Não há bela(s) sem senão(s)

Tenho visto a espaços e por períodos curtos o novo entretenimento televisivo “A Bela e o Mestre”, que passa diariamente na TVI.

Uma coisa é certa: se a cultura está ao alcance de todos (principalmente a chamada “cultura de jornal”, que sempre ajuda), já o mesmo se não pode dizer da beleza. Um ponto, pois, a favor das “belas”. As raparigas, todas elas, foram escolhidas a dedo (tenho a certeza!). Mesmo ao “natural”, sem pinturas, sem saltos, sem penteados ou vestidos caprichosos, merecem bem a metade do título que dá o nome ao programa.

O que me espanta é que sendo as “belas” tão jovens (uma delas fez há dias 19 anos), afirmem repetidamente: “ Eu sabia isso. Eu estudei isso. Mas já não me lembro…Foi há tanto tempo!”. Por este andar, ninguém chegava a “mestre”! Ponho mesmo a hipótese, com o correr dos anos, de que um dia, eu própria, venha a esquecer como se escreve o meu nome e tenha de assinar em cruz!

Bom, mas a vida está má, e sempre são vinte mil euros. Conforme diz o anúncio “há quem faça tudo para ter € 6000 ”… Pois aqui têm a resposta.

Soledade Martinho Costa


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Depois, quem sabe, podem abrir-se algumas portas: as da TV, do mundo da moda (se perderem uns quilitos), da fotografia, das “floribelas”, dos “morangos” (se acabaram faz-se mais), e por aí fora.

Clara Pinto Correia quis saber se tanta ignorância junta era mesmo verdade ou falseada. A resposta veio pela porta-voz das “belas”: “Era mesmo verdade. Não estavam ali a fazer um “papel”.

O programa precisava de raparigas bonitas, mas ignorantes até dizer chega. Encontraram estas (tarefa facílima, aliás), e pronto.

Visto bem, o que é isso de cultura? Ou, mais propriamente, de cultura geral? E pergunto: serão os estilistas cultos? E os modelos? E as concorrentes a “misses”? E os cantores, serão cultos? E os músicos? Os jogadores de futebol, serão cultos? E os presidentes dos clubes?

Cultura é estudo (sem dúvida), conhecimento, observação, atenção, discernimento, capacidade, intuição, vontade de saber, de conhecer (viajar também ajuda) e muito mais, naturalmente. É ter bons mestres. É ter um bom Ensino. É, ainda, ter a vida e o Mundo a ensinar. Mas nem sempre a inteligência é sinónimo de cultura, nem a cultura sinónimo de inteligência!

Um cabeleireiro famoso pode não ser culto. Assim como uma modelista badalada, um pianista consagrado, um poeta galardoado, um óptimo cantor ou um excelente músico podem não ser cultos. Serão os dois apresentadores do programa pessoas cultas?

Seguindo este raciocínio, também as “belas” desempenham as suas profissões. Nenhuma delas é culta. Muito pelo contrário. Nem queria acreditar, quando uma “bela” não reconheceu o retrato de Camões! Parece-me impossível que outra não saiba o que foi o 25 de Abril. Que soletrem “suprêsa” repetidamente. Que digam “multimato” em vez de ultimato ou que não saibam escrever D. João III (“como é que faço para escrever o dom e o terceiro?”).
Se as perguntas incidissem no conteúdo das revistas cor-de-rosa, nas tricas e truques dos chamados famosos, nas diversas maneiras de perder peso, na maquilhagem, nos enredos das telenovelas, as “belas” batiam com certeza os “mestres”! Quem sabe se esta não será uma outra forma de cultura? É claro que depende do ponto de vista (ou das dioptrias!) …

Agora que a cultura é uma coisa bonita, que marca pontos a favor de quem faz bom uso dela (principalmente em sociedade) é uma verdade.

Gostaria de voltar a este assunto, mas pegando por outra ponta da meada (ela tem muitas). O que disse a ministra da Cultura e o que dizem as senhoras da Comissão para a Igualdade dos Direitos das Mulheres (CIDM) relativamente a este reality show.

Por agora, limito-me a lembrar o anúncio televisivo sobre o queijo limiano: “Eles podem não saber nada sobre cultura, mas sabem tudo sobre queijo!”.

Soledade Martinho Costa

13 thoughts on “Não há bela(s) sem senão(s)”

  1. Emilio Zola.
    Membro do livro pensar,ateu e scientista ataca com vigor no livro..La faute de labbé Mouret..1875 ao catolicismo e ao celibato dos padres,que transforma o desejo natural em raivas das mulhéres justo ao mistico que léva a loucura.
    Teriam sido escolhidas por um padre em falta de meiguices?O um desses psicopatas que invadiram as tv’s?

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    Uma Páscoa Muito Feliz, deseja a Daniela

  3. Clara Pinto Correia quis saber se tanta ignorância junta era mesmo verdade ou falseada.

    Essa Clara Pinto Correia é a mesma que foi apanhada a fazer cópias de crónicas publicadas em revistas americanas e a publicá-las como suas (dela) na Visão?
    Ignorância, pois…
    [nunca vi nem tenciono ver o referido programa, a minha televisão têm um botão para a desligar e vários para mudar de canal]

  4. Os Japoneses dizem que o Homem é como um T, aprende várias coisas e só aprofunda uma.
    ……………

    Diga lá Soledade, para além do Serão (que afinal, dizem os experts, era senão) e deste senão, o que lhe desperta a alma senão isto?
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    sim, senão isto.

  5. Escrevi no texto que o valor do prémio era de 20 mil euros, quando deveria ter escrito 100 mil euros. É no que dá estar a pensar (ainda) em escudos e a escrever em euros. Peço desculpa. Realmente, seria um preço demasiado baixo para comprar (ou vender?) tanta ignorância…

    Daniela:
    Retribuo os simpáticos votos (e o grafismo) de Páscoa Feliz!

    Pedro Oliveira:
    Se não assistir aos programas de televisão (nem dando só uma olhadela), como poderá avaliar se são bons, maus ou assim-assim? Nem sequer havia críticas: boas, más ou assim-assim…

    Soledade Martinho Costa

  6. Muitas outras coisas, Sininho, muitas outras coisas…”Isto” faz parte da sociedade que é a nossa. “Senão”, seria o paraíso! Quanto aos Japoneses, concordo: sou eu que estou errada; as “belas” é que têm razão…

  7. SE a Soledade NÃO nos mostrar o seu melhor SENÃO eu vou acabar por acreditar que as “belas” é que têm razão… e, por isso, nos preenchem ¾ do SERÃO nacional televisivo.

    Por exemplo, a Soledade começa por dizer que “As raparigas, todas elas, foram escolhidas a dedo (tenho a certeza!).”. Refere-se à beleza, não é?
    Mas, mais à frente no seu texto, também diz “O programa precisava de raparigas bonitas, mas ignorantes até dizer chega. Encontraram estas (tarefa facílima, aliás), e pronto.”
    Então, belas há poucas mas belas e ignorantes há muitas, é isso?

    Cultive-nos sobre a beleza, por favor.

    [Pedro Oliveira, sabes o que gosto em ti? As tuas alergias são tropicais.]

  8. SE belas há poucas, NÃO sei. Nunca as contei. Nem refiro, no meu texto, se há poucas ou muitas. Agora, Sininho, belas e ignorantes,lamento confirmar: há muitas, acredita.
    Mas não penses que passo a vida a interrogar-me, sempre que vejo raparigas belas: SERÃO ignorantes ou cultas?
    Quanto ao cultivo da beleza, é um bocado como o cultivo da abóbora: há várias espécies. Neste caso, duas: a beleza exterior e a interior. A qual te referes? Olha que a segunda costuma ter muitos apreciadores…

  9. Porque a primeira não? Engraçado. Eu que achava que a calicracia já era um dado adquirido…

    Às vezes até penso que não se devia dizer “costuma ter” mas sim “gostuma ter”. É uma questão de gostos ou não é?

  10. (eu só vim aqui morder uma kpk, antes de xonar; atão o rapaz está na cruz e vcs andam aqui aos piropos? hasta…)

  11. A cruz é so para Inglês ver,e o rapaz nâo existe.Se existe um deus é uma ”Bruta”bestialidade Mark Twain

    Si existisse um deus eu nâo gostaria de ser esse deus.A miséria do mundo quebrava-me o coraçâo.Artur Schopenhaur,im Parega

  12. Soledade Martinho Costa.
    Tremor de terra no México mata milhares e milhares de feridos.O Canada envia viveres,a Europa envia viveres e dezenas de médicos,o Venezuéla e a Arabia enviam do petroleo U.S.A enviam 2 milhôes de Mexicanos,Portugal em despeito da padralhada envia as Belas do Mestre para nâo se esquécerem quantos sâo 2+2

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