Cutter, Abraham

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Membro fundador da Sociedade Teosófica, recusou-se a acompanhar o coronel Henry Steel Olcott na migração da seita para a Índia, em 1876. Fundou de seguida a mais discreta Irmandade do Novo Paradigma, onde pode expandir o seu peculiar conceito de “Egosfera”. Esta, uma evolução do “sétimo corpo”, ou Atma, dos teosofistas, seria um campo de energia senciente que envolve a Terra, gerada por todos os organismos do planeta. Para Cutter, a Egosfera seria uma interface com o próprio Deus e também um ente ainda em crescimento, prestes a despertar para a consciência. Ele analisou delongadamente eventos psicossociais como a epidemia dos “Viajantes Loucos” do final do século XIX e a vaga de aparições de “Dirigíveis Misteriosos” que assolou os EUA no mesmo período. Cutter postulava que comportamentos anómalos e visões inexplicáveis eram apenas sintomas de distúrbios na Egosfera: a sua interacção com espíritos humanos e com a própria matéria inanimada estaria a ser distorcida pelo uso cada vez mais disseminado da electricidade. Claro está que o caso Topsy não poderia deixar de o atrair; no seu último artigo, publicado no Boston Chronicle sob o revelador título “Visitors from Within”, este visionário semi-louco fez um levantamento de todos os fenómenos similares até então recenseados e teceu uma complexa rede de relações entre essas anomalias e a sua peculiar cosmovisão. O seu desaparecimento nunca explicado deu a derradeira nota insólita à biografia do último grande místico americano.

4 thoughts on “Cutter, Abraham —”

  1. ponto Omega?

    Vale a pena conheceres, se não for o caso, o número Ómega do G. Chaitin.

    Aquilo da elefanta está muito engraçado!

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