Marrocos pelos olhos de Sininho

A nossa estimada visitante (poderemos dizer comensal?) que assina Sininho enviou-nos fotos
que fez em Marrocos, mais exactamente em Chefchaouan, bela cidade nas montanhas
do nortenho Rif. O editing, e o prazer, são nossos.

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25 thoughts on “Marrocos pelos olhos de Sininho”

  1. Então cá fica a história do personagem da primeira fotografia: o Ahmed português, guia turistico oficial de Chefchaouen

    A VIAGEM ATÉ À LUA(pois é assim que ele a define)

    Quando o Ahmed era pequeno, um casal de portugueses de passagem por Chaouen, encantou-se pelo rapaz e convidou-o a vir até Portugal.

    O Ahmed veio e foi estudar para o, então famoso, Colégio Moderno. Com o tempo a sua relação com o Pai adoptivo degradou-se e ele passou a frequentar o Colégio no regime interno, passando a conviver de perto com o Marocas, a Barroso e os filhos, que eram seus colegas e de quem ele fala com muito carinho, sobretudo da Isabel Soares.

    Ao fim de um ano ou dois (já não me lembro) os seus novos Pais decidem voltar a Marrocos e levam-no com eles. Passaram em Chaouen onde deixaram o Ahmed durante o tempo que viajavam pelo país.

    Quis o destino que eles tivessem um fatal acidente de viação.

    Quis Allah que o Ahmed ficasse novamente em Chaouen.

    Então que diz o Ahmed?

    Fixe radical!

    Somos todos Alentejanos marroquinos!

    Fui Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiim! à Lua e depois perdi tudo, lá em casa é tudo “plástico fantástico”.

    Não tenho a Caixa Geral de Depósitos mas tenho a minha “Caixa Geral de Documentos” (a sua mala onde guarda fotografias com os mais famosos que por ali passaram, cartas e inúmeras recordações de Portugal)

    Na sua preciosa caixa geral de documentos encontram-se fotografias com o Mário Soares aquando da sua visita oficial a Marrocos em que o foi visitar, com o Vitorino e o Janita Salomé, cd’s dos Delfins, o seu passaporte português caducado, fotografias do Luís Maio e sua equipa, o Fugas com o seu artigo (que eu lhe ofereci) e mais, muito mais.

  2. Sobre as outras duas fotografias.

    O Fernando foi malandro porque cortou a segunda fotografia… mas são duas Rifanhas, no “conversé”, à porta de uma porta que já não é porta para lado algum.
    É que, a casa que está por detrás foi toda demolida (e Fernando, a prova que foste malandro, é que isso não se vê com a fotografia cortadinha…). Essa mesma fotografia (inteira) tem em primeiro plano, um candeeiro de rua, de modelo tradicional mas com uma lâmpada branca, daquelas bem brancas e fluorescentes, fruto da modernização.
    Para reflectir: para quando os postes eléctricos no Sahara?

    A terceira e última (que não juro se fui eu que tirei ou se pedi ao Ali para tirar), é um feito histórico.
    Uma vendinha vazia… sem vendedor…silenciosa (o rádio está lá, mas caladinho)… toda azul, da cor de Chaouen (até a roda, reparem)… Ahhhhhhhh! Era imperdível!
    E aqueles sumos tricolores à espera do freguês madrugador e… incauto? Excellent!

  3. Queria fazer uma pergunta à sininho:

    Acaso ela tem alguma foto do Ahmed? o marroquino que estudo no Colégio Moderno e que depois, por atribulações da vida, acabou por lá ficar e faz de guia?

    Se tiver agradecia. É uma longa história da minha adolescência.

  4. Zazie
    É a primeira fotografia!
    Não me digas que conheceste o Ahmed?
    Ele está é trajado com o seu fato de guia.
    Posso ver se tenho mais alguma antiga. Mas terei que a digitalizar… pode demorar.

  5. Fónix! tive dúvidas, por isso é que te perguntei.

    Já não o vejo há muitos anos.

    A propósito, a história não é assim.

    Como é uma história que me é muito próxima não me apetece contá-la toda.

    Posso só adiantar que quem o troxe foi um magnata 4espanhol que namorava com a filha do presidente Arriaga.

    Nunca se soube se ele era filho do magnata. Foi para o internato do Colégio Moderno, onde eu o conheci (mais não conto) e viveu que nem um príncipe.

    Umas férias o espanhol levou-o a vizitar a família e, na volta, quando o ia buscar, teve um acidente de automóvel e morreu.

    O que se passou de seguida é muito complicado. Resumindo e passando à frente, a Arriaga nunca teve coragem de o ir buscar, porque nunca teve a certeza se ela ou não filho do magnata por quem ela se tinha apaixonado.

    Eu não tinha idade para ter coragem para ir ter com ele. Quando tive fui roubada em Marrocos e deportada pelo consul.

    Os manos Salomé sempre tiveram mais “lata” para lá irem buscar outras coisas… e, uma vez, trouxeram o Ahmed. Desde aí não o voltei a ver.

    Só espero que já tenha largado a droga e seja feliz. Pela foto parece-me que sim.

    Fiquei tão contente que nem perguntei logo se era ele.

    Et voilá. Havia de rever o meu príncipe árabe no Aspirina

    “;O)

  6. E agora vou guardar a foto num vaso do jardim.

    Foi aí que guardei a primeira, quando estas coisas tinham de se fazer às escondidas porque as meninas na pré-adolescência não se devem meter em exotismos tão temerários

    “;O)

  7. correcção: A Arriaga nunca teve a certeza se o Ahmed era ou não filho do magnata espanhol que o trouxe e que lhe tinha pedido para cuidar dele como se fosse um filho.

    O resto, com misturas de cônsul e outras pelo meio nada têm de poético. Aos 15 aninhos escrevia-nos (a mim e ao meu irmão) cartas bem angustiadas pois nem os óculos ou livros de estudo conseguia que lhe enviassem para Chauen. Quanto mais irem lá buscá-lo.

    Depois acabou por aceitar que fora apenas um sonho esses breves tempos de príncipe árabe desembarcado em Portugal.

  8. Mas nem imaginas como era lindo na adolescência
    “;O)

    Era lindo de morrer. E valente e iconoclasta. Foram tempos loucos que se viveram.

  9. Zazie
    Eu imaginava-te uma mulher das arábias… mas não tanto! (Fernando não sei se reparaste mas a Zazie também falou num árabe, príncipe aliás! Afinal sempre existem árabes em Marrocos… bem me queria parecer!)
    Completaste e corrigiste esta história da forma mais singular. Lindo!
    Obrigada!

  10. Mundo pequeno. Esta noite no Espaço de Morfeu, lembrei-me que também eu conheci esse Ahmed. Acho que foi da primeira vez em Chaouan, estava eu numa esplanada e foram chamá-lo. E ele lá veio com a sacola e a papelada, mas eu não liguei nada àquilo, pensei que era um marroquino especializado em sacar dirhams a tugas. E além disso Zazie já devia estar gordinho (não gosto de gordos) para eu quase não me lembrar.

    No Verão passado em Essaouira é que estava eu encantado, tinha-me afastado dos meus amigos para kurtir sózinho, e então estava eu numa porta da medina, a ver as janelas das casas da judiaria (ando sempre à caça de janelas e fortalezas) e saiu-me um profeta disparado pela direita, com barba e tudo, que me queria dar um beijoka. Lá houve um impasse ecuménico.

  11. é… faz-me lembrar aquelas madames a falarem das Pechinchas que compraram nas férias e do que regatearam: “foi muito óptimo, olhe, recomendo-lhe um beco de Tetuan ao fim da tarde: faça-se difícil, regateie e vai ver que ainda consegue que lhe vão ao cu por 10 dihrams

    “:OP

  12. … falou uma madame conhecedora aqui em cima! Há só um problema rica: é que além de teres as Chaves do Paraíso ainda não percebeste que eu gosto mais ao contrário? Eu explico: gosto mais de fazer gemer (de prazer) do que eu próprio gemer. Claro que há excepções.

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