Se calhar, a roupa cresce nas prateleiras das lojas

A decisão da Universidade de Coimbra de proibir a carne de vaca nas suas cantinas entusiasmou e de que maneira o líder do PAN. Política com coragem foi como classificou a medida. Vi todos os debates televisivos em que participou o André Silva e, de facto, deu para perceber que “proibir” é um verbo com muita saída no seu partido, mais ainda se o assunto for o da produção de comida, tanto de origem vegetal como animal. Deve ser por isso que se esquece que entre proibir e produzir de forma sustentável há, por exemplo, o investimento em ciência e tecnologia. Algo que não o vi sugerir de forma enfática nos debates. Não deve querer ser confundido com o Sócrates, esse é que tinha a mania de investir nessa área. Mas faz mal, é graças à parceria entre agricultores e universidades que, por exemplo, a Holanda, apesar da área disponível e do clima, se tornou um dos maiores produtores mundiais de hortícolas. E já que está preocupado, e bem, com a alimentação nas escolas porque não propõe a plantação de árvores de fruto nos seus recintos? É verdade que não é uma proibição, mas seria uma excelente alternativa às guloseimas oferecidas nos bares. Teria um lado pedagógico, muitas crianças e jovens não distinguem uma nespereira de um pessegueiro. Contribuiria para a descarbonização da atmosfera, diz que essa é uma das especialidades das árvores, apesar de também não ouvir o PAN apelar à sua multiplicação. E ainda seria benéfico para as abelhas, outra preocupação deste partido, que lamentavelmente ainda não reparou na dificuldade que elas têm em encontrar alimento nas cidades já que não se alimentam de relva.

Mas o que estranho mesmo é que alguém tão preocupado com a pegada ecológica do sector alimentar, aparentemente, nada tenha a dizer acerca de um outro, o da indústria têxtil, que envolve igualmente produção agrícola e ainda uma indústria altamente poluente ligada às tintas usadas, para não falar das fibras de plástico e, em muitos casos, da mão-de-obra escrava para a produzir.

Não tem nada a dizer acerca do consumo excessivo de roupa de usar e deitar fora importada de países longínquos? Vive bem com esta pegada? Deve viver. Falta de “Política com coragem” é que não é com toda a certeza.

13 thoughts on “Se calhar, a roupa cresce nas prateleiras das lojas”

  1. Um Governo PS sem maioria absoluta, dependente do PAN para governar, será uma catástrofe política e social sem precedentes, com consequências desastrosas para a saúde pública, física e mental, de uma grande parte da população e com grande probabilidade de contribuir para agravamento dos problemas ambientais. Neourbanitas ociosos, tatuados e de brinco na orelha, new age cínico e hipócrita, viajando à volta ao mundo para gravar vídeos de mãos na cabeça pela salvação do planeta, tomarão conta de São Bento. Aqui está a consequência da expulsão de Sócrates da vida política e da desocupação do espaço que ele representou. Nunca aceitaria envolver-se com gente desta.

  2. … se calhar nasce nas fontes de vagos e sever do vouga ou as vacas são vegans e não se peidam. alguém sabe qual é a diferença entre as pegadas ecológicas do leite e da carne consumidos em portugal?

  3. valupi,desculpe sair do registo do tema.li que a ordem dos enfermeiros pagou milhares de euros para ter uma enfermeira numa telenovela ,que a segundo a bastonária o objectivo é dignificar a função.

  4. valupi,desculpe sair do registo do tema.li que a ordem dos enfermeiros pagou milhares de euros para ter uma enfermeira numa telenovela ,que a segundo a bastonária o objectivo é dignificar a função. valupi, por acaso não disse nada pois li agora noticia!

  5. O leite? O leite contém as calorias com uma das menores pegadas ecológicas entre os ingredientes que constituem a alimentação humana. E onde se produz leite não há grandes incêndios. O PAN ajudou a revelar o nível de ignorancia de uma parcela da sociedade.

  6. ò deluxe! atão as vacas leiteiras não comem-cagam-ò-peidam, só dão leite e previnem incêndios. as dos bifes poluem e são incêndiarias.

  7. Não foi o ministro (Ambiente) deste governo (PS) que veio aplaudir a medida de reduzir a despesa na universidade de Coimbra, por causa do corte nas propinas? E o chanfrado do pan é que tem culpa?

  8. Não andaram estes anos todos a criar alarmismo junto aos jovens sem nenhum motivo e endoutrinar-los na nova religião do fim do mundo? Agora aguentem com horda de zombies suburbanos.

    Ainda vão ter saudades dos católicos. Agora temos a Santa Greta.

  9. A nova religião do alarmismo climático está pujante. O novo deus é a natureza e os seus profetas variam desde o AlGore até à nova sacerdotisa Al Greta. Arrumado o Deus antigo na prateleira temos os novos deuses da natureza de volta. O seu dogma ” o planeta vai acabar em breve se não o impedirmos” é acreditado por milhões de jovens que ainda não sabem como se vão salvar a eles próprios mas querem salvar o mundo. O problema maior é que para salvar o mundo querem proibir tudo e mais alguma coisa. Quem não vai na cantiga é apelidado de ignorante, negacionista e malvado . E ao contrário da ICAR que apela ao perdão e à caridade, estes novos padres, não têm tolerância nem caridade para quem não pertence ao rebanho, perseguindo, ameaçando e qualquer diz dispostos a sacrificar os infiéis na fogueira pública ( alguns já defendem a eliminação física via aborto das populações do 3º mundo e eutanásia no 1º mundo como politica de controlo demografico, etc ).Quem diria que o nova inquisição moderna estava de volta. Admirável mundo novo.

  10. e muito mais lógico seria impedir a importação de comida e fomentar a produção e consumo do local. se se comer uma posta barrosã de vaca de pasto, durante 3 dias ou 4 fica-se cheio de carne : se se comer uma vaca de água, antibiótica e hormonal, de fábrica argentina precisamos de 5 kg de carne para obter o mesmo efeito, e gastando toneladas de combustível e alimentando cancros.

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