Qual é, afinal, o papel do vice-primeiro-ministro?

Esta semana está a correr lindamente à maioria. Primeiro foi a trapalhada do líder da bancada parlamentar do PSD a dizer uma coisa e a ministra das Finanças a vir de imediato desmenti-lo. Não foi bonito, mas hoje a trapalhada atingiu outro patamar. Resumindo, o primeiro-ministro aproveitou a visita a Moçambique para avisar que quem manda é ele e não o Ministério das Finanças e que tudo o resto é especulação. Para quem está sempre tão preocupado com a imagem do País que passa para o exterior, não estiveram nada mal. E revela bem o consenso que existe entre os membros do Governo. O Cavaco até devia dar estes episódios como exemplo do consenso que não se cansa de pedir à oposição.

Curiosamente, quem veio pôr água na fervura foi o ministro Marques Guedes, e digo ‘curiosamente’ porque existe no Governo um vice-primeiro-ministro, que sendo vice talvez devesse substituir o primeiro-ministro, quando este está ausente, e usar a sua magnífica inteligência e experiência política para evitar estes tristes espectáculos. E mais ainda porque o que motivou tudo isto foi um assunto que lhe é tão caro, as pensões, ou melhor, os cortes nas ditas. É estranho, ou talvez não, que quem tudo fez e faz e fará para proteger os pensionistas assista a tudo isto tão caladinho.

Seja como for, arrisca-se a que um destes dias o primeiro-ministro, para voltar a mostrar quem manda (as pessoas esquecem-se com frequência), o despromova de Vice para Ministro dos Vistos Gold. Assentava-lhe bem e seria muito mais condizente com a actuação que tem tido nos últimos tempos.

5 thoughts on “Qual é, afinal, o papel do vice-primeiro-ministro?”

  1. Tem um papel passivo. Também nesta história das pensões. Desdobra-se e multiplica-se nas coisas sub-aquáticas. Sabe nadar como um peixe,a contrapartida do seu langor nos outros assuntos.

  2. gahnnn…ia vomitando com o texto do grunho das cavernas…
    Muito bem respondido pelo embaixador ao Expresso. Ai , Expresso, Expresso, ao que chegaste. Tu e o Público eram em tempos idos as résteas de esperança. Claro que se houver resposta (duvido) será com a K7 da liberdade de expressão – atenção, é exclusiva dos jornalistas e comentadores , fora o Sócrates- que justifica todas as mentiras, violências e barbaridades. Contra nós.

  3. Se “a verdadeira eloquência consiste em dizer tudo aquilo que precisa de ser dito, e nada mais que isso” (François de la Rochefoucauld) então a produção verbal de Henrique Raposo é a verdadeira boçalidade. Pois o homem conseguiu dizer tudo aquilo que não precisava de ter dito, e nada mais do que isso.

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