Shame on you, Mr. Seabra!

Recuperando a tradição dos itálicos, eis um comentário vindo deste post do Luís. A nossa comentadora Maria de Fátima oferece-nos um texto com donaire.

Sucede que o artigo a que este post alude não é, infelizmente, um artigo com cabeça, tronco e membros. Trata-se de uma série de três artigos preguiçosos em que Seabra confunde “espaço público” com blogosfera e, não contente com isso, considera, do alto do seu sabe-se lá o quê, que a fórmula crítica de EPC está esgotada. Assim mesmo, tal e qual, o crítico Seabra que aponta armas à falta de argumentação de alguma crítica, esqueceu-se de consolidar este tenebroso veredicto sobre EPC, deixando na gaveta o suco da barbatana que o levou a semelhante conclusão na fronteira de uma intolerável pureza ou desejos de uma crítica velada. E assim, de delírio em delírio, Seabra chega ao ponto de afinfar em Pulido Valente porque este teve a ousadia de publicar um livro recenseado no jornal onde colabora três vezes por semana. Haja santa paciência e, a este propósito, escuso-me de explicar o que quer que seja, ou antes, que quereria Seabra que Pulido Valente fizesse? Que enquanto colaborador do Público não escrevesse livros, que enquanto escritor não assinasse colunas de opinião, que o Público ignorasse olimpicamente o livro de Pulido Valente, que José Manuel Fernandes se recusasse a escrever sobre o que é, sem sombra para dúvidas, um livro incontornável? Seabra quereria que aos leitores do Público fosse vedada uma nota crítica, uma linha que fosse sobre um livro de um opinion maker que escreve livros e é editado? O que faz correr Seabra, é como quem diz, é assunto de interesse e debate, mas nunca da forma leviana e burocrata com que produz o levantamento do número de vezes em que uns e outros escrevem, opinam, dizem, pensam nos jornais, blogues ou televisões. Seabra tem, para mal dele e nosso, uma alma de contabilista, enfim, para não lhe dar outro nome, que lhe dá uma pinta de Jack Bauer, agente federal com a cabeça à roda com o dia mais longo da vida dele. A Bomba Inteligente que me perdoe, mas, coitada, no meio daquilo tudo é o menos porque é realmente o menos. Quem diz a Bomba, diz George, e quem diz este diz os outros que Seabra procurou em arquivos sem tom nem som, como se os tivesse atirado aos ares e de caras lhe saíssem aqueles nomes e não outros. Um tipo que se nos apresenta como um crítico de força e sem território comprado, um crítico daqueles que tem o rabo torcido e com uma volta na ponta, deveria ter dedicado mais energia e empenho ao assunto. Shame on you, Mr. Seabra!

Maria de Fátima

4 thoughts on “Shame on you, Mr. Seabra!”

  1. “O avanço da civilização depende do declínio do sagrado, excepto em Paço de Arcos onde Modernidade e Comandante Guélas se completam.” – Kitéria Bárbuda in “Terra de Sonho”, Revista “Espírito”, nº34, 2006.

  2. Não me parece que recaia qualquer acusação sobre VPV, mas sim sobre o “Público”. O texto em questão surge mais como manvbra de marketing a promover o colunista do que a propósito do livro em análise. Mas discutir isto, agora que já nem em “cache” estão os textos do AMS, não adianta muito.

  3. O Trabalho Liberta

    Dedicado à Beta

    Suponho que, naqueles manuais de lineu, a definição de “obsessão” vem como uma permanente fixação num determinado objecto, como se nada mais existisse em seu redor.

    Volto aqui, porque me dá vómitos a criatura e o tema: diariamente, a Lurdes, a Mulher-a-Dias da Educação, obcecada, tem de se sair com uma nova, e, hoje, saiu-se com mais uma, desta feita a de querer recolocar ao serviço pessoas que piraram no exercício da Docência.

    Até aí, tudo bem, porque parece que nos manuais estalinistas da bruxa, e como era voz corrente, na extinta União Soviética, os comunistas também punham velhinhas de oitenta anos a calcetar ruas; em Portugal, acabaremos por tê-las nas mesmas tarefas, e se estiverem com com a cabeça perfeitamente desregulada, tanto melhor, porque nem sequer se aperceberão do estado em que estão a fazer aquilo que as puseram a fazer.
    Assim, a Lurdes vai pegar em quem não pode dar aulas, e foi reconvertido em executor de outras tarefas, através de sucessivas decisões de juntas médicas, e irá aplicar -lhes um milagre das rosas: submeter-se-ão a uma sumária bateria de testes, para saber se estão mesmo em estado vegetativo, ou se poderão ir, entrementes, vegetar, para outro ponto da Função Pública. Ora, como toda a Função Pública, excepto ao nível dos regiamente pagos assessores de Gabinete, se encontra hoje num estado de pré-coma, é bem possível que os traumatizados do Sistema ainda se traumatizem mais, ao chocarem, de frente, com o Muro do Já-Não-Há-Qualquer-Lugar-ou-Esperança-para-Vocês.
    Como são inúteis, passarão imediatamente ao estado de supra-numerários, e, logo, de reformados compulsivamente. A dúvida, uma das sinistras dúvidas, é se serão reformados compulsivamente, de acordo com as regras do tempo em que assinaram o seu contrato com o Estado, ou de acordo como novo jogo do Vale-Tudo Socratiano.

    Já sabíamos que a senhora tinha lido Goebbels. A sua determinação, é também a de “Mein Kampf”. Sabíamos que era cobarde, e se atirava com força aos fracos. Sabemos agora que a criatura também aprendeu bem a lição das dinâmicas de massas, velha como o “divide ut regnes”, de Maquiavel, mas moderna como Hitler, que a ensaiava ainda melhor, através do Discurso do Medo, Estaline, que adorava empregá-la, em todas as suas formas do Terror, Bush, que a banalizou, enquanto Pânico, como um dos dialectos da miserável Globalização “Democrática”, e, aqui, a socrática Lurdes, que a traduziu para o miserabilismo do ai-jesus nacional.

    Portugal não passa, hoje, do estalinismo aplicado da Dona Lurdes, a mulher que entrará para a História como a curandeira que quis pôr os doentes a trabalhar.
    Faz bem, “Arbeit macht frei”, e ela devia ser já transposta da Pasta da Educação para o Ministério da Saúde.

    Pena é que estes doentes, e os fracos sindicatos que os representam, não aproveitem a deixa, para lhe moverem um valente e exemplar processo, junto do Tribunal dos Direitos Humanos.

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