Raul Brandão – do «Mercure de France» ao Círculo Eça de Queirós

É uma das novidades da «saison» este «Portugal no Mercure de France – aspectos literários, artísticos, sociais, de fins do séc. XIX a meados do séc. XX». A tradução e a coordenação cabem a Madalena Cruz e Liberto Cruz e a edição é da Roma Editora. Este livro é um monumento de 707 páginas com a reunião das crónicas escritas ao longo de 50 anos por Philéas Lebesgue sobre os livros de escritores portugueses que lhe iam chegando à sua casa de La Neuville–Vault e que entre 1896 e 1951 recenseou na revista Mercure de France. Raul Brandão é um dos mais assíduos frequentadores das páginas do periódico. Desde 1896 até à sua morte inesperada no dia 5 de Dezembro de 1930.

Horas depois do lançamento deste livro, estou no Círculo Eça de Queirós ali ao Chiado e assisto à apresentação de um livro de entrevistas de António Ferro a Salazar. Não vejo Rita Ferro, velha conhecida minha da revista Ler, mas Mafalda e António oferecem-me uma verdadeira preciosidade. Trata-se do fac-símile do protesto dos homens de letras, jornalistas e artistas portugueses em 17 de Julho de 1923 contra a Censura policial à peça teatral «Mar Alto» de António Ferro.

Numa lista de escritores, jornalistas e artistas plásticos que inclui António Sérgio, Fernando Pessoa, Norberto de Araújo, Aquilino Ribeiro, Alfredo Cortez, Luís de Montalvor, Artur Portela, Eduardo Malta, Augusto Santa Rita e Mário Saa, a presença do nosso querido major em primeiro lugar num protesto contra a «precipitada e injustificável proibição de um drama por uma autoridade policial» é hoje, em 2007, um sinal.

Mudam os tempos, mudam as vontades, mas não mudam as coisas essenciais da vida.

2 thoughts on “Raul Brandão – do «Mercure de France» ao Círculo Eça de Queirós”

  1. Uma histótia deliciosa passada no Círculo Eça de Queirós. Estava o pessoal a comer castanhas e beber água-pé quando a Mafalada Ferro anunciou os faditas que iam cantar: a prima Maria João Bastos, Manuel da Câmara e D. Vicente da Cãmara. Alguém com sentido de humor mas beneficiando do relativo anonimato põe toda a gente a rir com uma «bucha» tipo Parque Mayer: «Não é prima, é tia. Em Cascais só há tias.»

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