Uma ligeira evolução

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José Manuel Fernandes afirma, no seu “Público”, que, se fosse hoje, continuaria a defender a invasão do Iraque.
Num artigo intitulado “Dever e haver da invasão do Iraque”, ele descobre que, apesar das mentiras, do descontrolo total e da absoluta falta de planeamento para o pós-invasão, apesar do clima de guerra civil que já se vive no Iraque, apesar dos desmandos, das torturas e das arbitrariedades; apesar do fortalecimento de todas as facções fundamentalistas no mundo árabe… apesar de tudo, valeu a pena. Isto porque se calhar estaria tudo pior se tivesse sido tomado outro caminho qualquer.
Bem, pelo menos numa coisa a situação evoluiu. O jornal de José Manuel Fernandes já não apõe aspas à palavra “invasão” neste contexto, como fazia há precisamente dois anos.

23 thoughts on “Uma ligeira evolução”

  1. eu só gostava que me explicassem, aqueles que defendem a retirada, qual seria a vantagem e o que aconteceria se as forças aliadas simplesmente saissem. tou curioso de saber o que estas pessoas que foram à manifestação ou a apoiaram defendem realmente. gostava pronto…

  2. “O marquês de Pombal é tão genuinamente Paço Arquiano quanto aqueles a quem combateu e esmagou, os Jesuitas”

  3. E mal estaríamos se não aparecesse logo um Jeremias errante. Quer dizer que agora cabe a quem se opôs à invasão explicar ao invasor o que tem a fazer…
    Mas talvez uma força de interposição da ONU maioritariamente composta por efectivos de países muçulmanos seja uma boa forma de tentar evitar que a guerra civil se instale de vez. Ou talvez fosse boa ideia começar pelo empenhamento de unidades militares ocidentais menos “liberais” no uso da força e mais habituadas a lidar com civis. Não é com disparos de tanque contra tiros de espingarda para o ar que se conquistam populações.

  4. “A esquerda acusa a direita de não respeitar os costumes e tradições dos outros povos. Penso que a prática indiana do «suttee», ou seja, o hábito entre as viúvas de se imolarem, ou de serem imoladas, na pira funerária dos respectivos maridos, deveria ser restabelecida no nosso país. Assim o Louça e a anã Drago ficariam sexualmente mais contentes.” – Q.B.

  5. Quando os USA foram corridos do Vietname, não se resolveu o problema? Só se resolve mesmo quando partirem. Todos os que invadiram um país soberano. Todos mesmo. Os “indígenas” hão-de se entender. OS invasores são parte do problema, nunca serão solução.

  6. …e a Guerra do Vietname também começou com uma mentira alimentada pelos serviços secretos estadunidenses.

    Numa guerra as armas são as únicas que falam verdade, só acertam nos sítios para onde estão voltadas. Erros de mira incluídos.

    Os soldados matam porque são colocados perante a situação de matar ou ser morto. Os abusos não são acréscimos infelizes, como pretendem os crocodilos que nos pretendem fazer crer que há guerras higiénicas. Os abusos são a consequência directa da guerra, o abuso supremo.

    Os verdadeiros assassinos são a gente da laia desse tal de Manuel Fernandes, sempre pronta a alimentar os canhões com mais carne. Ensopam as folhas dos pasquins dos seus patrões com o sangue dos outros.

    Pretendem julgar aqueles recusam o morticínio, moralizam sobre aqueles que não querem ir para as trincheiras dirigidos pelos generais de televisão.

    Canalha desta também existia antes do 25 de Abril. Exultavam os jovens para irem morrer no ultramar – enquanto safavam os seus para Paris.
    Nojo é o que metem.
    O Inimigo está no nosso país!

  7. Essas 5000 pessoas diziam todas a mesma coisa, mas não sabiam que estavam a dizê-la: que a democracia é impossível no Iraque (tal como o era para Portugal, segundo Salazar) e que, mal por mal, mais valia Saddam Hussein; que a morte, a tortura e a violação dos direitos humanos são um dado adquirido no Iraque e que, se não nos intrometermos, deixarão de ser um problema nosso.
    Dizem essas cinco mil pessoas, por fim, que a melhor solução é encontrar um ditador disponível para tomar conta daquilo e aglomerar tudo outra vez, à custa de torturas, genocídio, violações dos direitos humanos. Mas longe dos nossos olhos e da nossa responsabilidade.

  8. A “tentativa” de “mea culpa” de José Manuel Fernandes é patética.

    Para além de claras desonestidades intelectuais como dar a entender que por os iraquianos terem votado em partidos anti-Saddam, então estes teriam implicitamente apoiado a invasão, e de continuadas mentiras como a de que os relatórios dos serviços secretos ocidentais demonstravam inequivocamente que Saddam tinha ADM, JMF refugia-se no cúmulo da irresponsabilidade: se não tivesse sido assim podia ter sido muito pior…. mas também podia ter sido menos mau, e sem possibilidade de aferir a probabilidade de diferentes cenários, o argumento é simplesmente irrelevante e cobarde. O que sabemos é que, reduzindo ao essencial, dezenas de milhares de pessoas morreram com a invasão do Iraque. Mas JMF nem o menciona, para ele é irrelevante. E demonstra que continua a não compreender o cerne da questão, como se diz, e que na verdade não tem um mínimo de arrependimento da sua posição. É que a invasão do Iraque foi um erro não porque não foram descobertas ADM ou porque não existe uma bela Democracia no Iraque, mas sim porque os fins nunca podem justificar os meios, e em particular a morte de pessoas nunca pode ser esse meio, nunca. E foi por causa disso, por uma questão de princípio e não porque andaram a “ler relatórios dos serviços secretos”, que milhões de pessoas se opuseram à invasão do Iraque. Vou repetir caso JMF alguma vez leia isto: opuseram-se à invasão do Iraque porque nada justifica matar pessoas, e por isso estavam certos e JMF errado. Ele continua a não perceber.

    Bom, suponho que pelo menos o Grupo de Operações Especiais já sabe: se alguém entrar na redação do Público, disser que tem uma bomba poderosa que vai detonar, e tomar o JMF como refém, matem-nos logo como prevenção senão mais gente pode morrer. Podem estar descansados que o JMF aprovaria.

  9. As sondagens demonstram que 70% dos europeus, incluindo os portugueses, desaprovam a aventura criminosa dos bushistas no Iraque… E JMF é um porco nazi-bushista, como antes era um porco maoista…. A sua credibilidade é zero ! Que vá dar o coirão para o Iraque.. A resistência tratará desse biltre e agente da CIA…

  10. Estes fanáticos de causas são perigosos…e se forem orfãos de ideologias fundamentalistas que entretanto os tempos se encarregaram de desmistificar e de revelar a sua crueldade intrínseca, ainda pior…Vi recentemente este JMF na televisão a questionar dois ministros sobre matérias tão distintas como são a Segurança Social e a Comunicação Social e voltei a arrepiar-me: juntava a uma ignorância crassa sobre as matérias em discussão, um atrevimento, arrogância, pesporreia – estilos muito treinados durante os longos estudos dos livrinhos do Mao, a sua interpretação, o combate aos desvios …repito, esta não é gente de bem, e a necessidade imperiosa de pertencer a um rebanho ideológico, de preferência que esteja na moda, suscita um profundo repúdio pelo que guardar uma certa distância é saudável…

  11. Tudo bem com a manif, mas queria ver os 5.000, se tivessem idade para isso e as circunstâncias o permitissem, numa manif contra a invasão da Checoslováquia pela URSS…
    O que irrita profundamente nestes gajos é as ratazanas são sempre as mesmas.

  12. Queixas de um republicano, ex-chefe de gabinete de Collin Powell…

    COLONEL LARRY WILKERSON: Yes and I’m very concerned about that as a citizen. My mum wrote me a letter the other day and she said, “Son,” – she’s 86 years old – she said, “Son, please don’t become a Democrat”. And I told my mum, I called her and I said, “Mum, you know what? I want my party back. I don’t want to become a Democrat. I want my party back.” The Republican Party that I knew, that I grew up in, a moderate party, a party that believed in fiscal discipline, a party that believed in small government, a party that had genuine conservative values. This is not a conservative leadership. This is a radical leadership. I called them neo-Jacobins. They are radical. They’re not conservative. They’ve stolen my party and I would like my party back.

    O nazi-bushismo em todo o seu esplendor ! HEIL BUSSH

    Deranged, Disconnected, and Dangerous, by Paul Craig Roberts

    Not since Abraham Lincoln have American civil liberties been so threatened as by the Bush regime. America even has an Attorney General, a Vice President, and a Secretary of Defense who believe in torture. How do they differ from officials in the Third Reich or Stalin’s KGB? Anyone who believes in torture is not an American.

  13. porque é que foram buscar os numeros da manif de 2004? os numeros da manif de 2006 já não são tão fashion, pois não?

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