Derrelictos — Gonçalo da Câmara Pereira

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O mais patusco dos pretendentes ao trono autárquico é também o único a poder reclamá-lo por direito de baptismo. A familiaridade com a Câmara está no anil que lhe corre nas veias, é vocação dos que nascem em berço. Os plebeus da concorrência não conseguem lutar com fidalguia contra a hereditariedade. Então, recorrem aos mais baixos e funestos instintos populares, os quais vão encher a cidade de urnas. É isto a república, o Reino enfiado num quadrado. Para tourear a turbamulta, no partido do candidato alguém ataca com um fado. Ao eleitor pede-se, pois, que faça silêncio.

6 thoughts on “Derrelictos — Gonçalo da Câmara Pereira”

  1. Bem visto, Rui. Talvez ele seja um dos que não usa o acento, sim. Não faço ideia.
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    Pois, Ana, a pouco jovem é a muito conhecida Elsa Raposo (ou assim me parece, ou assim me confundo).

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