Motherfucker, moi?

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Bem podem andar por aí os desordeiros do costume a berrar que o Human Rights Violations Report apresentado ontem pelo Departamento de Estado americano deixa de fora um prevaricador de peso: os próprios EUA. Mas não. Nada disso; hoje em dia, os bravos yankees até são capazes de alguma autocrítica. Se procurarem o capítulo dedicado a Cuba, verão logo que o relatório descreve com minúcia a forma como os direitos humanos são trucidados em Guantánamo on a daily basis:
• denial of fair trial, particularly to political prisoners
• severe limitations on freedom of speech and press
• beatings and abuse of detainees and prisoners, including human rights activists, carried out with impunity
• extremely harsh and life-threatening prison conditions
• interference with privacy, including pervasive monitoring of private communications
• denial of peaceful assembly and association
• restrictions on freedom of movement.

Na ficha do Afeganistão também não se deve dar com qualquer menção a Bagram… E por aí fora, de continente em continente. Assim vai o auto-proclamado farol da liberdade e da decência no mundo.

11 thoughts on “Motherfucker, moi?

  1. Se não fossem as mais de cinco mil baixas norte-americanas na praia de Omaha, no dia D, não tinhas um blogue nem podias escrever o que te apetece, agora. Pois. Hummmm…

  2. Há conversas estúpidas, mas há outras que aborrecem: se não fossem as duzentas e cinquenta e cinquenta mil baixas russas de Stalingrad, estarias agora, ò Máquina Zero, a cantar o Deutschland Uber Alles…

  3. Há conversas estúpidas, mas há outras que aborrecem: se não fossem as duzentas e cinquenta e cinquenta mil baixas russas de Stalingrad, e estarias agora, ò Máquina Zero, a cantar o Deutschland Uber Alles…

  4. Podemos sempre acrescentar os pilotos da RAF, a Resistance e o maquis, que foram preponderantes para o dia D, os Partisans jugoslavos, etc, etc.
    Quanto ao relatório do Departamento de Estado, dá para tudo menos para admirar: nenhum organismo semelhante, fosse noutro país qualquer, relataria os seus próprios casos.

    De qualquer maneira aposto que já lá virão os habituais animadores de serviço, aos berros de “anti-americanos” e “pactuantes com o “terrorismo”.

  5. Luís,

    Ainda bem que resolveste voltar para provares que ainda tens vontade de salvar este blogue da maldita asma que o sufoca. Tudo tem andado realmente mau por aqui, na minha opinião. A impressão que tenho é que a Rua da Maçonaria e seus representantes tomaram conta desta merda e duvido muito que vás conseguir sacudi-los, mesmo que voltes a contribuir com a regularidade a que nos habituaste. Estes gajos quando se agarram são piores que as carraças.

    Enquanto andaste ausente, o que é que lemos? Praticamente nada de interesse, excepto uma ou outra intervenção do Fernando Venâncio para meter os pontos nos iis.

    Alguns poderão alegar que é bom sabermos que o Nuno Ramos de Almeida se farta de andar de avião na Ibéria e que nem sequer é ele que compra os bilhetes. Eu não, especialmente quando estou a comer as minhas cavalas grelhadas de homem pobre e pouco viajado que lá vou regando com um chàzito de Ceilão.

    O Figueira é outro que se foi abaixo das canetas e já não vai em posts compridos de fazer pensar nem em ensaios definitivos sobre as diferenças enormes entre gulagos e campos de concentração.

    O Valupi, idem. Mete um boneco de vez em quando para nos fazer rir a bandeiras despregadas e gargalhadas cómicas e hilariantes e ajudar-nos assim a esquecer a sangrenta, injusta e malvada imperialista guerra do Iraque. Quando ele descobrir que o imperador Constantino era britânico e que o Êxodo do Egipto do Povo Eleito nunca aconteceu, então é que vai ser o bonito. Ou não vai. Tudo depende da progressão da sua visão straussiana de capitalismo excelentíssimo que não explora os pobres.

    Estamos portanto à mercê da veia desinflamada e dos posts brilhantes e a pontapé do RDM. Tempo de descanso para as lagartixas. O José Mário Silva vem aqui praticamente para anunciar roçares de cús culturais nas cadeiras de verga do Jardin de Inverno e nem sequer tem a coragem de nos contar quem é que financia ou impulsiona essas coisas.

    Como resultado, grande parte dos nossos comentadores habituais desertaram. Uns foram ao espectro debicar o milho professoral para galinhas chocas do VPV. Outros nem isso. É que nem sequer a Margaridieva Aldrabanova cá vem ao Aspirina B. Prova de que este bolgue já não representa perigo ou salvatério para a propaganda do PC proletário. Isto anda realmente de rastos. Escreve pelo menos um post por dia, curto, electrico e direito aos corações. É a nossa única chance. Senão continuamos a ser os Portugueses do costume.

  6. Tiozinho,

    Eu cá só me começarei a preocupar realmente quando os Bigornas desertarem: a velha história dos ratos no navio. Quanto ao resto, não “voltei”, pois para tal seria preciso que eu tivesse saído, quando me limitei a aquiescer a outras exigências mais prementes. Mas mesmo elas tenderão a abrandar o seu apetite pelas minhas horas. Digo eu.

  7. Pois. Os americanos têm que ser perfeitos. Os iranianos podem cortar a mão aos ladrões. É uma questão cultural. ainda gostava de saber onde é que preferias viver, se em Los Angeles ou em Teerão…

  8. Máquina Zero,

    Ninguém “tem” de ser perfeito, naturalmente. Mas reconheces por certo que tem o seu quê de cómico vermos o Dep. de Estado a acusar Cuba de coisas que por lá também pratica. Mais seriamente, trata-se de uma inevitável e evidente perda de autoridade moral, aliás já assinalada por todo o lado (e sobretudo por quem não liga grande coisa a essas parvoíces dos direitoos humanos).

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