Dura lex!

lille6.jpg

O homem veio de Castelo Branco, a arbitrar, na Luz, um jogo. Há tempos. No final produziu um relatório de ocorrências.

“O jogador da equipa visitada, Micolli, desmandou-se em velocidade tentando desobstruir-se no intuito de desfeitear o guarda-redes visitante. Um adversário à ilharga procurou desisolá-lo, desacelerando-o com auxílio da utilização indevida dos membros superiores, o que conseguiu.
O jogador Micolli procurou destravar-se com recurso a movimentos tendentes à prosecução de uma situação de desaperto mas o adversário não o desagarrava. Quando finalmente atingiu o desimpedimento desenlargando-se, destemperou-se e tentou tirar desforço, amandando-lhe o membro superior direito à zona do externo, felizmente desacertando-lhe.
Derivado a esta atitude, demonstrei-lhe a cartolina correspectiva.”

Imaginemos só que a lei era mais mole!

Jorge Carvalheira

9 thoughts on “Dura lex!”

  1. Caríssimos, este foi um texto, segundo me lembro, escrito em forma de gozo por um dos “blasfemos” e colocado posteriormente a circular na net como se fosse o relatório oficial. Claro que o que o torna fantástico não é o ser ou não verdadeiro (que não o será), mas o facto de ser tão facilmente credível que um árbitro assim o escrevesse. Ou descrevesse.

  2. Bem, eu ia escrever o que o João André já disse… Mais fantástico ainda é o facto de haver (ainda!) quem acredite em tudo o que vê/lê na net…

  3. João André
    O texto não é, de facto, recente. E conhecido que foi, no círculo donde me veio, deixou alguma estranheza.
    Questionada a sua veracidade, foi a mesma confirmada por fax, por quem conhecia o original.
    Serve isto de atestado notarial? Não!
    Confere ao caso plausibilidade? Sim!
    Pode pôr-se, em segurança, a mão no fogo? Não!
    Quem dera que não fosse verdadeiro? Sim!
    Haverá pensamento sem linguagem? Não!

    Sofia
    Os locais, da net ou outros, em que se fantasiem relatórios de arbitragem, “escritos em forma de gozo”, assinados com o nome próprio, de alguém que é histórico e real, e usa aos domingos um apito na boca… são locais que não frequento.
    Mas já acredito em tudo!

  4. Sofia, o fantástico não é o que se vê e lê na net. Isso…
    Eu vi esses “escritos” publicados num jornal (ao qual não faço referência por pudor). Acredito que isto já não espanta ninguem. Se os jornalistas na televisão já dizem com a maior das tranquilidades: “…já não se encontra em perigo de vida… Seriam necessárias muitas mais sessões de “Bom português” logo pela manha da RTP, acredite.

  5. FC,

    Infere-se que você condena «perigo de vida». Que seria, a seus olhos, contra a lógica. Mas lembre-se que os idiomas estão cheios de falhas lógicas, com que convivemos bem.

    Você imaginará que «perigo de vida» é invenção recente. Pode crer que tem de certeza meio século e possivelmente muito mais. E, está a ver, andamos lampeirinhos.

    Guarde a indignação para coisa com mais proveito.

  6. JC… que maravilha! O chorrilho é tal, que eu só queria saber a cor da cartolina. Mas não, a isso não tivemos direito, nesta confissão intempestiva… que pena!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.