DO QUE FORAM AS ASPIRAÇÕES DO ASPIRINA

Este apontamento do TT é – e assim deverá ser lido – anterior à morna chuva de Verão que o Zé Mário fez cair aí em baixo.

Passem a vista (estou a dirigir-me àqueles que têm participado destas leituras desde o princípio do mundo) por essa relação de nomes de Enfermeiros aí à vossa direita e depois digam-me com franqueza se ficaram desiludidos com as contribuições que alguns deles deram ao longo destes quase dois anos de vida deste blogue. Dos cinco fundadores que ainda por cá andam a escrever com uma certa assiduidade, salva-se o Luís Rainha, cabeça do movimento, vaso de guerra que aqui vem dar bordadas de seis postas a fio quando as coisas aquecem lá pelas províncias da jornalada paga sobre determinados temas ou sustos que galvanizam e polarizam as opiniões; e o Fernando Venâncio, o único que neste preciso momento ainda se nega a calar-se por mais de quatro dias consecutivos. Dos restantes três do grupo permanente, o Valupi foi o último a entrar no Clube das Ausências Prolongadas, o que prenuncia afastamento total ou planos sebastianistas sem nevoeiros. Os outros dois andam a rezar mantras noutras tabernas, provavelmente pesarosos porque ninguém os compreendeu ou simplesmente porque não há nada neste mundo que mereça a pena ser compreendido. Dos convidados, o Carvalheira também me parece já não ter tantos contos para nos contar e eu, estranha alma incompreendida e de casca grossa, estou quase a ir pelo mesmo caminho se não me salvarem.

Ninguém pode acusar o fundador / os fundadores deste blogue de não terem feito um esforço razoável para apresentarem um prato diverso e bem decorado, representativo dos (e atento aos) gostos queridos do público ledor que anda por aí convencido de que sabe e que o sabe muito bem. Aqui, deste o princípio, havia de tudo para agradar, convencer e excitar, desde o marxista, denunciador cauteloso das violências de totalitarismos sovietistas, a homens da direita civilizada, uns a descartarem-se de revoluções permanentes ou ditaduras proletárias sem abandonarem o filosoficamente inviolável marxismo, e outros críticos do salazarismo para garantirem a permanência e sobrevivência da direita conveniente. E não nos faltava nem arte nem artistas, críticos literários, jornalistas consumados e escritores reconhecidos. Arquitectos, caricaturistas, publicitários, gente metida na indústria do livro, homens de reinterpretar Deus para consumos modernos e para nos ler a nova Mensagem. Enfim, de tudo como na loja dos linimentos para as comichões.

Mas que ninguém faça um drama de tintas consumidas destes dias sem postas, sem sinal de vida, sem peito a arfar com mais uma posta de tiro aos papas. Tudo isto é normal, democrático, previsto e já visto. Não é a primeira vez que as brigadas internacionais da informação, cultura e opinião política alternativa andam às cabeçadas surdas umas com as outras. Por favor, aprendam, senhores, treinem-se a captar os ultra-sons. A Intriga sabe disso melhor que ninguém. Ademais, há tanta coisa a considerar quando se desiste ou se perde o calor para continuar a escrever balancetes opiniáticos – vaidade, orgulho ferido, alergia, ou pouca capacidade de resistência, a críticas merecidas ou não, escassez de encómio, altaneirices não justificadas, partidarismos reais ou com efeito retroactivo, e um sempre à mão, quando não nos ligam nenhum porque a culpa é nossa, “já estou farto desta merda”. Abençoados recursos que não nos faltam.

Mas eu continuo na minha sobre em quem também deve recair a responsabilidade destas deserções ou mudanças de ares profiláticas dos nossos blogadores. A maior parte da malta que aqui vem ler é uma cambada de ursos ainda maior que a enfermeirada que foi tocar castanholas ou ganhar carcanhóis para outras paragens. E não percebem nada de política, são uns ranhosos de primeira que não têm a mínima ideia do que é o Imperialismo nu e cru, não sabem que a BP é a petrolífera que mais dinheiro faz em petróleo nos USA, entre as duzentas que por lá andam, e continuam a dar vivas à Europa chiraca que meteu os segredos atómicos nas mãos de Israel e agora anda armada em boa e civilizada a fingir que não tem nada a ver com o americano malvado. Who says I am not diplomatic?

TT

26 thoughts on “DO QUE FORAM AS ASPIRAÇÕES DO ASPIRINA”

  1. É desta que vou mesmo hibernar. Estes pobres reaccionários não têem mesmo solução. Talvez umas férias nas entranhas de Cuba lhes fizessem bem. Fica a sugestão. Abraço.

  2. Para terminar fica esta singela reflexão:

    A verdade é que 1917 é muito diferente de 2006. Coisa tão óbvia, que o mundo na sua voragem inelutável de dinâmica e conhecimento, naturalmente repulsa e se indigna, sorrindo.
    Os comunas de carne e osso, cegos na parcialidade imoral, lutam apenas por uma cota de mercado, intelectual ou política, reféns de uma subdita “in”coerência ideologica, que mais serve à própria autocracia, pedante e egoísta, do que um pensamento real, abrangente e realmente sério e positivo.
    A militância ideológica, de um extremo ao outro, servirá apenas um pérfido proposito: a manada e o seu atrofio intelectual.

  3. Este blog não pode continuar a fabricar ursos de forma amadora e provisória, contando com o voluntarismo de alguns e oportunismo de outros.É tempo de dar um passo em frente, sem hesitações.

  4. O Aspirina é um lugar onde todos os dias me encontro, em busca de qualidade e de ideias fortes. Já não seria, nos dias de hoje, capaz de viver sem este analgésico.

    Abraço de força.

  5. Um Grande Abraço ao Bìgornas.

    Um P.S. muito especial ao Todo o Terreno:
    A tua prosa de tão pretensiosa e inconsequente, mais parece a talha dourada que orna a Quinta das Celebridades.

  6. P.S.2: “…vaso de guerra que aqui vem dar bordadas de seis postas a fio quando as coisas aquecem lá pelas províncias da jornalada paga sobre determinados temas ou sustos que galvanizam e polarizam as opiniões…” – Nobel.

  7. Umas das leis da psicologia de grupo: os grupos fechados nascem, desenvolvem-se e morrem. Mas para que servem estas leis senão para serem contrariadas. Vejo tanto desalento nessas palavras. O blog não é somente digerido por “ursos”. O Aspirina é uma referencia de leitura. Se os comentários ferem o ego do blog, então que sejam removidos, e este passa a ser encarado como uma coluna de revista ou de jornal. Qualquer coisa, menos discursos derrotistas e desistências. Força!

  8. “…vaso de guerra que aqui vem dar bordadas de seis postas a fio quando as coisas aquecem lá pelas províncias da jornalada paga sobre determinados temas ou sustos que galvanizam e polarizam as opiniões…” – exemplo de um discurso derrotista.

  9. “A maior parte da malta que aqui vem ler é uma cambada de ursos ainda maior que a enfermeirada que foi tocar castanholas ou ganhar carcanhóis para outras paragens. E não percebem nada de política, são uns ranhosos de primeira que não têm a mínima ideia do que é o Imperialismo nu e cru” – outro exemplo de um discurso derrotista.

  10. Caro Rui

    Referi-me à falta de inteligência – do ego. Ou seja, à presunção e ao pedantismo, que não disfarça a prosa pretensiosa e inconsequente. Um texto verdadeiramente inteligente é “limpo” e sério intelectualmente.

    Um abraço.

  11. Caríssimo:

    Não avalie o meu texto, nem a minha inteligência, sou um simples comentador, avalie e comente apenas os parágrafos que referi: “…A maior parte da malta que aqui vem ler é uma cambada de ursos ainda maior que a enfermeirada que foi tocar castanholas ou ganhar carcanhóis para outras paragens. E não percebem nada de política, são uns ranhosos de primeira que não têm a mínima ideia do que é o Imperialismo nu e cru…” e “…vaso de guerra que aqui vem dar bordadas de seis postas a fio quando as coisas aquecem lá pelas províncias da jornalada paga sobre determinados temas ou sustos que galvanizam e polarizam as opiniões…”

    Abraço

  12. Mao,

    Já respondi, em meia-dúzia de linhas, às suas cinco intervenções muito grelórias e provocatórias (assim é que é bom) distribuídas entre os comentários acima. Se quizer lê-las, proteste à administração, que as reteve para inspecção e análise. Não abuse muito do chouriço, que amanhã há mais.

    Gisela,

    “O blog não é somente digerido por ursos”. Eu também disse o mesmo usando palavras diferentes. Mas por qualquer razão que me escapa, você entende que não. Be my guest, dear.

    Além disso, o blogue não pode ser confundido com um colaborador, mais a mais convidado. O pudor do edifício não se vai abaixo com a opinião ou comportamento dum inquilino.

    A Obra, aliás, é salva pela afirmação no seu título de que esta Aspirina é “pirética e inflamatória”. Terá você mais algum pretexto para nos visitar, sem caso provado? Mesmo que não tenha, apareça. Aqui todos gostamos de ballet.

    TT

  13. Iurovski,

    A primeira letra é um «I» ou um «Y». De resto, o teu eslavo está de saúde.

    Mas diz: isso é para enrubescer cá o rapaz?

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