V9

É interessante esse ponto de vista, porque o optimismo está profundamente ligado à credibilidade, e esta ao reconhecimento da verdadeira dimensão dos problemas, mas também à correcta divulgação do que foi, ou será, feito. Não é nunca, para um político, um exercício fácil, sobretudo num país ainda muito marcado pelo derrotismo e tremenda falta de amor próprio. Eu por exemplo acho que quem acusa Sócrates de “apenas fazer propaganda” está profundamente enganado. Aliás, acho que o PS tem tido uma actuação deplorável nesse aspecto, não aproveitando minimamente tudo o que já realizaram, sobretudo no anterior governo, e deixando-se constantemente encostar à defesa. Tiveram o melhor ministro da economia que há memória. Tiveram a melhor ministra da educação também. Fizeram investimentos importantíssimos em investigação, em novas tecnologias, em novas indústrias de altíssimo valor acrescentado, levando a que algumas empresas nacionais (a EDP, por exemplo) sejam hoje players mundiais. Fizeram algumas das mais importantes reformas no sector público, introduzindo um nível de acesso que é elogiado nos quatro cantos do mundo. (Falharam tremendamente na justiça, mas isso fica para outra conversa…). Com o mesmo nível de actuação, o PSD já teria inscrito a fogo na história que tinham sido o melhor governo desde D. Afonso Henriques, e todos concordariam. Basta ver a aura que ainda hoje gozam os governos de Cavaco Silva.

O problema talvez seja esse: como os acusam de fazerem propaganda, têm vergonha de a fazerem para não serem acusados disso, embora sejam à mesma, perpetuando a pescadinha de rabo na boca. É o mesmo fenómeno de amochamento que se vê quando o BE os acusa de não serem verdadeiramente de esquerda, levando a reacções como a de Paulo Pedroso. Têm de se convencer que o PS é que é a esquerda, a única, a genuína, a da Bayer. A haver uma aproximação, o BE é que a deverá iniciar, não o PS. Ao PS cabe denunciar, sem dó, a fraude que o BE representa. Porque senão está a legitimar as acusações destes, e a alimentar a fuga de eleitores.

E para além disso, Sócrates tem, a meu ver, um problema de tom vocal quando fala para os eleitores, não soa a sincero (nota que estou apenas a falar em tom sonoro, sem entrar na substância do que diz), o que é péssimo para o “soundbyte”(e na política moderna, goste-se ou não, o “soundbyte” é essencial). É pouco assertivo, e faz muito pouco uso da ironia, o que em política portuguesa é fatal. Compare-se com Jardim, por exemplo, que só diz disparates mas num tom de absoluta autoridade e confiança. O famoso animal feroz solta-se apenas nos debates, depois de aquecer um pouco e usar os profundos conhecimentos dos dossiers, onde tem então performances impressionantes. Mas em eleições, talvez não chegue. Eu sei que ganhou, em condições muito difíceis, as últimas eleições, mas continuo a pensar que terá sido apenas por falta de comparência do adversário à direita, já que à esquerda as perdeu abjectamente. Se levassem as campanhas eleitorais mais a sério, deveriam ter neutralizado já o BE. Ainda hoje me custa a acreditar que, quando nas eleições europeias surgiu o dado de o Miguel Portas ser o deputado menos produtivo de todo o parlamento, isso não tenha sido martelado até à exaustão.
Mas enfim, possivelmente estou a ser injusto, mas diria uma coisa aos responsáveis do PS: parem de ter vergonha de fazer campanha, parem de ter vergonha de fazer propaganda, parem de ter vergonha de mostrar confiança, parem de ter vergonha de desmascarar os adversários, parem de ter vergonha de serem agressivos. E lembrem-se que o mais importante em política é ganhar eleições. Porque podem ter as melhores ideias, os melhores quadros, o melhor programa, a melhor ética, as melhores soluções para tudo. Se não ganharem antes de mais as eleições, de preferência com maioria absoluta, de pouco serve. Para vitórias morais, basta o Queiroz, obrigado.

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Oferta do nosso amigo Vega9000

19 thoughts on “V9”

  1. Gostei muitíssimo deste ataque semi-epiléptico do Vega9000 que presumo ser um astro bem iluminado, mais notado, por mim e por gente menos estúpida do que eu, pela referência levemente irónica às famas imerecidas, mas bem aproveitadas, que os governos de Cavaco deixaram em herança aos profissionais palamentares da social-democracia. E não só, porque este país tem muitas religiões e militantes de partidos.

    Daí a “aura”, e as auroras muito vitais e muito respondonas, necessárias aos marmanjos bem vestidos, mas fracos na arte do retruque, dum PS já fossilizado de acordo com a opinião dos médicos mais tontos deste país – isto é, sem genica, sem imaginação, sem planos de contra-ataque refilão e barulhento.

    Só o que nos falta, agora, é que este Vega-astro bem iluminado troque para miudos, em pequenos asteróides e outros corpos celestes diminutos, se ele puder e houver fundos na caixa, bem entendido, a conversa dos grandes avanços da Nação nos vários campos desde a Idade Média dos governos socialistas. Não precisa chegar à Contra-Reforma. Quando chegar à Reforma do Alegre, pare. É sinal que temos a barriga cheia.

  2. Vega, não concordo quando dizes “…o PS tem tido uma actuação deplorável nesse aspecto, não aproveitando minimamente tudo o que já realizaram, sobretudo no anterior governo, e deixando-se constantemente encostar à defesa.”
    Tens visto os debates quinzenais no Parlamento? Faço a pergunta porque ou se vêem, ou ouvem como é o meu caso, ou não se tem ideia do que se passou uma vez que praticamente não têm destaque na comunicação social. Porquê? Porque lá podemos ver que quem fica invariavelmente encostado às cordas é a oposição. E isso é algo que, pelos vistos, não interessa aos jornalistas que fazem a cobertura dos debates destacar. Longe vão os tempos em que um debate no Parlamento com um primeiro-ministro era um acontecimento, por ser tão raro. Adiante…

    Actualmente, e apesar das dificílimas condições de governação, afinal, é um governo minoritário, não esquecer que nos primeiros meses ninguém dava nada por este governo, muitos não acreditavam que Sócrates conseguisse governar sem maioria absoluta, choviam acusações de que seria o primeiro a forçar a queda do governo, que se vitimizava, etc., das coligações negativas, de todas as comissões parlamentares, essas sim com todo o destaque, podemos assistir a um primeiro-ministro, e restantes membros do Governo, bem preparados que não deixam esquecer o que tem sido feito por este e pelo anterior Governo e de anunciar o que pretendem fazer no futuro, quer para fazer frente à actual crise, quer para darem continuidade às apostas que fizeram em várias frentes, tecologia, educação (Sócrates não se cansa de falar na remodelação do parque escolar), energias renováveis, enfim, na modernização do País, finalmente. Assistimos, portanto, a um primeiro-ministro bastante assertivo e a fazer uso de ironia q.b., não vejo ali ninguém envergonhado nem com falta de confiança, longe disso.
    Vergonha deviam ter os que destacam uma décima de aumento nos números do desemprego, neste caso uma décima abre todos os telejornais, e que ignoram os números positivos relativos ao crescimento da economia, às exportações, etc., atacando todos os que lembram estes números, os que acreditam que este não é um País insustentável, pelo contrário. Para mim, nem sequer é uma questão de optimismo ou pessimismo, é mais uma questão de filha da putice.

  3. Estou em acordo com o que diz a Guida sobre o texto do Vega. Quem assiste aos debates parlamentares quinzenais é que pode ter uma noção desse debate. Se esperar para ver nos telejornais tudo é deturpado. As perguntas surgem como respostas e as respostas como perguntas. Hoje, o que está a dar é dizer mal ou contrariar o governo, vejam o caso do João Miguel Tavares. Foi a sorte grande que lhe saiu.
    Nunca na minha vida vi uma pessoa ser tão crucificada pela imprensa, comunicação social, magistratura, centrais sindicais e oposição, como é José Sócrates. Se não tivesse valor e forma de combater as corporações, estas, só o idolatravam. Como foi capaz de as combater estes querem cobrar juros e esses juros são a maledicência, a intriga e o bota abaixo.
    Todos temos a noção que era preciso combater as várias corporações mas, se essas fossem as que não nos dizem respeito era bom. Vejam outro caso: Campos e Cunha enquanto era ministro e recebia todas as mordomias, Sócrates era o maior, não disse o que diz agora. Quando uma pessoa se rege pela hombridade diz na hora o que tem a dizer. Agora só vê os defeitos dos outros quando esses resolvem entrar-lhes no bolso.
    Entendo que José Sócrates tem feito oposição à oposição, agora que uma grande parte do PS lhe tem faltado com solidariedade, isso é outra coisa.

  4. guida e Manuel Pacheco, eu reconheci no texto que Sócrates é muito, mas muito bom nos debates no parlamento, assim como na televisão. Em confronto é imbatível, algo que irrita sobejamente todos os seus opositores, que por isso não se cansam de o chamar “arrogante”. Mas os debates, como bem dizem, não passam muito para fora, e têm sobretudo interesse para os mais envolvidos na política – uma minoria da população, ou uma elite, se preferirem. Não são os debates no parlamento que moldam a opinião pública, por muito errado que isso pareça. Quando digo que o PS não sabe aproveitar o que já se fez, refiro-me ao que a mim me parece ser uma timidez dos responsáveis do PS (e não falo só de Sócrates) em fazerem passar nos media a mensagem do pais diferente que conseguiram fazer, e estarem permanentemente à defesa das acusações de outros. Dirão que os media estão contra o governo. É possível. Mas uma das grandes responsabilidades políticas, a meu ver, é precisamente esse: conseguir que os media passem uma mensagem positiva. Não bastam resultados, é preciso que estes sejam reconhecidos e divulgados, e é isso que eu acho que tem falhado. Influenciar os media – vamos aqui deixarmo-nos de lérias sobre a suposta “isenção” destes – é essencial para ganhar eleições. Ganhar ciclos noticiosos. Definir os adversários. Definirmo-nos a nós antes que outros o façam. Tudo isto é politica também. É isso que faz falta, sobretudo contra o BE, onde o PS tem muitos votos a recuperar.

    Agora isto é o que me parece, e tenho contra mim o facto, como bem apontam, de o PS de Sócrates ter ganho eleições, uma com maioria, outra em condições muito difíceis. Está certo. Mas não esquecer que as primeiras foi contra o que já se tinha tornado uma anedota nacional – suspeito que essas até o Jaime Gama, essa fonte inesgotável de entusiasmo, ganhava – e as segundas contra uma adversária que cometeu erros sobre erros, e que provou ser totalmente inepta em campanha. A sua antipatia levou a melhor. Mas suspeito que agora, com Passos Coelho, um tipo jovem, bem parecido, com um discurso sereno, outro galo cantará, daí o meu apelo a que sejam mais agressivos. Mas enfim, admito que possa estar a ser injusto.

    guida, quanto ao teu outro comentário no post original, mantenho o que disse, até por ser opinião pessoal que sei que é partilhada por muitos outros. Sócrates tem um problema de tom quando fala, e isso prejudica-o. Se é bom nos debates, onde se discute politica em mais profundidade, não o acho bom no “soundbyte”, na resposta espontânea aos jornalistas. Em parte deve-se a não conseguir esconder a irritação com a imbecilidade da maior parte das questões, creio eu. Mas são os media e os jornalistas que temos, é preciso saber lidar com eles. Pode não parecer muito importante, um “problema de diapasão” como dizes, já ouve candidatos a presidente que perderam eleições por usarem fato escuro na televisão. A imagem não é tudo, mas é muito importante.

    GiroFlé, fico feliz por teres gostado do texto.

    Val, mais uma vez, agradeço o destaque.

  5. Vega9000, disse tudo o que eu penso e não tenho a capacidade de tão bem esmiuçar o que está em causa neste momento para o PS. É que realmente, às vezes até parece que alguns socialistas têm medo de “dizer alto e em bom som” o que têm sido as reformas feitas desde 2005!

  6. Ó Vega,

    Olha que essa da “imagem e do fato escuro” na televisão em tempo eleitoral traz-me à mente a possibilidade de o publicitário e anti-publicista Valupi ser um dos costureiros secretos do Sócrates, porque este, amante de azuis jungidos ao corpo para atrair fêmeas eleitoras, mas muito pouco aventureiro, fica-se normalmente pelo anil em matéria de escuridão. E, aqui pra nós, duvido que o Valupi não cobre por isso, pois que já anda a trabalhar de borla nas funções que lhe conhecemos de marechal extraordinário na Internet para assuntos de execução sumária e genocídio pela chacota e propaganda martelante.
    Apesar de não me teres especificado nenhum dos marcos administrativos, sociais, científicos e económicos do socialismo em evolução neste periodo de amena ditadura da burguesia de baixa costura que herdámos da colecção de Abril, sinto-me como se não tivesse perdido o meu tempo todo. Até eu fiquei surpreso por ter concluido assim.

    E o teu contra-comentário aos palreio reactivo está excelente, não digo que não. Destilando o elogio: é qualquer coisa como terem-te protestado em euros e teres respondido em libras que é uma moeda mais forte.
    De modo que também fiquei feliz e contente, mas o problema das sopas politicas julianas persiste: muito caldo e pouco entulho.

  7. Vega, será que não há contradição quando dizes que Sócrates é imbatível nos debates no Parlamento e em televisão ao mesmo tempo que afirmas que o seu tom de voz o prejudica, que é pouco assertivo, que não é irónico, que é tímido, que anda à defesa? E alargas isto a outros responsáveis do PS, mas quem e onde? Tenho ouvido várias pessoas do Governo e do PS em vários contextos e não concordo nada contigo.

    Não sei o que será isso de tons de vozes credíveis, confesso que nunca me tinha ocorrido tal coisa. Seja como for, e como não deves ser o único a pensar assim, o primeiro-ministro tem de se pôr a pau, é que consta que o Passos Coelho teve aulas de canto, tem um tom de voz que alto lá. É pena é que seja tão mal aproveitado…
    Já com a questão da imagem, lá está, Sócrates é preso por ter cão e por não ter, há quem o acuse de se preocupar demais com a imagem e agora vens tu dizer que o Passos Coelho leva vantagem. Já eu quando vejo o Passos Coelho a imagem não lhe vale de nada, tenho quase sempre a estranha sensação que se apertarem com ele mais um bocadinho, lhe caem as lágrimas pela carinha abaixo, e começa a chamar por alguém para o tirar dali. Mas isto sou eu, não leves a sério. :)

  8. Existe um verdadeiro problema no passar a “mensagem”: é que a comunicação não a divulga.
    Sobre as prestações de Sócrates no parlamento ou em campanha eleitoral: a comunicação social ainda não arranjou forma de lhe cortar a palavra ou de distorcer aquilo que diz: e quando assim é, a verdade é mais cristalina e a natural superioridade de Sócrates sobre os seus adversários políticos transparece.
    Alguém, que não do PS, já alertou para a coligação “procuradores -comunicação social”. Bem se percebe que, de forma honrada, todos juntos seriam poucos para derrubarem Sócrates. Mas a história é pródiga em exemplos de crimes cometidos, por gente “de bem”, sobre inocentes.

  9. Maria da Guia, sua xuxa, quais reformas, sua cagona xuxa?
    Páre a diarreia já, beva uma coc-cola, que dessa boca só sai merda e ainda por cima merda xuxilista, carago.
    Esse gajo que bocê defende prometeu que ia tornar o país mais pobre e foi o que fez.
    ABAIXO O SÓCRATES MAIS A PANDILHA DOS XUXAS.

    Agora estás a ber-me? Não, tão olha, cabei de birar o rabo pra ti e de mandar um geiser daqueles, para ber se te calas com essa soltura. A Cláudia já te mandou tratar da caganeira, mas tu continuas a dar-nos com o cheiro. XÔ.

  10. ahahah, guida, boa resposta. Aulas de canto, priceless…
    Nota no entanto que não disse que Passos Coelho leva vantagem, digo é que, ao contrário de Santana (pelo ridículo) e Ferreira Leite (sem mais comentários), no capítulo da imagem que passa este não está em desvantagem. O que sempre marca a diferença, mas como bem dizes não é tudo, vamos ver a substância e a performance deste nos debates. Mas a calma e ponderação (eu sei, é discutível, não batas mais…) que passa terá talvez alguma vantagem contra uma certa crispação que Sócrates, que, com razão ou não, não consegue evitar. Assertivo não é zangado, é dizer as coisas com segurança sem o ar de espanto por lhe fazerem certas perguntas que vejo em Sócrates.
    E sim, acho que andam à defesa. Para que serviu, por exemplo, a participação do PS na Comissão de inquérito Moura Guedense? Não viam logo que era impossível a defesa contra “convicções” e “sensações”? Não podiam ter marcado uma posição mais forte recusando-se a participar na charada, ponto final? Deixavam-nos a falar sozinhos, e assumiam as consequências perante o eleitorado, que creio que lhes daria razão, sobretudo depois do triste espectáculo da Comissão de Ética.
    O mesmo com os ataque que já se vão fazendo ao Parque Escolar, um dos programas mais importantes para o progresso da educação já lançado. E ao programa Magalhães, igualmente. Defendem-se, sim, mas não aproveitam para atacar. Algum dirigente do PS já veio afirmar no Expresso, por exemplo, que o PSD acabaria com ambos na primeira oportunidade? Ou que, reagindo aos ataques à JP Sá Couto, acusá-los de fazerem o jogo das multinacionais em detrimento de uma empresa portuguesa. Seriam ataques injustos? Provavelmente seriam. Mas se lançam ataques injustos, há que responder na mesma moeda. Dar-se ao respeito, e perceber que as polémicas fortes são muitas vezes as mais esclarecedoras.

    Já gostei mais do ataque que Silva Pereira fez à viagem de Passos. Declarações fortes e polémicas, com garantia de contra-ataques por parte do PSD que apenas servem para manter a polémica mais tempo nos media. E a mensagem vai passando. É assim que se faz. É pena é que não se faça mais vezes contra o BE. É aí sobretudo que noto uma grande dificuldade no PS em ser mais assertivo, mais agressivo. Dá ideia que têm medo deles, medo de perderem o eleitorado mais à esquerda, que quando Louçã os acusa de não serem verdadeiramente de esquerda, alguns dirigentes (Paulo Pedroso e Ana Gomes, para dar alguns exemplos) secretamente concordam. Já vai sendo altura de os atacar a sério (e não, as vigorosas trocas de argumentos de Sócrates contra Louçã no parlamento não são ataques, são boas defesas), e teria a grande vantagem de obrigar Manuel Alegre a definir-se de uma vez. A presidência está perdida de qualquer maneira, mais vale aproveitar para “clarificar” alguns PRECs mal resolvidos na esquerda do PS. Não adaptando o discurso para ver se conseguimos recuperar esses eleitores (o que os Americanos chamam “pandering”, e a via que vejo alguns no PS seguirem), mas denunciando esse discurso, e fazendo ver às pessoas que o BE é uma fraude, não passando das velhas teorias totalitárias Marxistas embaladas em roupagem “Hip”, mas vivendo da instigação do ressentimento e da mesquinhez sob a capa de “denúncia”. Não me esqueço do dirigente do BE em Castelo branco protestando contra o ensino do Inglês nas escolas, por se tratar da linguagem “dos imperialistas”. Enfim.

    Mas como bem dizes, isto sou eu, não é para levar demasiado a sério ;)

  11. Vega, gostavas que o PS fosse mais agressivo, mas o Governo é minoritário, tem de negociar com a oposição. E nós temos uma oposição, toda ela, muito sensível. Ainda ontem, provavelmente em resposta às tais críticas do PS à visita de Passos Coelho a Espanha, o Miguel Macedo acusou o Governo de insensibilidade, arrogância, prepotência, enfim, o costume. Agora são a ‘alternativa’, mas não saem deste registo. Não sai dali uma ideia (tirando o corte de nos salários dos funcionários públicos), não fazemos a mínima ideia do que pensa o PSD em relação às apostas que têm sido feitas pelos governos de Sócrates. Se vão continuar a investir em ciência e tecnologia, nas renováveis, só para dar um ou dois exemplos. Agora estão em modo ‘lideramos as sondagens, vamos ganhar as próximas eleições e depois logo se vê’. E assim torna-se difícil o tal debate de ideias, que no fundo é o que defendes quando criticas o facto do PS não tirar mais partido da obra realizada pelo anterior governo. Se a oposição, incluindo os partidos mais pequenos, fizesse aquilo para que é eleita, apresentava as suas ideias (isto sou eu a delirar) e o PS e o Governo defendiam as suas. Assim, é como estar a falar para uma parede. Talvez o líder do PSD nos surpreenda hoje com o seu discurso. Mal posso esperar… :)

    Quanto ao Bloco, achas mesmo que o PS e o Governo deviam

  12. (desculpa)

    … dar-lhes essa atenção toda? Para o Louçã tanto faz que seja o PS como o PSD a governar, é-lhe completamente indiferente a situação do País. Portugal podia tornar-se uma potência mundial que o discurso dele não mudaria. Percebe-se que haja alguma indiferença por parte do PS. E é claro, não concordo quando dizes ‘que dá ideia que têm medo deles’. :)

  13. Em resposta a Guida: É verdade que o discurso do Bloco não mudará, mas isso é o discurso e isso são os líderes, que estabeleceram entretanto com o PS uma tensão impossível de recuo. Entre os votantes no Bloco penso, no entanto, que haverá quem possa perceber (se vigorosa e definitivamente desmistificado pelo PS) que o ideário bloquista não leva a lado nenhum, é protesto pelo protesto, é pouco sério, no fundo é retrógrado, e que há lugar no PS para quem queira fazer “mesmo” alguma coisa pelo país, com base nos valores da esquerda. É que os votos perdidos no Bloco fazem muitíssima falta ao PS. Além disso, acho que se alguma coisa distingue Sócrates de governantes anteriores é a vontade de fazer coisas, de modernizar e fazer mexer o país – infra-estruturas, novas actividades económicas, qualificações, mentalidades. E não só a vontade. É sobretudo a passagem à prática. O PS deve apelar a quem tenha vontade de entrar nesse comboio.

  14. Concordo, Penélope. O PS deve fazer esse apelo, e faz. Daí o post que deu origem a esta discussão. Sempre que o primeiro-ministro realça os aspectos positivos é acusado de optimismo alucinado ou coisa parecida. Não é fácil afinar o discurso. :)

  15. Ver entrevista de Sócrates de hoje (14 de Julho) ao Financial Times.

    Quanto ao Passos Coelho, é verdade que tem uma boa voz, mas está à vista que eles lá já perceberam que quanto menos falar, melhor, porque o homem não tem bagagem nenhuma, está completamente verde. Anda a tentar estudar o liberalismo em 20 lições (vai na 8ª) para se poder apresentar com alguma ideia diferente, sabendo nós, e ele, que a maior parte das pessoas não faz a mais pálida ideia do que ele está a falar, nem das consequências práticas, mas que isso não importa. Para quem lhe dá votos nas sondagens, ele é uma ideia, um imaginário com uma voz serena. Mas são sondagens, sem ambiente (como se diz agora) de eleições próximas. O problema é que, a haver eleições, ele vai ter de debater, de ir para o palco sem ponto, de mostrar que tem ideias próprias e isso não vai ser nada fácil

  16. Penélope, totalmente de acordo. Acho graça a quem já saliva com as sondagens, sem perceber que normalmente, antes das eleições, há uma coisa chamada “campanha”, onde se insere outra chamada “debates”. E o Sócrates, pese as falhas que lhe aponto noutras áreas, está aí no seu habitat natural e na posição de predador. Cometem o mesmo erro que já vimos após as Europeias, onde a vitória do PSD nas eleições seguintes eram favas contadas, segundo os nossos iluminados comentaristas.

    guida, concordando com o que dizes, acho que o PS descura o BE por sua própria conta e risco. Daí o meu apelo a maior agressividade. Creio que há ainda a tendência, entre alguns no PS, de duas coisas: achar alguma graça ao Bloco, por um lado, e não os levar muito a sério, por outro. Para mim, ambos são um erro. Como se viu nas ultimas eleições. E como se viu na chantagem de Alegre.

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