«Branco de Quintal» de Fernando Teixeira (Baião)

Um antepassado nasceu-lhe no século XVII em Angola, no quintal dum militar holandês, Van Cappel. É o pretexto para uma digressão pela História de Angola desde os tempos da Companhia das Índias Holandesas e de Salvador Correia de Sá até à actualidade do século XXI.

Um excerto sobre o tempo de hoje: «O tão falado Homem Novo parece que é cada vez mais velho, arrastando-se de muletas, come o que lhe dão, sobretudo o milho estragado, o frango deteriorado e gripado, a carne das vacas loucas, bebe o leite com o prazo caducado, veste as roupas de fardo que a comunidade internacional envia generosamente. Toma medicamentos que já ninguém quer. Dorme com o lixo, acorda com a miséria. No entanto nem tudo é mau, fizeram-se algumas coisas boas, quanto mais não seja, a manutenção da unidade nacional e o alcance da Paz. Tentar corrigir muitos dos erros que se cometeram é um objectivo. A geração mais velha, a geração da luta contra o colonialismo, das matas, das prisões e da clandestinidade, da construção da independência, aquela que alcançou a paz e a tenta consolidar, já cumpriu o seu papel político e precisa passar o testemunho. Só se fala das coisas más, dizem alguns, mas o que se há-de fazer, dizem outros, as más são mais que muitas. A culpa foi da guerra, clamam outros, mas isso não justifica tudo, rebatem os inconformados. Ainda se ouve dizer que grande parte deles nada fazem, o que é mau, e nada deixam fazer, o que é péssimo mas atenção, muita atenção, a vítima nunca esquece o mal que lhe fazem. – Quem atira a pedra é quem se esquece mas quem levou a pedrada não se esquece.»

Pangeia Editores / Chá de Caxinde Edições
Prefácio de Francisco Soares
Apresentação de Rodrigues Vaz

2 thoughts on “«Branco de Quintal» de Fernando Teixeira (Baião)”

  1. Qual é o mistério que faz com que, se passo uns dias sem vir ao convívio, aparecem textos belíssimos (sim, JCF, aquela imagem da avó-aldeia é invejável e sublime) e até o Jorge Carvalheira regressa? (O Mar do Norte é como a vida, Jorge: de nada serve usar colete como salva-vidas.)

  2. Caríssimo: Isto foi uma curiosidade, dois livros seguidos sobre temática africana; às vezes acontece. Quanto às imagens vamos tentando pois só é derrotado quem desiste.

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