Redacção: «A minha escola»

escola-1.jpg

Um fulano ouve falar dos sombrios anos trinta. Mas os de cinquenta não foram menos soturnos, pelo menos na Escola número 7, a São Bento, Lisboa. Nas primeiras classes, ainda entrava o sol das traseiras, da Rua Poço dos Negros. Mas depois passava-se ao lado de frente, onde nunca batia um raiozinho. Isto quanto a sombridades físicas. Do resto, sabe-se.

Pois nessa escola aprendi eu o essencial: ler, escrever e contar. Acompanhou-me, desde o primeiro ao último momento, a professora Noémia Brito Moreira (de que se falou uns posts abaixo). Severa, incapaz de um sorriso, de uma graça, mas competentíssima. Honra lhe seja, Senhora. Viva em descanso.

Ali estamos nós. Mais ela. Dos meus colegas quase nada sei. Debandei logo para Braga, onde me mantive oito anos. Mas, à minha esquerda na foto, de blusão claro e gravata escura, está o Lino, que a estultíssima Guerra Colonial ceifaria, na idade de 20 anos. E em baixo, à direita, o Luís Filipe Pereira, que seria ministro da Saúde. De calças curtas, ri bem-disposto. Estava-se em Maio de 1954.

escola-2.jpg

FCAP-p071005.jpg

Conhecerá você, visitante, alguém mais?

7 thoughts on “Redacção: «A minha escola»”

  1. Excelente mudança fotográfica, Fernando. Ele até já nem olha de frente, reparaste?
    (há duas gravatas escuras. esquerda de quem olha ou à tua esquerda?)

  2. Sinhinho,

    Eu pensava que era claro. Explicito, pois: à esquerda de quem olha, à minha direita.

    E depois: eram, para LFP, tempos despreocupados.

  3. Fernando,

    Pois eu topei-te logo, mesmo antes de ler o texto acompanhante, só de me lembrar duma outra foto que aqui há tempo nos mostraste. Que bonita colecção de crianças do salazarismo! E quase todas sorridentes na adversidade.
    Belos tempos do Malenkov, noutras paragens e do vinho a três escudos o litro. Ou por aí.

    TT

  4. Valupi,

    Tenho de confessar que também me dá essa impressão. Mas era ali, a olhar para o passarinho. Não é essa a lembrança que teremos guardado dela. As mãos da alma ainda me doem das reguadas.

    Pois é, tempos sorridentes, TT.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.