TLEBS, a fatal

A nova Terminologia Gramatical, a soturna TLEBS, é um caso banal e entediante de correcção política. Como qualquer outra, também esta provém duma grande insegurança interior. A fim de acalmar os demónios, o indivíduo aumenta a precisão formulativa, uma mesma, sem tirar nem pôr, que faz dum «surdo» um «ouvinte alternativo».

Num artigo no «Expresso» de hoje, Miguel Sousa Tavares atira-se aos linguistas. Errado, errado. A Tlebs nada tem a ver com a linguística. É, como afloração do politicamente correcto, o mais puro «eduquês». O tal. O de sempre.

Ó excelso Ministério! Mas isto, o mando dos ayatolas, não vai parar nunca?

One thought on “TLEBS, a fatal”

  1. Ao remexer o baú das velharias encontrei uma pequena brochura na qual estão compiladas crónicas publicadas em «A BOLA» nos anos 70 e 71, antes, portanto, do 25 de Abril. Reli esses textos com prazer, até porque remetem-me para a idade da inocência.
    Vivia-se em plena censura e «A BOLA» não era excepção. Eu próprio testemunhei inúmeros textos cortados com o lápis azul, mas essa é outra história… Carlos Pinhão convidou vários escritores para colaborar em «A BOLA» e essas crónicas estão reunidas num pequeno livrinho, editado já depois do 25 de Abril pela então Direcção-Geral dos Desportos. Trata-se de um documento importante, até pela forma como mostra que a censura também podia ser (e foi) «fintada».
    Urbano Tavares Rodrigues, Ruben A., Luís de Sttau Monteiro, Artur Portela Filho, Manuel da Fonseca, Baptista Bastos, Romeu Correia,Oliveira Salazar, Ruy Belo, Antunes da Silva… Estes alguns dos autores dessas crónicas esquecidas. Como aperitivo, reproduzo aqui uma parte da crónica de Baptista Bastos:

    «Agora, nesta máquina onde redijo um português incompetente, o português incompetente que sou lembra-se de uma voz antiga que vem dele e dos da seita: feito ponta-esquerda de um desafio singular, onde uma data deles jogam à direita, com árbitros comprados, com aplausos pagos pelo preço do tostão, feito ponta-esquerda desse desafio – como poderia ser campeão? Ou desportista?
    O Bastos, que foi amigo íntimo de um desta casa, diz-me, muitas vezes, quando a raiva me possui e a escrita não é tão livre quanto eu desejaria; quando, no futebol distrital, que é o desta nossa vida comovida e discreta, eu leonizo contra tudo o que é faz-se ismo; quando bebo de mais porque a tristeza é o vinho da vingança; quando, quando isso tudo, o Bastos, meu velho campeão falhado, que me fez e aqui estou, grita assim:
    – És parvo ou quê? E então o Cândido; e então o Cândido, puto da minha vergonha! Ele também jogava na ponta-esquerda!
    (E aí, companheiros, eu volto à escrita: foi ontem, é hoje, será amanhã. Campeões sem murro certo, com a certeza de que, mais dia menos dia, os Baptistas, os Bastos de todo o mundo vão acertar no semovente alvo da felicidade.)»

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