Afinal, foi o Governo que levou com um choque de expectativas

Depois de Passos Coelho se ter mostrado muito preocupado com o choque de expectativas que o Orçamento poderia provocar nos portugueses, como se os portugueses tivessem alguma expectativa positiva. E de ontem a ministra das Finanças ter dito que, afinal, não vê razões para choque de expectativas, mostrando mais uma vez a extraordinária sintonia destes governantes, eis que, a poucas horas da entrega do Orçamento no Parlamento, é o Presidente angolano que desempata a coisa deixando as expectativas do Governo português em estado de choque.

Lá se vão as expectativas do Governo em relação aos negócios com Angola e respectivo impacto na nossa economia. Provavelmente, significa que o Orçamento, mesmo antes de ter dado entrada no Parlamento, já tem um buraco nas expectativas.

6 thoughts on “Afinal, foi o Governo que levou com um choque de expectativas”

  1. o cavaco deve estar à espera duma declaração de guerra dos angolanos para pedir contas ao governo pelo desastre diplomático chamado rui machete e pelo barrasco campos ferreira, especialista em política de alterne.

  2. Já agora , não se se é muito conhecida mas chegou-me agora e explica muito do que se passa. Aos que já conhecem, peço desculpa…

    O BALONISTA
    Um homem caminhava por uma estrada, quando se apercebe de um balão a voar baixo.

    O balonista acena-lhe desesperadamente. Consegue fazer o balão baixar ao máximo possível e grita:

    – Pode-me ajudar? Prometi a um amigo que me encontraria com ele às 2 horas da tarde, mas, já são quatro horas e nem sei onde estou. Pode-me dizer onde me encontro?

    O homem da estrada responde:

    – Sim! Você está a flutuar a uns cinco metros acima da estrada,
    e está a 38º 46′ de latitude Norte e a 09º 08′ de longitude oeste.

    O balonista escuta e pergunta, com sorriso irónico:

    – Você é engenheiro?

    – Sim, senhor! Como descobriu?

    – Simples! O que você me disse está tecnicamente correto, porém, a sua informação não me é útil e continuo perdido! Será que consegue dar uma resposta mais satisfatória?

    O engenheiro raciocina por segundos e depois pergunta ao balonista:

    – E você é da JSD!

    – Sim, sou filiado no PSD! Como é que descobriu?

    – Fácil! Se for capaz siga o meu raciocínio: você subiu sem se preparar e sem ter a mínima noção de orientação!
    Não sabe o que fazer, onde está, e tampouco para aonde ir!
    Fez uma promessa e não tem a menor ideia de como conseguirá cumpri-la!
    Espera que outra pessoa resolva o seu problema, continua perdido e acha que a culpa do seu problema passou a ser minha!

    É PSD nato!!!

  3. As expectativas são +- estas:

    AusteridadePontes de saída
    por Sandra Monteiro

    Começam a faltar palavras para descrever o que está a acontecer. Não porque seja difícil explicar em que consiste o regime austeritário. É uma engenharia política de destruição do Estado social, democrático e de direito, e de sua substituição por entidades orientadas para o salve-se quem puder, a acumulação financeira, o poder da riqueza, a liberdade dos mercados, a exploração sem entraves do trabalho e dos recursos do planeta. São estas as finalidades que determinam os mecanismos de transferência de rendimentos para o topo, de criação activa de desemprego e pobreza, de generalização da precariedade, de emigração forçada, de recessão da economia, de erosão dos serviços públicos, de desmantelamento da protecção social e de desregulação de contratos e vínculos. Esta engenharia tem ambições sistémicas, de longo prazo, apesar de ter surgido, na sua forma mais exacerbada e agressiva, a pretexto de uma situação conjuntural: a «necessidade de estabilização » de um sistema financeiro de que não estávamos ainda suficientemente dependentes e que, a golpes de austeridade, conseguiu pôr mais um Estado no bolso.
    Quais são, então, as palavras que faltam? São as palavras capazes de descrever a actuação dos que impõem este novo modelo de sociedade e os efeitos que este modelo tem, na nossa pele ou na pele dos nossos. A convicção político-ideológica dos actores da austeridade é cada vez mais misturada com declarações e comportamentos infames, sonsos, mentirosos, indignos. A que palavras se pode recorrer quando se é bombardeado com a falta de ética no exercício dos cargos públicos, com a imoralidade social do poder? Que palavras podem traduzir com justiça a sádica programação do sofrimento? E que palavras podem mostrar que estão vivas em nós as sinapses da empatia em relação ao próximo para descrever o que significa a destruição de uma vida, o roubo de sonhos e esperanças, a aflição da fome ou da doença evitável, o nó permanente na garganta, o desespero em que não se pode viver sempre e vai empurrando para o fim – ou para a letargia dorida da resignação, que é outra forma de fim?
    As palavras ficam aquém do necessário. Se nada for feito, crescerá a impotência com que se recebe a notícia de cada novo corte indutor de desigualdades, pobreza, desemprego, emigração e recessão. Ou de cada nova mentira, reveladora de auto-indulgência, desrespeito pelo outro e pelas regras da democracia. A notícia mais recente pode ser a determinação do governo em seguir o mesmo trilho político, quando as eleições mostram que perdeu o apoio popular. Pode ser o aviso feito pela Troika ao Tribunal Constitucional sobre as consequências da reprovação de medidas de austeridade previstas para 2013 e para o Orçamento de Estado de 2014. Ou a repetição dos mesmo avisos pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, preocupado com o fosso entre o Portugal dos negócios privados, que soube entrar na «modernidade », e o do Portugal que permanece preso ao Estado (sem nada dizer sobre a captura privada do Estado). Crescerá a sensação de impotência, também, perante a manutenção de ministros que lesam o interesse público, como nas Finanças, Maria Luís Albuquerque com o «caso SWAP» ou, nos Negócios Estrangeiros, Rui Machete e as acções da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) ou o desprezo pela separação dos poderes executivo e judicial na entrevista à Rádio Nacional Angolana. Outras notícias são as dos novos cortes austeritários, já superiores a 5,6 mil milhões de euros: salários da função pública, pensões de sobrevivência (viúvos, órfãos), pensões de reforma pela «convergência do regime da Caixa Geral de Aposentações (CGA) com o regime geral», despesas dos ministérios (despedimentos, qualidade dos serviços), e tudo isto a pretexto de cumprir um défice de 4% que o serviço da dívida impede (127,8% do produto interno bruto [PIB]), para aprofundar a espiral recessiva e aumentar o desemprego (17,7%).
    Por onde passa, a austeridade permanente destrói a liberdade, a autonomia, a democracia, a vida digna. A impotência resignada que vai espalhando assemelha-se à de um cancro terminal. A amputação de mais um membro ou a falência de mais um órgão são demasiado devastadoras para se ver saídas. O tumor metastizou, está demasiado espalhado. E está. Este é um dado do problema e devia servir de ensinamento a todos quantos embarcaram em pretensas modernidades líquidas, flexíveis e desreguladas que permitiriam manter os valores da democracia e do Estado social quando são subtraídos os meios materiais e institucionais para fazer opções de política económica, monetária, financeira, social, cultural e ambiental susceptíveis de os concretizar. Este é uma das contradições em que a social-democracia europeia se enredou com o neoliberalismo, que nos destrói desde a década de 1980. Mas ultrapassar a tragédia actual não depende só do desfecho deste drama, depende também da capacidade que as forças sociais e políticas que não têm partilhado o poder terão de participar num projecto social e de poder que devolva a centralidade do interesse público, que restabeleça a prioridade da alimentação dos povos (e não dos mercados) e que recupere a confiança no contrato social da democracia.
    Este cancro metastizou, mas não é incurável. Para procurar palavras que possam ser úteis, teremos de procurar outras abordagens. Há que parar a sangria das células novas e saudáveis que todos os dias produzimos. Isso implica uma moratória ao pagamento da dívida, porque ela, insustentável no futuro, é já hoje responsável por canalizar a riqueza que produzimos para alimentar os credores financeiros. Reestruturar a dívida, protegendo pequenos aforristas e as pensões, é um problema para credores que terão feito um mau investimento, não um problema para o Estado português (teria dinheiro para pagar salários e pensões). Há que repor o contrato social, que exige uma fiscalidade justa, o que implica enfrentar as ferozes resistências dos que detêm os mais altos rendimentos, do capital financeiro, dos lucros accionistas, etc. E há que compreender que a universalidade do acesso ao serviços públicos, às funções sociais do Estado – que sabemos ser o melhor garante de igualdade e coesão social – só pode ser garantida com a defesa da sua gratuitidade para todos. Foi muito por aqui, que alastrou o cancro das engenharias neoliberais que corroeram o Estado: uma educação, saúde e segurança social cada vez mais para pobres, com o preço e a degradação da qualidade a levar os que têm mais posses para os privados.
    Recuperando estas condições de autonomia, canalizando os recursos para finalidades socialmente dignas e gerando novos recursos, podemos construir força social e política para compreender também que a participação na actual arquitectura institucional e monetária europeia não permite tornar tais finalidades sustentáveis. Aí teremos escolhas difíceis a fazer, mas já centradas num exercício de palavra e de acção que nos tirem daquilo que, de outro modo, parece um beco sem saída, um corte com todas as pontes que nos ligam a Abril. Há pontes e há saídas, como mostram as iniciativas populares marcadas para os próximos dias 19 e 26 de Outubro.
    sexta-feira 11 de Outubro de 2013

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