Esperteza saloia

Imagine-se o que aconteceria se no Governo anterior viesse um secretário de Estado anunciar uma medida para de seguida ser categoricamente desmentido por um ministro. Foi o que aconteceu com o anúncio, e posterior negação, da revisão das tabelas salariais da função pública. Mas não é a primeira vez, a coisa parece estar a tornar-se um hábito neste Governo. Há dias foi o ministro da Economia a desdizer-se a ele próprio quando veio dizer que o encerramento do metro às 23h00, afinal, não fazia sentido. Se acontecessem semelhantes trapalhadas no Governo de Sócrates as acusações de desnorte, incompetência, etc. seriam imediatas. A oposição exigiria explicações e muito provavelmente não faltariam pedidos de demissão dos governantes. Já para não dizer que Sócrates seria acusado de manipular e de usar a comunicação social, coitadinha, para nos enganar. Agora parece normal o Governo dizer uma coisa num dia e desdizê-la com toda a calma no seguinte. Somos tratados pelo Governo e comunicação social como se tivéssemos todos cinco anos e ninguém reclama. Não admira que o Governo seja tão elogiado pelos senhores da Troika, que, aliás, parecem ter entrado também neste divertido jogo ao sugerirem os cortes nos vencimentos do sector privado para de seguida o Governo os desmentir. São uns génios estes nossos governantes.

8 thoughts on “Esperteza saloia”

  1. tatica para os lorpas paparem.A mim já me vieram dizer que afinal não eram tão maus como eu dizia porque afinal não ia haver atualização das tabelas salariais e esta é outra parece aquela anedota em que anunciam a uindividuo que lhe morreu a familia toda e como ele ficou muito aflito disseram-lhe está descansado que foi só o teu pai.

  2. E imagine que o Sócrates ia a Angola tentar vender um banco privado?
    e que o seu ministro dos negócios estrangeiros tinha ido à Venezuela e numa conferência de Imprensa tivesse desejado as melhoras a Hugo Chávez Frias?
    E que um qualquer coordenador de um qualquer grupo de trabalho tivesse afirmado, na rádio e depois por escrito, que o governo deveria manipular informação num canal da estação pública?
    É a viding…

  3. Na anormalidade deste governo, tudo passou a ser normal e por estranho que pareça, «ninguém reclama», porque quem tem o dever e a possibilidade de reclamar, foi quem lá o colocou.

  4. É de facto estranhissimo que todos aqueles que censuraram o governo anterior por certos comportamentos estejam agora completamente á vontade para aceitar e até achar normal os mesmos comportamentos por parte de um governo diferente.
    Falta de coerencia, much? É infelizmente um mal que nos assola de há uma década para cá.

  5. Vamos lá ver, isto foi assim: o Helderzinho não disse nada que realmente não vá acontecer, como aluno bem comportado, estudioso, sempre na fila da frente, marrão e mete-nojo, mas desprovido de qualquer sentido de oportunidade e inteligência emocional, antecipou-se na exposição da matéria que o professor tinha já posto no sumário, e pumba! Calhou que tudo se ouve, logo a comunicação social fez alarde da noticia, o padrinho Marcelo Rebelo de Sousa na homilia domingueira deu-lhe nas orelhas, logo Pedro Passos Coelho veio em socorro das tabelas, que não senhor nem em sonhos vão ser mexidas, dá ordem ao Gaspar para corroborar no desmentido e cerimonioso confirma o Professor, com toda a educação-irónica e rigor-tecnocrata que o sumário vai ser corrigido.
    Claro que na próxima aula o assunto vai ser novamente posto em sumário.
    Espertezas saloias!

  6. e hoje outra…
    e se um assessor passasse de jornalista-assessor-administrador em pouco mais de 5 meses?
    É a chamada subida vertical, não confundir com subidas em posições horizontais…

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