que muito provavelmente voltaríamos a ter a direita no poder, com tudo aquilo a que nos têm habituado, incluindo subidas de impostos. Para quem passa a vida a apontar os erros dos outros, prometer uma coisa destas, enquanto candidato a candidato a primeiro-ministro, não está nada mal. Não está mal se a ideia for dar ainda mais munições à direita para atacar o PS, o que, diga-se, parece ser a grande e única especialidade de Seguro.

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