Confissões de um duro ouvido

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Hoje, o “Fórum TSF” tinha uma pergunta algo exótica para interpelar os seus ouvintes: “com que coisa do nosso mundo se parece a música de Mozart?”
Aquilo pareceu-me um pouco tonto. Até que me surgiu uma resposta clara, em forma de imagem: a música de Mozart faz-me lembrar um ovo de Fabergé. A mesma perfeição formal; a mesma sensação de nada ali faltar nem estar a mais; a mesma admiração pelo génio, pela mente capaz de imaginar tais coisas. E a mesma sensação de tudo aquilo ser bonito demais, de tudo estar demasiado perfeito para o meu escasso gosto. Sei que cada ovo de Carl Fabergé é uma peça única, um feito irrepetível da sua arte. Mas não tenho grande vontade de ter um em casa.
Pronto. Já confessei: não gosto muito de Mozart. Agora podem flagelar-me em público.

30 thoughts on “Confissões de um duro ouvido”

  1. Mesmo o D. Giovanni? Ou as Bodas de Figaro? Repare q em M., e mt evidentemente nestas, estão sempre presentes as “nossas” imperfeições. Ou a não perfeição do objecto/tema. São formalmente perfeitas? as obras? Talvez, mas fica a inquietação.

  2. Isto é uma coincidência. Vinha agora com o meu leitor pelas ruas do Porto… a ouvir Mozart. O que eu apreciei é observar as pessoas a descerem dos autocarros ao compasso mozartiano. Sempre me deu mais animação :-) Eu adoro Mozart. E não te vou flagelar, Luís, por não gostares. Os gostos e as cores são feitos para se discutirem.

  3. Como eu te compreendo, Luís. Eu também já pus reservas a Mozart. Parecia-me um Vivaldi, era isso. Hoje já lhe sinto o génio. Quer dizer: deixo agora que recônditos meus vibrem com ele. Mas no musical sporting-benfica preferirei sempre Beethoven, um romântico discreto.

    Não te flagelo, se ainda não percebeste.

  4. Um gosta de PetShopBoys, outro não gosta de Mozart, isto está mais a parecer uma esquerda proletária do que uma esquerda caviar.

  5. Também não aprecio Mozart por aí além.

    Em matéria de música clássica ocidental, prefiro Beethoven, Bruckner, ou Chostakovitch.

    Mas do que eu gosto mesmo é de música clássica indiana. Por exemplo, o dr Subramaniam a tocar violino.

  6. Ó Fernando Venâncio eu também me chamo Fernando Venâncio. Para me distinguir de você escrevi com letra minúscula. Deu para perceber ?

  7. Ó fernando Venâncio, se assim for, fico pasmado, mas vai um abraço.

    Simplesmente, essa da minúscula «fernando» é subtil de mais para a ordem do mundo. Também o meu «Venâncio» é apelido. Proponho, pois, que você arranje um nique. Desculpe. Eu cheguei primeiro.

  8. Luís Lavoura | janeiro 26, 2006 05:35 PM
    Até compreendo que goste de Chostakovitch. Por acaso Estaline, que percebia de música, emendava-lhe as pautas, não se o meu caro sabia disso,,,

  9. Eu não estou a gostar disto. Aquela claudia que diz “Belo truque Fernando, agora usas um pseudónimo para me atacar !”, não sou eu, a verdadeira Cláudia. Não sei quem anda com estas brincadeiras de mau gosto, mas se for para continuar assim (e já outros se queixaram), eu não vou poder continuar a comentar neste espaço.

  10. às vezes até percebo o salieri do filme, quando critica there are too many notes com ar exasperado. outras vezes pergunto-me como posso ter pensado aquilo. mas bach nunca me traiu na escolha.

  11. Dado que o José Tim tem andado muito desaparecido, quem sabe se não é ele que anda a fazer de duplo das pessoas que vêm para aqui comentar? Vou chamar o Poirot para investigar o caso.

  12. Cláudia, claudia ou talvez Claudia: não há Claudias falsas. As únicas que conheço falsas são as ameixas que levam esse nome e estão cada vez maiores e menos doces. Já Mozart, só há um e os outros serão decerto falsos.

  13. Ai, tenho aqui um gentil Justiceiro que me veio salvar das garras da clonagem. E ainda te esqueceste das Cláudias, amêndoas de chocolate que se vendem muito na Páscoa.

  14. Não vejo qual o problema, Capitão Porão. Não era eu que estava com falta de pau segundo as tuas próprias palavras?

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