Disto não se pode culpar o vírus

Desde que tomou posse como presidente do PSD, do que Rui Rio mais se queixou foi da oposição interna, nomeadamente do grupo parlamentar que herdou. Ora, seria de esperar que as Legislativas de Outubro lhe tivessem resolvido o problema, mas tendo em conta o que se passou no último debate quinzenal, fica-se com a ideia de que talvez não haja no PSD militantes que sirvam para formar um grupo parlamentar que lhe agrade. Mas será que o que motivou o ralhete público, seguido do abandono do debate, é só culpa dos deputados? Rio, que é o líder da bancada parlamentar, estando o país a atravessar uma crise sem precedentes e em estado de emergência, achou que a prioridade para os seus eleitores, o que mais os está a inquietar, o que mais queriam ver debatido é se os debates parlamentares se devem ou não realizar, ou seja, se os deputados deviam ou não lá estar. Ainda assim, o líder da oposição precisou que fosse Ferro Rodrigues a adverti-lo para o excesso de deputados, será que não sabe contar?

Este episódio passou mais ou menos despercebido, mas Rui Rio ambiciona ser primeiro-ministro e se o tivesse conseguido nas últimas eleições, muito provavelmente, algumas daquelas pessoas que agora tratou como se tivessem 5 anos teriam sido por ele convidadas para exercerem cargos governativos. Dá que pensar.

One thought on “Disto não se pode culpar o vírus”

  1. Exemplos precisam-se:
    No último Debate Quinzenal houve uma troca de discurso entre o Deputado, Ricardo Baptista Leite e Ferro Rodrigues, Presidente da Assembleia da República, sobre os debates quinzenais em tempo de Pandemia. Disse Ricardo Baptista Leite: que era um erro expor os deputados a essa situação sendo possível ser feito em conferência de líderes.
    Este aparte foi feito no início da intervenção do PSD ao Governo.
    Depois do Primeiro-ministro responder e antes do Presidente da Assembleia da República dar voz a outro partido fez uma chamada de atenção a Ricardo Baptista Leite dizendo:
    “Se estamos aqui é pelo facto da Conferência de Líderes assim o exigiu com uma votação em que estiveram de acordo PS, BE, PCP e Verdes –, pelo menos estes estiveram, julgo eu –, e as maiorias são para se respeitarem, portanto essa crítica não deve ser feita”.
    Entretanto Ricardo Baptista Leite pediu a palavra para defesa da honra e disse que o que tinha dito era em defesa dos deputados.
    O que levou como resposta:
    “Senhor deputado se pedimos aos portugueses, aos patrões e funcionários públicos para trabalhar porque não nós para dar o exemplo!”
    Depois o PSD voltou a pedir a palavra e foi a vez de Rui Rio questionar que quanto ao PSD a Assembleia da República devia de entrar em serviços mínimos.
    Ao qual o Presidente da Assembleia da República retorquiu:
    “Senhor deputado ficou determinado em Conferência de Líderes que só devia estar presente durante este período um quinto dos deputados de cada partido e pelo que vejo só deviam estar presentes por parte do PSD dezoito deputados e estão trinta e seis!
    Dito isto Rui Rio pediu novamente a palavra para dizer:
    “Senhor Presidente estou de acordo com o que disse o deputado Ricardo Baptista Leite e o que disse o senhor Presidente por isso abandono o Hemiciclo”.
    Agora digo eu:
    Quando vi e ouvi o deputado Ricardo Baptista Leite na sua chamada de atenção pensei. Às tantas está a pedir para haver serviços mínimos na Assembleia da República e vai pedir a suspensão temporária de deputado para se oferecer como voluntário uma vez que é médico, ao SNS. Mas não!
    Assim como sou de opinião que todos os Deputados, Presidentes de Câmara de Junta de Freguesia e demais agentes da Função Pública que tenham actividades de saúde se ofereçam como voluntários para debatermos esta pandemia.
    Mas isto sou a pensar!
    Pelo que sei até hoje só um se ofereceu como voluntário e foi prestar actividade médica que foi Manuel Piçarro. Houve outro que a Imprensa noticiou, mas não passou de mentira. Foi requisitado pelo Exército.
    Todos apregoam, mas tem medo. E isto leva-me a recordar quando estive no Exército em Angola nas vésperas de operações mais perigosas haver soldados que tinham febres altas e assim não podiam fazer parte da operação.
    Mais tarde, muito tarde, já na vida civil, vim a saber que essa febre era derivada a esses soldados introduziram um alho no cu. E hoje penso: Espertos!
    Eu não seria capaz de fazer isso. No meu cu até há data não entrou nada, só saiu.
    Por isso entendo que se houvesse uma ordem no sentido de quem tem habilitações para esse desempenho havia deputados que introduziam um alho no cu.
    Por outra.
    Porque numa hora de se cerrar fileiras os Bastonários da Ordem dos Médicos e Enfermeiros assim com dos vários Sindicatos Médicos e Enfermeiros não se oferecem com voluntários?
    Não o fazem e estou em crer que ia ser um desbaste nos alhos.

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