Loucuras relativas

“Tás louca?” Essa foi a pergunta que mais ouvi quando decidi dizer adeus a Portugal. Uma carreira que ia de vento e popa (para o abismo) na revista Focus foi o grande empurrão. O “apelo” da Universidad Carlos III para ali terminar a minha tese de mestrado sobre jornalismo de investigação, a grande desculpa.
Desde que cá estou – e mesmo sendo a Espanha um dos países com as taxas de desemprego mais assustadoras da União Europeia – trabalho não me tem faltado. Em quatro meses, passei por três empregos. Troquei um por outro só para somar alguns euros extras na minha conta.
Surpreendentemente, não falta oportunidades para quem fala português – mesmo com qualquer sotaque estranho, como é o meu caso. Falar meia dúzia de palavras em inglês é quase o mesmo que ser um nativo. Tudo porque os espanhóis não têm jeito nenhum para os idiomas. Um dos maiores desafios, por exemplo, é encontrar cinemas que tenham legendas. Eles são fãs incondicionais das dobragens.
Só hoje, aparecem 28 ofertas para os nativos portugueses no site Infojobs. No geral, ganha-se mais falando português aqui, que suando para fazer (bom) jornalismo em Portugal.
Mas ser imigrante em Espanha não é nada fácil. Antes de começar a bombardear as empresas com currículos bonitinhos e cheios de experiências, há que cansar as perninhas. Aqui, cidadãos europeus, sul-americanos, africanos e extraterrestres significam o mesmo: estrangeiro. Como tal, agrupam-se em longas filas à porta da polícia, para pedir um tal de NIE (Número de Identificación de Extranjeros). Sem o NIE, não és ninguém. Nada de ter conta no banco, querer alugar uma casa e muito menos, trabalhar.
O problema não é a fila em si, mas a notícia que tens ao seres atendido. O documento leva três meses para ficar pronto. Enviam-te uma carta a casa e depois tens que voltar ao empurra-empurra, para ter essa bênção de documento na mão. Nesses três meses, tu ainda não existes em Espanha.
Agora, a pergunta que mais oiço – e que até me encanta – é: “¿Eres italiana, guapa?” Não ter bigode feminino à portuguesa é um alívio…

50 thoughts on “Loucuras relativas”

  1. que giro, uma mulher num blog de gajos!

    (olha que eu nunca prescindi do meu buço luso e quando vivia em Londres, também era sempre tomada por italiana)

  2. Bem vinda à blogsfera, cara Vanessa e as maiores felicidades.
    (mas olhe, que as mulheres portuguesas já conhecem a cera, cremes depiladores e outras coisas que arrancam ou aloiram os pêlos há muitas décadas. Depende das mulheres que conhece, claro.)

  3. Bem-vinda Vanessa,
    Finalmente abordamos assuntos importantes neste sítio. Estava farto do Manuel Alegre.É bom ter notícias tuas, nem que seja no blog

  4. Bom, bem chegada Vanessa. E não ligues a essa de seres italiana para os espnhóis. Eles não imaginam que possam existir portugueses ou que os portugueses possam falar outra coisa que não o famoso “portunhol”.

    Mesmo fora de Espanha vai-se passando o mesmo, com a agravante de, para os outros estrangeiros (aqui falo dos alemães e dos holandeses) irmos sendo franceses.

    São as coisas estranhas de virmos de um país tão periférico, tão periférico, que caiu da borda do mapa da Europa.

  5. Bem vinda, Vanessa. E quanto a essa de pensarem que és italiana, é mesmo como disse a susana e o João André. É em todo o lado e quase inevitável. Boa sorte.

  6. Eu na Alemanha toda a gente pensava que eu era francês.

    Agora pergunto à Vanessa. Se sem o tal BIE não se pode alugar casa nem ter conta bancária, e se só passados 3 meses é que mandam o BIE “para casa”, então o que é que uma pessoa fica a fazer em Espanha durante esses 3 meses? Onde mora, se não pode alugar casa? Como trabalha, se não tem conta bancária onde lhe paguem o ordenado?

  7. Em Portugal para se abrir uma conta bancária é apenas necessário ter-se número de contribuinte. Esse número é dado com bastante rapidez por uma qualquer repartição de finanças, mas pode ser pedido a um cidadão estrangeiro que tenha um “fiador” português.

    Quanto a alugar casa, em Portugal isso é muito fácil – o mercado clandestino está bem provido de casas para arrendar!

  8. Cá está o complexo do brazuca

    Minha cara Vánéssa, não vai nessa, pô.

    Se ocê não tem buço – bigode feminino à portuguesa – é porque rapou. Mas se quer encontrar bigodes fartos em mulheres, veja só que no Brasiu é o que não falta… Vai encarar?

    Você que esteve em Portugal sabe bem que essa história está bem longe da realidade. Seria justo generalizar como será uma brasileira, pela experiência que temos aqui?

    Cumprimentos.

  9. Outra coisa:

    – para encontrar uma brasileira minimamente atraente no BRASIL é uma autêntica odisseia! São muito feiinhas, sem peito, e muito gordas. Muitas, de facto, não possuem buço, pois o bigode já suficiente.

    Bonitas, nem na balada de sampa nem do Rio. Onde páram as tchutchucas?

    Muito longe do cu.zão dos postais que nos chegam das terras de Vera Cruz…

    Cumprimentos.

  10. Luís Lavoura,
    Até que consigas o NIE, tens que te sujeitar a alugar um quarto e arriscar ter 25% do seu salário descontado por seres estrangeiro. Se é que algum empregador te vai contratar sem o tal documento (eu fui recusada em vários empregos por não ter o NIE). Alguns (poucos) bancos te deixam abrir uma conta com o BI ou o passaporte português, mas te descontam 15 euros todos os meses por seres estrangeiro. Fui a sete bancos diferentes e nenhum deles aceitou o BI português como documento. São três meses de prejuízo, de férias e de agonia…

  11. Caro Explícito,
    Não sei porque falas das brasileiras. O que é que eu tenho a ver com isso?
    Ah, eu não apenas estive em Portugal. Eu NASCI aí.

  12. Ah, então desculpa. Afinal já gosto de ti. Sabes, estive a ler o teu post melhor e acho que está muito bem escrito e as dicas que dás são muito boas para quem está a pensar em emigrar.

  13. … e, já agora, desculpa alguma coisa que eu disse que te possa ter ferido. Deus me livre magoar uma compatriota. É que, sabes, o meu sangue ferve quando vejo esses brasileiros e esses retornados de merda a virem para aqui a pensar que isto é tudo deles… e armados em espertos a criticarem a gente daqui. Não gostam, voltem para o terceiro mundo de onde saíram. É verdade, eu sou um cabrão dum racista, xenófobo, que pensa que que existe uma coisa chamada “raça lusitana”, de que valha a pena uma pessoa se orgulhar. Bem, uma vez mais, desculpa alguma coisa e boa sorte aí em Espanha. Vamos colonizar essa merda! Viva Portugal!!!

  14. Vanessa, claro…

    Ao autor(a): poderia ter assinado os comentários que se seguiram. Não deixe os eus créditos serem atribuídos a outrém.

    Cumprimentos

  15. Será que esse explícito faz alguma ideia do que é composto o nosso sangue Lusitano, de quantas misturas, de quantas viagens e invasões.

  16. O clone que se assuma. Primata que é primata, assume a sua condição.

    Quem diria JVC. Se existe uma difinição de povo luso, essa tem que ser baseada no sua profunda mestiçagem. Todos somos mestiços.

    Basta recordar o que foi escrito sobre o buço luso – piada recorrente do brásilêro – e saber que é o Brasil. Apesar das suas misturas, é um país profundamente racista. Ainda mais para com os Índios.

    Cumps.

  17. O bigode português não é apenas uma piada recorrente dos brasileiros. É uma realidade. Postado na rua no centro de Genève, há 20 anos atrás, eu não tinha dificulade em identificar os emigrantes portugueses todos, pelo típico bigode que ostentavam.

  18. Cláudia, pretendia acrescentar alguma coisa, ou era só para deixar um insulto? Pena não ter especificado a “parvoeira”…

    Luís Lavoura: fala de um país atrasado, inculto que tende a desaparecer. Não me vai dizer que só existe buço na mulher portuguesa, pois não? Se esteve na Alemanha, saberá certamente onde observá-las…

    cumps.

  19. parvoeira = “meu sangue ferve quando vejo esses brasileiros e esses retornados de merda a virem para aqui a pensar que isto é tudo deles… e armados em espertos a criticarem a gente daqui. Não gostam, voltem para o terceiro mundo de onde saíram. É verdade, eu sou um cabrão dum racista, xenófobo, que pensa que que existe uma coisa chamada “raça lusitana”, de que valha a pena uma pessoa se orgulhar.”
    Será necessário ser mais explícita?

  20. Por acaso tenho um tio em França e outro na Alemanha, mas esses países são uns privilegiados por estarem cheios de tugas, com a nossa magnífica e avançada cultura. Como diria Fernando Pessoa, o maior poeta depois do Camões, “tudo vale a pena quando a mama não é pequena”. E a essa outra pessoa que se anda aí a querer fazer passar por mim só digo isto: assuma-se seu racista. Não ande aí a proteger-se atrás dos pseudónimos dos outros… seu cobarde.

  21. … e já agora gostaria de deixar aqui uma mensagem a essa pessoa que anda aqui a querer fazer crer que há dois Explícitos: ISSO É MENTIRA! Só há aqui um Explícito. Sou eu. O outro… é favor parar com a piadinha que já não tem graça. Deve ser um brasileiro ou um preto armado em parvo…

  22. Bem, isto foi a gota d’água! Eu não escrevi nenhum dos últimos 10 comentário assinados com o meu pseudónimo. Ou seja, nem o que se diz Explícito nem o que se faz passar por ele são o verdadeiro Explícito. Esse sou eu. A prova é que eu nunca assino “cumps”, nem muito menos uso a expressão “armado em parvo”. Ou seja, há aqui pelo menos duas pessoas a fingir que são eu!… Demasiados clones para o meu gosto. Não voltarei a este site.

  23. Explícito, não largues por causa disto. Tenho a certeza de que o Luís, o Mário, o Valupi, o JP, etc., farão alguma coisa para que isto não volte a suceder. Não percebo nada da manutenção de blogs, mas acho que eles podem controlar endereços, coisas assim. Sou mesmo leiga no assunto. Pareces-me uma pessoa sensata. Não deixes de voltar ao site. Abraço.

  24. ola.bem k estiveste em espanha.tens mt garra e conseguiste safar-te…axo k pela tua maneira d ser qq batalha em k te metas esta logo ganha.ainda bem k foste p espanha.assim ganhei uma nova amiga.nunca mudes e felicidades.tu mereces.bjs,susete

  25. Quanto barulho! Sou brasileiro e lendo alguns posts tive uma sensação nova. Senti-me na pele dum discriminado, sensação que que experimentei poucas vezes na vida, umas vezes por mérito, outras por descuido.

    Fora o asco, que esqueço facilmente, fica uma curiosidade saciada. Compartilhar de sensação tão comum a tantos judeus, negros, orientais e outros tantos outros “sujeitos mal educados” espalhados pelo mundo.

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