Venha curar-se aqui!

Será só impressão minha? Pode, claro. Mas vou dizer, ainda assim. Trata-se da caixa de comentários. A nossa. Ou as de outros, onde calho espreitar.

Digamos assim. Quando o blogue é «de causas», quase sempre amáveis, e oportunas, a caixa de comentários é duma respeitabilidade que faria pensar, se não olhássemos para o lado, que o mundo era afinal um oásis, descontraído e estimulante.

Mas quando o blogue não tem causas, como este, está um fulano à mão de semear de uns tipos soturnos, regularmente (mas nem sempre) basto sucintos, que desembestam contra uma novidade que se conta, uma proposta que nos surgiu, uma visão geral do mundo que um conhaque tinha dentro.

Não brilham ali, na intempestiva reacção, um raciocínio, uma chalaça, um cinismo sequer. É só recusa, é só rejeição, é um grito de alma em estado puro.

Constitui, sempre, uma surpresa – e, quase sempre, um susto. Com quando nos fazem uma injustiça, a sensação é esta: «Isto não pode estar a acontecer-me». É a salutar fase da negação, que nos impede a entrada no vórtice do disparate, ali tão convidativo.

Vem, depois, a fase, essa supremamente irónica, da razão. Aquela que nos diz: «Também, meu velho, quem te mandou meter nisto?»

Entretanto, o outro, que até já te esqueceu, está mais perto da cura.

6 thoughts on “Venha curar-se aqui!”

  1. Sugestão: responda na mesma moeda as vezes que for preciso até ao absurdo… obviamente isso nunca leva a lado nenhum, mas pelo menos apazigua o demónio da frustração dentro de nós. Bom… esqueça isto se for uma pessoa muito ocupada.

  2. “Entretanto, o outro, que até já te esqueceu, está mais perto da cura.”

    Concordo com o Fernando, se a malta tivesse uma memória mais selectiva, havia muito menos animosidade e controvérsia desnecessária.

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