Um quadro

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Quando era pequeno, ir a casa dos meus avós era uma aventura fantástica: passava pelas salas, em que a lareira crepitava, e em que se sentia também o cheiro do couro dos livros. Abria as portas e subia umas escadas em que os quadros se amontoavam. No cimo de tudo, antes da enorme vista para o Tejo, estavam dois quadros de Mário Eloy: este e um outro em que a mesma mulher surge na mesma posição, mas vestida. Uma espécie de exercício de Goya, entre Maya vestida e Maya desnuda.
O meu avô, que era ateu graças a deus (reparem na minúscula), não comemorava o Natal, apenas assinalava o ano novo.
Infelizmente, nenhum dos meus avós é vivo: talvez por isso, mais do que pela indiscritível musiquinha, esta época me irrite tanto.

5 thoughts on “Um quadro”

  1. Grim,
    Infelizmente esses Ramos de Almeida do Porto não são da família.

    João Pedro,
    Este foi vendido a um museu. E outro, salvo erro, a um colecionador. Enfim, partilhas e heranças. A mim restou-me um Lima de Freitas e umas gravuras do Bartolomeu. Mas vou tentar encontrar o outro na Net e depois “posto”.

    Andronicus,
    O Lucas sabia muito…

  2. Depois da resposta que deste ao Grim fiquei a pensar que não concordo contigo. Na verdade somos, pelo menos, todos primos uns dos outros – os do Norte e os de Lisboa e de todo o lado. Se os teus pais eram dois, os teus avós quatro e os pais desses 8, e por aí fora, repararás que ao fim de 50 gerações (1250 anos)a população do globo supera os cálculos mais realistas, quando a começamos do avesso. A menos que consideremos o carácter incestuoso da Humanidade e daí a conclusão de que somos todos primos uns dos outros mesmo que não tenhas “nada” a ver com famílias do Norte ou do Sul que sempre se deram tão bem com o PCP.

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