Encontrem a Deus, mas noutro trabalho qualquer

all_hands.jpg

Todos vimos há uns dias o presidente do BCP, Paulo Teixeira Pinto, enquanto lia no teleponto a declaração das suas melhores intenções com a OPA sobre o BPI. Que era tudo amigável, que nada o movia contra ninguém, que queria era espalhar amor pelo mundo financeiro afora, jurava o senhor com o queixo quase trémulo de tanta linda intenção.
Afinal, o sucessor de Jardim Gonçalves é membro convicto da Santa Máfia, a Opus Dei; e a sua surpreendente nomeação para o cargo talvez não tenha sido alheia a esse facto. Sabemos também que tal organização tem como lema “encontrar a Deus no trabalho”. Logo, ficaria mal ao sr. presidente incluir no seu trabalho operações hostis e outras manigâncias de semelhante jaez.
Dias depois, a mesmíssima santa alma confirmou que a concretização da sua OPA levará ao despedimento de 3.000 trabalhadores. “É perto desse valor”, disse ele, não sei se mais uma vez acompanhado pelo seu piedoso tremor de queixo.
Admitir a intenção de chutar com 3.000 famílias para parte incerta talvez merecesse mais do que esta seca anuência, em termos de “valor”. Sobretudo para quem milita numa seita que quer promover uma “vida plenamente coerente com a fé nas circunstâncias vulgares da existência humana, especialmente através da santificação do trabalho.”
Mais: o sr. presidente é um dos animadores da folclórica Associação Cristã de Empresários e Gestores de Empresas, que se rege por um “Código de Ética” já entregue a Bento XVI, suponho que em cerimónia de adequada elevação espiritual. Este “Código” impõe aos signatários “o respeito e a promoção do projecto de vida dos trabalhadores”.
Naturalmente, compreendo que o objectivo máximo de um gestor possa ser realizar valor para os seus accionistas, ignorando tudo o mais. Desagrada-me é o farisaísmo desta malta que nos fala em santidade, em Deus e em Ética para no fim se revelar tão gulosa (não esquecer que a administração do BCP é recordista nacional de vencimentos) e indiferente à sorte dos seus colaboradores como o mais amoral incréu.
À laia de consolação, resta-me esperar que surja mesmo uma contra-OPA do BPI e que o sr. presidente se veja recambiado para o mosteiro. Lá, poderá procurar a santificação do trabalho sem dar cabo da vida a ninguém.

52 thoughts on “Encontrem a Deus, mas noutro trabalho qualquer”

  1. Exmos Sr.

    Apesar de nunca ter escrito nem o conhecer a si, caso me possa esclarecer (já tentei várias vezes o mesmo e nunca me foi dado) Qual a razão de o Sr. e daqueles que pensam da mesma forma não evitarem estas tremendas injustiças…??? É de uma facilidade … porque não fazem uma OPA ao BCP…?? e mandam de lá para fora este “mafioso”??? porquê?? Já agora só mais uma dúvida… o que são Lucros astronómicos dos bancos nacionais…?? Qual o valor, a partir do qual é astronómico…?? Sabe sou um profissional do sector financeiro e percorro a bibliogarfia mundial e não encontro o conceito… Será que me pode esclarecer…???
    Bem Haja pela paciência, e peço desculpa se lhe tomei muito do seu tempo. Mas ficaria muito agradecido se me pudesse esclarecer.

  2. É estranhíssimo, de facto, mas os que se dizem cristãos nunca viram qualquer contradição entre a sua fé e a expoliação dos direitos dos mais fracos. Hipócritas como são, transformam a virtude numa coisa íntima, de portas a dentro apenas, e sentem-se perfeitamente à vontade para lá foro, no mundo real, colocarem sempre os seus interesses egoístas acima de tudo. Deste modo, e com a benção das hierarquias religiosas, ficam de bem com Deus (isto é, com a sua “alma”) e com o Diabo (ou seja, o carcanhol). Se tivessem alguma noção do que significa a integridade moral, o mínimo que poderiam fazer era reconhecerem-se como os fideputa que são. Eu prefiro, de longe, o cínico que confessa o seu egoísmo absoluto e a sua devoção ao dinheiro acima de todas as coisas, do que estes pseudo-místicos de jet-set financeiro.

  3. José Morais,

    Não sei onde foi pescar essa dos “lucros astronómicos”. Por certo não fui eu a usar tal expressão.
    Se chama “mafioso” ao presidente do BCP, isso é ideia sua, tal como o desiderato de o tirar de lá para fora. Eu limitei-me a aplicar um qualificativo já bem conhecido à Opus Dei, enquanto organização.
    Espero ter acolhido de forma satisfatória o seu desejo de esclarecimento.

  4. Gostava sinceramente de ter sido eu a escrever este post se para isso tivesse engenho e arte.
    Há apenas um senão: supressão de postos de trabalho na banca não é sinónimo de despedimentos. O Luís esclarecerá o assunto com alguém que saiba mais que eu, se assim o entender.

  5. Bem-vindo patrão, saúdo o teu regresso com os olhos marejados de lágrimas: grande post!
    E qual é o problema da expressão “lucros astronómicos da banca”: é o único sector que quase não paga impostos e que cresce no meio da crise geral???

  6. Pois é caro Luís, é uma chatisse esta história de haver mercado. As empresas têm de ser eficientes e por isso cortam nos custos para aumentar o valor de quem participa com o seu dinheiro no risco da actividade económica.
    Que saudades das sociedades sem mercado onde tudo era perfeito, os preços eram regulados, as empresas pertenciam ao estado e assim as pessoas eram felizes e todas tinham trabalho, não havia desemprego. Imagine, que esse mundo era tão perfeito, que até tiveram de fazer um muro para impedir que os desgraçados dos países onde existiam mercados entrassem nesses paraísos.
    Estou certo que se o Luís fosse o gestor do BCP faria a OPA e manteria os 3000 trabalhadores e ainda conseguiria que o banco fosse eficiente. Mas como quem está à frente do BCP é um incompetente só consegue que a empresa mantenha os seus níveis de eficiência racionalizando os custos. É uma chatisse esta história dos números e das contas.

  7. Luís,

    Na sequência do m/ coment. de há pouco, peço-lhe que vá a http://www.sbsi.pt e leia “OPA do BCP sobre o BPI…”. Não pense que esta situação me agrada, quanto mais não seja porque o m/ marido é funcionário de um dos bancos. De qualquer forma tudo indica que o que está em causa não são despedimentos.

  8. Pois é, MigPT isto do mercado é mesmo muito bom. Aliás, o objectivo número 1 de qualquer sociedade civilizada deve mesmo ser manter as suas empresas gordas e felizes! Se para isso é preciso manter uma bolsa de desempregados, ordenados muito baixos e um nível de vida geral muito mau não interessa nada. Desde que as empresas estejam felizes e o mercado a funcionar que interessa se o povo está na miséria? Pensando bem,não seria altura de começar a pensar em repor a escravatura?

  9. Não fui eu que fiz o comentário parvo acima. Quanto ao comentário do PSeven, é sempre lindo ouvir argumentos que não colam com nenhuma realidade. Gostaria por isso que me respondesse a algumas questões muito simples. Qual é o modelo económico que mais pessoas tirou da pobreza? Por exemplo, 50 anos de maoismo tirou quantas pessoas da miséria? Quando as autoridades chinesas mandaram às urtigas o sistema económico centralizado e passaram para um regime de mercado, quantos chineses saíram da pobreza extrema em 10 anos? Porque implodiu o sistema de economia planificada, restando o lunático da Coreia do Norte e o facínora de Cuba?
    Quanto ao objectivo número 1 de qualquer sociedade, este deveria ser o somatório dos objectivos numero 1 de cada um dos seus cidadãos (objectivos bons ou maus, mas tomados em consciência e livres) e não o objectivo traçado por um grupo muito restrito de pessoas. Por isso, é que o modelo de mercado, embora imperfeito é e será sempre o melhor modelo para uma sociedade.

  10. MigPT,

    Não coloquei em causa o mercado nem a busca de eficiência. Só me faz confusão a hipocrisia de quem se pavoneia envolto em altos princípios e em buscas de “santidade” para depois se comportar como qualquer outro tubarão.

  11. Caro Luís, sejamos objectivos. O Director do BCP desenhou um modelo de negócio que mostrou que a compra do BPI era um negócio que acrescentava valor a quem lhe paga. Uma alegada redução de 3000 postos de trabalho (que não é verdade) pode ser eticamente válida e até imbuída do mais profundo sentido cristão, se dessa acção resultar num aumento do valor da empresa compradora. Uma empresa forte é a melhor garantia de estabilidade para a sua força de trabalho. O director executivo do BCP estaria a ser pouco ético e contrário à doutrina social da igreja se, sabendo que determinada acção aumenta o valor da sua empresa não a tomasse, pondo assim em risco a totalidade dos seus trabalhadores e não uma percentagem deles. É que como empresário você sabe que se não estiver constantemente atento à sua eficiência, em qualquer altura pode ser ultrapassado por um seu concorrente. Esta situação só não se põem se as suas empresas tiverem como mercado o estado e assim você só tem que estar preocupado com o cartão de militante.

  12. MigPT

    Esse argumento resume-se a sofismas sobre sofismas.
    Os postos de trabalho do BCP estariam em risco sem a OPA? De onde vem tal teoria? Então agora a solidez empresarial é o mais relevante património moral à mão de um gestor católico? Mais vale tirar a palavra “moral” da equação, que assim entendemo-nos melhor, com honestidade e clareza.
    Como se compagina a doutrina social da igreja com isto? Onde está atribuída essa primazia da geração de valor sobre a “promoção do projecto de vida dos trabalhadores” no lindo “Código de Ética” que ele publicamente assinou?

    Em termos de gestão, a coisa será normal. Mas nada tem a ver com os elevados valores de que o sr. presidente faz público e sonoro alarde.

  13. Realmente, utilizar sempre tudo e mais alguma coisa para atacar a Igreja, os cristãos e a Opus Dei, é de facto um complexo qualquer que ainda está por explicar.

  14. Exmo Luís Raínha,
    Peço desde já desculpa se interpretei mal o que escreveu, mas “li” e “interpretei”, que considera o Opus-Dei uma organização “mafiosa”, por dedução os seus menbros serão “mafiosos”. Não conheço nada sobre a Opus Dei para o Contradizer, mas, peço-lhe desculpa pela minha má interpretação. Percebo o seu comentário quanto às contradições de proclamar a fé cristâ e criar valor para o accionista. Quanto aos lucros, realmente o Luís não falou deles, mas, com tanto barulho que houve com a apresentação dos resultados dos bancos para 2005, pensei que me poderia esclarecer. Qual seria o valor “aceitável” para o Lucro? Como se chega a esse valor? e já agora a mesma pergunta dirigio-a ao “map”..?
    Bem Haja

  15. Pois. Se conhecesse um pouco da organização da coisa, logo via que existem diferentes graus de importância na mesma, começando nos “supranumerários”. Por certo que muita gente anda por lá apenas para se promover; mas reservaria o ápodo “mafioso” para as altas esferas da organização…
    Continuo sem entender essa sua obsessão com o lucro. Desde que uma empresa não incorra em práticas anti-sociais ou de abuso de posição dominante e evite as ilegalidades, não vejo porque deveria haver limites para os seus lucros. O que me parece mal, dada a postura predadora dos bancos face aos seus clientes mais débeis, é que o taxa efectiva de IRC que pagam seja tão diminuta.

  16. Caro MigPT,
    Ainda bem que achou lindos os meus argumentos. Agora, se você não consegue ver a realidade com que eles colam, isso é problema seu. Talvez se procurar melhor, prestar mais atenção, consiga perceber que desemprego e baixos níveis de vida são realidades muito reais para milhões de pessoas.
    Quanto ao resto: é capaz de me explicar porque é que, de cada vez que alguém critica os exageros da economia de mercado, pura e dura, tem de apanhar com a estafada crítica aos modelos de economia planificada? A economia de mercado não tem qualidades que vocês possam usar em sua defesa? Necessitam de a comparar com modelos falhados para a tornar mais aceitável? E o que é que eu tenho a ver com esses modelos?
    Finalmente: Quando falei do objectivo nº 1 estava a ser irónico. E estava a pôr em causa algo que tenho visto repetido, cada vez com mais frequência: o argumento do mercado para, de uma forma insensível, justificar acções que prejudicam a população em geral. Se não percebeu…

  17. Godfather (nick maravilhoso para um post que liga banca, igreja e “mafia”):

    se a Igreja se ocupasse do seu domínio espiritual, ou melhor, do domínio espiritual de quem a quer seguir, ninguém se chateava. O que complica é mesmo a mania de se meterem no domínio temporal: a sociedade.

    Já agora, a quem acha muito bem a OPA (tal como o Luís diz, é uma situação “perfeitamente normal” – olá Artur Jorge – na banca), deixo a pergunta: qual o momento em que achariam mal despedir X empregados para aumentar os lucros com a OPA? Ou melhor, qual o X que seria aceitável? Também é quantificável?

  18. Quanto a mim, nunca será moralmente aceitável despedir gente que trabalha bem só para aumentar lucros que já não são pequenos. Mas isto sou eu, ateu imoral, a falar. Por essas e por outras, é certo que as empresas de que sou gerente nunca me vão deixar milionário…
    Quanto a “achar bem” ou não uma OPA, é como ter opinião quanto ao direito à exist~encia dos glaciares ou dos buracos negros; existem e temos é que viver com esse facto.

  19. Parece que o BCP se compromete a não despedir ninguém. Haverá reformas antecipadas e rescisões por acordo mútuo.

    Cabe sobretudo perguntar: quem paga, atualmente, os salários a esses 3.000 trabalhadores que irão para o desemprego? Claramente, se eles vão para o desemprego, isso quer dizer que são desnecessários. Se são desnecessários, isso quer dizer que os seus salários são indevidos, isto é, que são extraídos ao resto da sociedade sem justificação. Ou seja, nós todos, os clientes de bancos, estamos a pagar taxas em excesso para manter a receber 3.000 bancários excedentários.

    Sob este ponto de vista, a OPA é uma coisa boa. Vai racionalizar o setor bancário, evitando balcões e trabalhadores excedentários, e diminuir os custos para os utentes dos bancos.

    Ou não?

  20. A questão de despedir ou contratar alguém nada tem haver com questões de moralidade. Um gestor despede ou contrata alguém em função daquilo que são as necessidades físicas e/ou intelectuais ou por outras palavras, em função das competências necessárias para produzir um bem ou serviço na melhor relação qualidade preço que o mercado exige. Essa é a única preocupação que o gestor tem. Imagine que numa empresa existem 10 trabalhadores que usam máquinas de escrever manuais, em determinada altura surgem no mercado os computadores que permitem um ganho de produtividade que permite fazer o mesmo trabalho com 5 pessoas. Na perspectiva do Luis o gestor não deve fazer nada porque teria de despedir 5 pessoas e isso não é moral. O que se passa é que uma empresa concorrente fez a alteração e por consequência consegue produzir a mais baixo custo. O nosso gestor com preocupações morais começa a perder clientes para o concorrente e passado algum tempo o luís não despede os 5 mas como faliu, 11 pessoas ficaram sem emprego. Em que parte desta pequena história entra a moralidade?

  21. A questão do Luís Lavoura é pertinente, mas penso que está desfocada. Com a OPA o que se passa é que irá haver sobreposição de funções e mercados, que permitirão o aproveitamento de sinergias. A sua pergunta seria certeira se as empresas fossem públicas ou funcionassem em mercados monopolizados por prerrogativas estatais, como por exemplo a PT. Esta empresa cobra uma das taxas mais absurdas, os 15 euros mensais por suposto aluguer do telefone. Confrontado com esta questão, um administrador da PT afirmou que se a empresa ficasse sem os 15 euros, centenas de trabalhadores teriam de ser despedidos. Por isso os 15 euros não são mais do que um subsídio de desemprego financiado pelos clientes da PT.

  22. Luís Lavoura,

    Não há um “nós” nesse campo. Cada um paga ao seu banco o que ele pede. E nem sequer é minimamente imaginável que venha a haver uma descida de alcavalas bancárias depois desta fusão.
    Os salários dos bancários não são “extraídos” a ninguém, como é óbvio. E, se calhar, com um só banco o número de funcionários necessário ainda seria bem menor. O pior ia ser a falta de concorrência, não é? Não me parece que alguém pague menos seja pelo que for em situações de monopólio ou de escassa concorrência. Nisso, os liberais têm razão.

    MigPT,

    Quem postulou a ligação da moral à gestão foi precisamente o presidente do BCP, ao aderir publicamente à ACEGE; não fui eu. A ética cristã no trabalho também faz parte dos preceitos da Obra.
    Por outro lado, posso dizer-lhe que nunca despedi nenhum funcionário válido só para ganhar mais umas coroas. E nunca tive nenhuma sociedade a falir; haverá sempre forma de equilibrar uma saudável ganância com um mínimo de princípios e respeito por quem trabalha para nós, ajudando-nos a gerar riqueza. E olhe: não preciso de me armar em rato de sacristia para acreditar nisto.

  23. passei por aí há dois dias.

    opas dei
    não é uma opa dos diabos.
    depois de ouvir as explicações – em directo nos telejornais – dadas pelo doutor paulo teixeira pinto tenho a certeza que se trata de mais uma obra de deus.

  24. Estes bigornitas por fim acertaram em qualquer coisa: no meu desejo de me dedicar ao import/export de tralha chinesa. Ando só à procura do franchising certo…

  25. A confusão que aqui vai entre a moral e a gestão é inacreditável. Não conseguem resistir a beter num banqueiro, e se levarem como brinde umas lambadas na Igreja, então não há mesmo nada a fazer. E é pena que não se refreiem, porque o disparate seria mais raro e toda a sociedade seria beneficiada.

    Imaginemos que o BCP tem 7.000 trabalhadores e que o BPI tem igualmente 7.000 trabalhadores. O BCP, devido a circunstâncias diversas que seria fastidioso estar a descrever, ou opa, ou é opado. Daqui não há fuga possível. Se opar, tem que reduzir a força de trabalho em 3.000 pessoas, mas assegura que a sua maneira de estar nos negócios, a sua ética cristão e todos os restantes trabalhadores se mantém numa posição mais segura e mais forte.

    Se não opar, é opado, e uma outra ética se sobreporá. Além disso, os trabalhadores do BCP estarão mais vulneráveis, já que não se sabe o que aí virá. Até podem ir 4 ou 5 mil para a rua, e de uma forma bem mais brutal que a que o BCP propõe. E mais, se o BPI não for opado pelo BCP, se-lo-á por outro banco qualquer, já que também não tem condições para se aguentar sozinho, pelo que os seus trabalhadores estarão igualmente sujeitos ao despedimento em circunstâncias provavelmente mais brutais que as impostas pelo BCP.

    Mas o que é que se pode fazer? Isto é pessoal que lida mal com o mercado e com a liberdade, pelo que também há que dar o devido desconto a quem está habituado a pensar em termos de economias dirigidas e a liberdades escassas.

  26. É sempre desvairadamente irónico, caríssimo Luís, assistir à tentação dos “ateus imorais” [sic] para defenderem os valores cristãos (mas, em especial, a doutrina católica) dos supostos ataques, perversões ou incumprimentos por parte de públicos crentes.

    Donde virá esse zelo policial e para onde quer ele ir? Mas, acima de tudo, quererá isso dizer que a doutrina católica, pelo menos no papel, é modelo de justiça, justificando a sua defesa e a denúncia dos prevaricadores? Será por isso, bondoso Luís, que te indigna o desrespeito para com uma moral (e qual será ela, afinal – o que será que ela, de facto, defende – qual a interpretação da sua normatividade na relação com o caso presente?), onde encontras refrigério, orientação, esperança e salvação?…

    Mentes curiosas estão ainda mais curiosas pela tua resposta.

  27. Valupi,

    Desculpa desiludir-te, mas os valores que defendi não são feudo exclusivo da Cristandade. O que me indigna um pouco é sim o uso de grandes princípios como plumagem social a descartar na primeira oportunidade. Ou na primeira curva apertada. Quem terá obrigado o sr. presidente do BCP a assinar o tal “Código de Ética”? Quem o obrigou a propagandear a sua adesão à tal Obra da “santidade no trabalho”? Eu não, por certo.
    Como vês, ser-me-ia igual que ele fosse católico, hindu ou adorador da Grande Abóbora. Só me aborrece a atitude “mais-santo-que-tu” em gajos que se demonstram iguaizinhos aos mais imorais dos capitalistas.

    NS,

    “A confusão que aqui vai entre a moral e a gestão é inacreditável.” Pois é. E não fui eu a fazê-la. Foi o senhor do BCP quem resolveu aderir ao tal “Código”, não eu.
    Assim, a sua crítica acerta ao lado, pois eu não ataco a moralidade da OPA, mas apenas a distância enorme, colossal, entre a beatitude moralista teórica e a praxis banal e corriqueira.
    É só isso; a moralidade da OPA não é sequer tema produtivo. Essa litania acerca do mercado e da liberdade revela-se portanto desajustada.

  28. POR QUE É QUE ESTAS SENHORAS E SENHORERS NÃO VÃO TODOS LER O STEPHEN ZARLENGA EM VEZ DE ANDAREM AQUI XDE COCAS A CAGAR PESCADINHAS DE RABO NA BOCA?

  29. OPA atrás de OPA, ainda havemos de chegar a um só banco, com total racionalização de meios e de custos, com um só trabalhador, que será simultaneamente o único administrador e o único accionista, e que espero sinceramente não seja o MigPT.
    Cá por coisas.

  30. Espero que haja uma OPA do BPI ao BCP. Prefiro o fundador do BPI, Artur Santos Silva. Posso garantir que não é da Opus Dei. E, já agora, quanto ganhou a Opus Dei com a “fuga de informação”?

  31. pois, pois, Maloud
    essa é que é a questão proeminente:
    quem é o BCP? apareceu de onde?, logo após a falência do IOR logo oportunamente extinto, do escândalo do Anmbrosiano?, e o que veio cá fazer o Papa 4 vezes logo a seguir? que capital foi esse com que o Vaticano financiou o Solidarność?, como apareceu aquela coincidência dos maiores negócios estrangeiros do BCP serem logo na Polónia?
    Quem são estes banqueiros?
    Se o Belmiro foi o testa de ferro dos franceses da Auchan, estes são os testas de ferro de quem?

    São muitas interrogações, para quem não pensa, como já vi aí em muitos posts acima, que os negócios de compra e venda de capital financeiro, são própriamente o mesmo que vender e comprar chouriços ou outras mercadorias em mercearias de bairro.
    A questão que se coloca aos leigos que não são “funcionários da banca” é pq é que no chouriço se paga IVA na transação e na mudança de mãos de 1 milhão de euros não se paga?
    Então se o Friedman teve “razão” em dizer que o dinheiro é uma mercadoria, não querem lá ver que a Opus Dei é uma Ong de beneficiência que vende chouriços (sem Iva) a quem não for comunista?

  32. a mim só me irrita a ignorancia profundamente presunçosa do LR.

    Para ignorantes ressabiados com dificuldades de entendimento como o LR aconselho começar pelo comentario do Luis Lavoura sobre trabalhadores excedentarios e racionalização do mercado.

    À ignorancia junta-se o ódio religioso para cumulo do disparate. Não me parece que nenhuma religião, para além do comunismo estalinista que a seu tempo foi uma religião, fizesse da ineficiencia uma obrigação moral.

    Foi a religião comunista e a sua obrigação moral de defender o trabalho ineficiente mas ainda sobram algumas pessoas presas nessa mentalidade ultrapassada.

  33. “A questão que se coloca aos leigos que não são “funcionários da banca” é pq é que no chouriço se paga IVA na transação e na mudança de mãos de 1 milhão de euros não se paga?”

    A questão não deveria antes ser “porque hei-de pagar não só o preço do chouriço mas também o imposto sobre os produtos gordurosos (metade do preço do chouriço), IVA sobre o anterior total e imposto de selo sobre o anterior total? Quando não são mais impostos a acumular aos anteriores totais?

    Ou seja porque não reformular o típico coitadinho “eu pago, porque é que ele não paga também?”, para um “Porque hei-de eu pagar?”

  34. Luís

    Tens a obrigação (senão também moral, pelo menos racional) de reconhecer não estar o famigerado Código de Ética em causa na situação que invocaste como seu desmando. Mas não vou ser eu a tentar explicar-te porquê. Tal como também não tentaria explicar-te que tu, na tua actividade profissional, sempre que ganhas um trabalho a um concorrente estás a pôr em causa os postos de trabalho da empresa que perdeu essa fonte de receitas. Tu dirias, e com razão, que eu era maluquinho por fazer essa relação, posto que há muitos outros factores em causa (a começar pelo teu direito ao trabalho, ao lucro e ao crescimento de ambos), e eu estaria de acordo contigo. Dar a César o que é de César, capice?

  35. O luis, esta visto que não percebe nada de gestao, por isso esta a partida perdoado por comentario mais ignorante e pouco pensado, portanto se um dia vc estiver a gerir uma empresa (ambos sabemos que isso e impossivel…) contratara o maior numero de trabalhadores que puder, isso todos! depois passado uns dias vai a falencia e consigo vao todas essas familias para a precariedade. Ou entao fara contençao de custos e uma gestao racional para o futuro da empresa, e assim esta a engar as pessoas. Qual dos dois o pior, se for a ignorancia acabe com o blog, se for a mentira acabe com o blog. Em que e que ficamos?

  36. Pessoalmente, se o meu banco estivesse a dar lucros saudáveis, não tivesse problemas financeiros e um futuro sólido, não o iria fundir com nenhum outro sabendo que iria deitar com 3000 funcionários para o olho da rua. Especialmente sabendo que serão, quase certinho, os desgraçados que menos ganham, mais jovens e quem, na realidade, mais precisam do salário.

    Não me parece que aumentar ainda mais os lucros seja um motivo para estragar a vida a 3000 pessoas. Fará isso de mim um mau gestor? Talvez. Possivelmente não serei nunca administrador de nenhum grupo bancário. Por outro lado, sendo também ateu e não podendo ir à igreja rezar uns rosários confessar-me “perdoe-me paddre porque pequei, despedi mais de 3000 pessoas…” e sair de alma lavada, a melhor forma de me ver ao espelho é mesmo fazer o melhor que sei no meu trabalho sabendo que não vou despedir ninguém por o fazer.

    É válido? É, claro. É legal? Também. Os senhores liberais permitem-me que discorde do princípio de ter lucro a qualquer preço? Espero que sim. É isso que no fundo está em causa.

    PS – luís Lavoura, sabe os tais 3000 trabalhadores a quem, coitadinhos deles, os clientes do banco estão a pagar os ordenados? Pois, indo para a rua seremos nós todos, coitadinhos de nós, a pagar-lhes o subsídio de desemprego.

    PPS – mas afinal, o estado é tão despesista, tão gastador, tão ineficiente e quando chegamos ao privado vemos que há 3000 trabalhadores a mais?

  37. Fui-me aprecebendo ao longo da vida que há pessoas mesquinhas, ressabiadas, invejosas, e outros que tal. Hoje descobri que algumas dessas pessoas andam por aqui!

  38. Não sou da Opus, mas já fui. O que dizem sobre esta organização, que conheço há quase vinte, é de quem não sabe nada sobre o modo como ela funciona, nem sobre aquilo que, na verdade, ela é. Às vezes as afirmações que são feita são tão “originais” (de facto é preciso imaginação), que só me dá vontade de rir. Quanto ao Paulo T.Pinto, lá porque um tipo é muito bem sucedido profissionalmente e por acaso pertence à Opus Dei, significa que deve ser “cruxificado”? Talvez seja apenas inveja e mais um motivo de “dizer mal de” porque isso é que tem graça. Não é senhores jornalistas?

  39. Toda a gente sabe que o BCP é o banco da Opus Dei.
    Ainda esta manhã isso foi realçado num colóquio da Antena 2.Portanto, isso é do conhecimento público.
    poptanto É legitimo tb pensar que é o Vaticano quem na prática se quer destacar na liderança (e controlo) da Banca portuguesa.

  40. “….Sob este ponto de vista, a OPA é uma coisa boa. Vai racionalizar o setor bancário, evitando balcões e trabalhadores excedentários, e diminuir os custos para os utentes dos bancos…

    Ou não?”

    Eu não sei o que estava na ideia de quem escreveu esta “pérola” um tal LL, mas há muito que não lia nada tão acertivo a defender as vantagens da criação de um eventual monopólio na catividade bancária (ou noutras)

    AMNM

  41. Eu hostil? Não, antes “vi-me não convidado”

    Eu a enrabar? Não, antes “encontrei-me com a piça cercada de recto”, correcto?

    Ai estes meninos.

  42. “Pois. Se conhecesse um pouco da organização da coisa, logo via que existem diferentes graus de importância na mesma, começando nos “supranumerários”. Por certo que muita gente anda por lá apenas para se promover; mas reservaria o ápodo “mafioso” para as altas esferas da organização…”

    É interessante como pessoas adultas e, em princípio, habituadas a raciocinar se comportam como as crianças relativamente ao Papão: nada de análise racional e de argumentos palpáveis. Insinuações, “diz que”‘s, supostas conspirações, e afins. Impressionante…

    Relativamente à OPA: é com economias dinâmicas que se criam melhores condições de vida para todos. Dinamismo implica mudança, nomeadamente de emprego. Numa economia livre, um despedimento não é uma condenação à pobreza. Não se esforçar para transformar o que existe e criar mais riqueza para a sociedade, isso sim é criar pobreza, e é condenável.

  43. “amigo” xatoo

    Acorda para a realidade. Não sabes quem sou, nem o que fui. Por isso, pára de tirar conclusões simplistas. A ignorância estupidifica, sabias? A não ser que ainda acreditas no Pai Natal, no lobo mau e entes afins…

  44. Li tanta coisa~, em defesa dos mafiosos, que fiquei agoniado.
    -Sabem quanto recebe, em média cada administrador do BCP? Um reformado, que é um ser humano, com a reforma de 250/ teria de recebê-la durante +- 1.000 anos para conseguir receber o que um admnistrador bcp recebe em 1 ano!!!
    Sabem que o BCP no ano 2000 instigou (obrigou) os seus funcionários a colocar Acções BCP junto dos clientes a preços de aprox. 5,80 € com o argumento de que era aplicação interessante para os clientes, tendo financiado a aquisição das Acções pela totalidade. Os funcionários acreditaram no BCP e enganaram os clientes, causando-lhes graves problemas financeiros, de saúde e familiares, estamos a falar de clientes com baixos rendimentos que compraram 5.000 Acções (perto de 6.000 contos) e hoje o valor das mesmas é muito inferior a 50%, isto é honestidade? é criar valor para os accionistas? Não será um roubo??
    Se a OPUS defende estas situações, eu quero ir para o inferno.
    Cumps.
    Anon.bcp

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.