E-mail a dois

Também você se chateia com aqueles casalinhos, muito pombinhos, muito aconchegadinhos, que têm um e-mail a dois? E que assim se vêem para a vida inteira? Bom, até ao dia em que… 

 – Abriste um endereço de e-mail para ti só?
– Abri. Porquê?
– Podias ter sido menos desagradável.
– Como?! Explica lá isso melhor. Se não te importas.
– Já não confias em mim, não é?
– Eu?!
– Pois. E queres receber umas coisinhas que eu não possa ver.
– Agora quem é desagradável és tu. Não te parece?
– Gostavas que eu fizesse o mesmo?
– O quê?
– Abrir uma conta só para mim.
– E porque é que não fazes?
– Porque não tenho nada para esconder, percebes?
– E eu tenho?
– Pelos vistos…
– Eu abri porque me apeteceu. Ora esta!
– Ai, não duvido. E porque te deu pra uma de desconfiança.
– Desculpa, mas se há, aqui, alguém que desconfia, és tu.
– Ai, agora eu é que desconfio! Está bonito, está!

Você teria saída para esta conversa? Diga como. Tire duas pessoas deste filme.

37 thoughts on “E-mail a dois”

  1. – pois está, mas como sabes que abri uma conta só para mim?

    ….

    e depois veio o Gentil Martins e separou-os. Foi uma intervenção demorada mas a TVI estava lá e todos pudemos ver no jornal da noite. Já sairam do recobro. Ainda não falam. Trocam sms, mas como só têm um telefone a auxiliar já diz que com televisão ou sem televisão não corre mais de uma cama para a outra cada vez que aquilo apita.
    Estavam ligados por vários clichés e tinham três créditos em comum. Para a recuperação tão rápida foram essenciais as mensagens de solidariedade de todo um país e os convites para vários talquechous. Espera-se que tenham alta antes do fim do ano que a Júlia está à espera para mais uma tarde de sonho.

  2. Ó Fernando, para que fazes uma pergunta para que tu mesmo não tens reposta? Chato, não é?
    (Que é que aconteceu à nossa Aspirina? Passou de 500 a 100mg?)
    Nota: Aquele 500, não se nota, mas foi escrito no género gramatical masculino.)

  3. Daniel,
    Ainda há a Susana. Para baralhar os genes.

    Ernesta,
    E quem será esse schrodinger (presumivelmente schrödinger), meu cúmplice, meu irmão?

  4. Ernesta,
    Pode ser. Mas acontece que «o» e «ö» indicam sons diferentes. E há pares lexicais que se distinguem só pelos… pozinhos. Entretanto, nada me dizes do sujeito em apreço. Se calhar não tinha assim grande importância.

  5. falar em pares, léxicais ou não, que se distinguem só pelo som é bastante indicativo num poste como este. Quanto ao outro, o do gato, parece que também deixou uma pergunta sem resposta – há quem diga que foi dada nas margens de um livro, mas que não se consegue ler. Assim sendo continuam irmãos na procura da resposta. Ou, se quisermos ser kantianos, a razão não consegue nunca apreender completamente a ideia. bué de fixe, não é?

  6. fernando, terias que dizer quem abriu o mail privado, se ele, se ela, se há dois eles, se duas elas. é fundamental para ver o resto do filme…

    ernesta, kant era um chato, toda a gente sabe. um chato giro mas, ainda assim, um chato.

    entretanto, fernando, é empolgante dizeres que baralho os genes do aspirina.

  7. Não percebi bem se quem abriu um mail separado foi ele ou ela… Para muita gente o casamento é um emprego: entrar às 9 e sair às 5 da tarde. Antigamente dizia-se «Casou-se amparou-se» mas hoje ficam muito desamparados alguns e algumas. Mas até nisto a internet havia de arranjar problemas.

  8. Susana,

    Era um chato que eu seria incapaz de aturar – isso de à mesma hora na mesma rua é um pouco demais para a minha paciência – mas, há muitos anos atrás, deu-me um jeito danado.
    Quanto ao ser giro digamos que há gostos para tudo…
    Já agora, sabe a diferença entre o céu e o inferno?
    Céu é um cozinheiro francês, polícia inglesa, burocratas alemães e amante italiano.
    Inferno é cozinheiro inglês, polícia italiana, burocracia francesa e amante alemão. Ora o Kant, giro ou não, era alemão que eu saiba…

  9. Ernesta
    Nessa do famoso gato Schrödinger não caio eu. Nem sequer sei se ele meteu o gato na caixa. Nem tão-pouco se lhe pôs veneno na comida. Ou, ainda, se o bichano não tinha fome e não comeu entretanto. Essa é demasiado quântica para a minha paciência. Paciência…

  10. e não é que todos sabem como pôr os pózinhos nos ós menos eu? (ou por outra, saber até sei mas dá muito trabalho).

    Daniel,

    Não sei se é quântica que não sou dada a físicas, mas um físico que deixa um gato para ser desengatado é sempre uma delícia…

  11. fmv,
    Tenho uma sugestão tardia de título alternativo. No embalo dos posts e bem a propósito, eu cá chamava-lhe … “Intermitências da corte”.

    daniel,
    Que alívio me deste, meu amigo! Por instantes cheguei a suspeitar que aquele 500 não fizesse o género do gramatical, fosse muito masculino, sei lá… Que bom ter tudo acabado em bem. Terão um e-mail a dois?

    susana,
    ‘baralho os genes’ é uma grande expressão, se me permites. Musical.

  12. Ernesta
    Carrega-se no Alt GR (não faço ideia do que significa), e vai-se à tecla em que há * ¨ Viu? Assim podemos escrever nas calmas todos os Schrödinger que nos apetecer. Quem não falha S C H R O D I N G E R não tem desculpas para falhar o Ö.
    RVN
    Estou cansado do que trabalhei todos estes dias. Mas não dá ainda para trocar os géneros gramaticais. Deus me livre de chamar “a” ao grama. E nunca me ouvirás, ou lerás, a dizer que és do género masculino. Isso é coisa de… Quer dizer, é coisa de uma coisa que não és. Gramática é gramática. O resto que se dane.

  13. ö ö ö ö ö ö……

    Daniel,

    Já está, viu? Como posso agradecer?
    Agora só me faltava descobrir o tal gato, mas como não sou muita dada a felinos vou deixar isso para quem tenha mais paciência que eu para a quântica ou para a enquântica.

  14. mas quem é que em seu perfeito juízo abre uma conta conjunta de email? a correspondência postal também vem em nome dos dois, excepto, quando muito, convites para casamento, baptizados e funerais?

    (desculpe, fmv, não quis ofender, imagino que haja razões muito românticas para o fazer, mas, convenhamos… até a mim – que nem romântica sou mas uma completamente imbecil lamechas – me ocorreu alguma vez tal ideia.)

    não faço ideia como sair desse filme. escrevendo algures ‘the end’?

    (alguém aqui se atreveu a dizer mal de kant?)

  15. Ernesta
    Tentei falar consigo à boleia do RVN, mas não consegui entrar. Deve ser “do” segurança. Mas já disse aí abaixo que descobri que o gato está vivo. Porque tem sete vidas, claro.
    RVN
    Espero que o teu género seja o humano.

  16. Ó Sem-Se-Ver
    Ia deitar-me já, quando deparei com aquela pergunta acerca do Kant. É um desafio? Se é, eu falo. A gente começa pelos transcendentais ou pela razão pura?
    Boa noite.

  17. Daniel,

    Falar comigo à boleia do rvn é mais difícil que o gato do outro…. Disse aí em baixo onde? e se quiser “falar” comigo siga o caminho das migalhas se os pássaros não as comeram todas como fizeram com as outras e terei todo o gosto em recebê-lo na minha casa.
    E sim, tem sete vidas o gato mas o gato sabe contar?

    sem-se-ver
    aqui ninguém diz mal do kant e se disser chuta-se para kanto.

  18. Susana,
    São Ele-Ela? São Ela-Ela? São Ele-Ele?

    Estive para chamar ao post «Pequeno drama unissexo». Pelos vistos, mesmo sem isso, o teu olhar de lince não falhou.

  19. fmv, rico diálogo que puseste aqui. Eu não posso com esses casais porque, mesmo numa relação a dois, há sempre que manter um grau de privacidade saudável. Um namorado, que me pedisse a pass, mandava-o bugiar.

  20. Ernesta
    Para descanso de quem se preocupa com o gato de Schrödinger, posso dizer que o senhor Wolfgang Apel, Geschäftsführerin des Deutschen Pelzinstitutes, Tierschutzbundpräsident, ou seja, mais ou menos em língua de gente civilizada, presidente das federações das sociedades protectoras dos animais da Alemanha, moveu uma acção contra o tal Schrödinger por maus tratos e sadismo praticados contra o gato. (Ó Valupi, dá-nos aí uma lição a explicar, por favor. A Sociedade Protectora dos Animais da Alemanha protege só os animais alemães, ou a Sociedade é que é alemã e os animais podem ser até as nossas pulgas?)

  21. Daniel,

    E será que conseguiram notificar o Schrodinger com pós no ó ou vai ter que ser por edital?
    Mas o que me deixa mais confusa no meio do gato morto-vivo ou vivo-morto é que se ninguém abrir a caixa o gato continuará ad eternum nem vivo nem morto, saibamos nós mecânica quântica o suficiente para o perceber assim e perceba o gato o que com ele se passa.
    Tudo isto se resume portanto a um problema de caixas abertas ou caixas fechadas e a olhares que só por si desequilibram o que até aí se mantinha equilibrado.
    (e agora, qual é a minha mão direita e a minha mão esquerda que já as consegui baralhar até a elas?…)

  22. rvn

    o meu conselheiro espiritual recomendou-me que nunca discutisse ética a uma sexta feira, portanto fiquemo-nos pelo ernesta que sempre é nome importante…

  23. Ernesta,

    Só para eu passar descansado estes dias.

    Tu tens no teu nome «Costa», não tens? De resto, um nome muito aqui de casa.

    Sê sincera, querida. Eu prometo não contar a ninguém.

  24. Meu querido venâncio que não é da costa,

    tal como eu também não sou apesar de já ter dado à costa muitas vezes, umas mais maltratada que outras.

    Farei, no entanto, tudo o que me fôr possível para que estes teus dias sejam passados no sossego que lhes deveria ser próprio. Assim, para mais esclarecimentos, cabazes de fruta e tabelas periódicas sugiro a cabradeserviço, já que não é meu costume andar a despir-me nas casas dos outros.

  25. Ernesta,

    Acredita que é um descanso. Não estava a ver a pessoa a blogar, menos ainda em tais cenas.

    Lá iremos ver-te despires-te.

    Deixa sempre alguma coisita em cima, sim? Por causa do charme. E da tensãozinha.

  26. Daniel, estive longamente a reflectir na questão. Questão que é da maior importância, vai sem discussão (outra). Com tudo (e tanto que é), cheguei à resposta: trata-se, de facto, de uma sociedade alemã dedicada à protecção de todo e qualquer animal, incluindo os que dás em exemplo, mas com um senão, nesta bela entidade: terem de permanecer na Alemanha. Espero ter contribuído para a saúde de todos os parasitas em trânsito por essa Europa sem fronteiras.

  27. Ernesta
    Como deves ter percebido, era difícil de facto notificar o Schrödinger. Este morreu era o Wolfgang Apel ainda criança, e só em Portugal é que eu conheço um caso de ter sido notificado um morto para comparecer não sei onde.
    Valupi
    Bela lição, não há dúvida. Uma questão de fronteiras, portanto.

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