9 thoughts on “Destas sortes”

  1. Fernando, desculpa a invocação pública mas mandei-te um e-mail para o Aspirina b com uma sugestão que se calhar não te chegou às mãos (ou à caixa do correio), ou que não achaste apropriada. A verdade é que, de tanto navegar, apanhei o bichinho: criei um blog só meu, meu, e só meu. Misto de terapia ocupacional e vaidade, claro e homessa! Chama-se «Meditação na Pastelaria», em homenagem ao O’Neill. Vão lá espreitar http://wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com/
    posso linkar o vosso?

  2. Ana Cristina Leonardo,

    Não, por qualquer motivo não nos chegou a notícia. Mas agora sabemos.

    E sabemos que um convite – repetido – para escreveres no Aspirina acabou por ter efeitos tão perversos… Um blogue pessoal, ó Ana, já não se usa!

    Mas felicito-te, que remédio. E linca-nos, claro, que nós te lincamos. É um prazer.

    E que estejas bem. Onde quer que te achemos.

  3. Fernando:

    Não seja mau que o Engenheiro José Sócrates já reafirmou que em Portugal ninguém é castigado por delito de opinião.

    Aliás estou certo que se a Sra. Directora Regional da Educação do Norte tentasse punir alguém por delito de opinião já estaria no olho da rua.

    Cerejas para todos independentemente da filiação partidária.

    P.S.: Os kpk’s é que são só para a malta com cartão rosa, mas isso é plenamente justificado porque eu não posso confiar na malta da oposição.

  4. Luís,

    Nem por teima. Lê (transcrevo-a aqui) a crónica da Inês Pedrosa hoje no «Expresso».

    «QUANDO os pequenos poderes são redundantemente pequenos (pela exiguidade conjunta do poder e dos talentos que detêm), a manutenção desse poderzinho torna-se o seu principal objectivo, uma verdadeira questão de sobrevivência. As ditaduras, venham elas com o sinal de Hitler ou de Estaline, usam até à náusea o ardor de sobrevivência pura que têm estas pessoas que não sabem existir sem o medo e a correlativa reverência para com o chefe, e que aplicam o vago sopro das suas imaginações a ser mais autoritárias do que a autoridade que as comanda.

    Durante a campanha presidencial de Manuel Alegre surpreendeu-me a quantidade de pessoas que, sobretudo nas povoações do interior, se aproximavam do candidato e lhe sussurravam: «Eu voto em si, mas não posso aparecer logo no seu jantar, porque tenho medo…» Tinham medo de quê? Pois de que os chefes da escola ou da repartição camarária onde trabalhavam os apontassem e perseguissem. A falência do tecido industrial português significa também esta miséria: o emprego, escasso, concentra-se, de forma mais ou menos directa, nas mãos do Estado. E raras são as pessoas que ousam preferir a liberdade à segurança – esquecendo, evidentemente, que se todos fossem assim, elas não disporiam dos direitos e liberdades de que hoje desfrutam. Convém não esquecer que a ditadura portuguesa acabou porque uma mão-cheia de jovens capitães ousou enfrentá-la, com risco da própria vida. Convém não esquecer também que o que evitou que uma ditadura de sinal contrário se impusesse em Portugal em 1974 e 1975, com todo o seu cortejo de atrozes arbitrariedades, foi a acção corajosa de alguns desses capitães e de políticos democratas – como Mário Soares, Manuel Alegre ou Francisco Sá Carneiro. Por isso me comove tão pouco o medo, o medinho, a miúfa dessas pessoas -, porque desonra e diminui uma democracia duramente conquistada.

    Escutando esses seres amedrontados, nesse trepidante Inverno de campanha, julgava-os assombrados por fantasmas de outras eras. Parecia-me impossível que alguém pudesse ser perseguido por delito de opinião no Portugal do século XXI. O caso do professor Charrua veio demonstrar que não só é possível como é frequente – antes do professor em causa, a responsável da DREN afastara já arbitrariamente diversas pessoas, entre as quais um professor cego.

    Fui agora informada de um outro caso de abuso de poder, este sob a égide da Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL): depois de operada com sucesso a um tumor de foro endocrinológico, Luísa Lobão Moniz, a coordenadora da Escola Básica Luíza Neto Jorge, foi impedida por Teresa Pedro, presidente do Conselho Executivo do Agrupamento Escolar, de voltar a exercer funções ou sequer a entrar na escola, antes de se submeter a uma junta médica psiquiátrica. Ora, segundo a lei, só no caso de o comportamento do funcionário «indiciar perturbação psíquica que comprometa o normal desempenho das suas funções» pode a direcção do serviço, e por «despacho fundamentado», mandar submetê-lo a tal junta médica – não foi o caso; por junto, que se pareça com um documento, há uma pequena acta de uma suposta reunião de professores em que se deliberou substituir a coordenadora eleita, numa prosa do mais puro recorte antigramatical: «Dentro dos Professores votaram para uma substituição da Coordenadora» (sic).

    Luísa Lobão Moniz fora reeleita em 2005 para o cargo de directora/coordenadora que exercia, sempre por eleição, desde 1996. A própria presidente do Conselho Executivo afirma, na declaração de substituição da coordenadora, que esta é «de uma enorme competência intelectual que sempre tem posto ao serviço da sua escola e dos seus alunos». Trata-se de uma escola difícil, que tem crianças de oito etnias, na sua maioria provenientes daquilo a que, de uma forma cientificamente mansa, podemos designar como famílias social, económica e culturalmente desfavorecidas. Luísa Moniz fez, aliás, um mestrado em Relações Inter-culturais, concluído com a classificação de «Muito Bom», para poder responder melhor ao particular desafio da complexa realidade desta escola.

    A DREL não deu resposta à contestação deste abuso de poder – que remonta já a Setembro de 2006. Luísa Moniz interpôs recurso hierárquico para o Ministério da Educação – e continua à espera de resposta. Muitos a aconselhariam a ficar quietinha: afinal, não recebe ela na mesma o salário ao fim do mês? Bizarro país este, em que se estranha que um professor, vencida a luta contra um cancro, não aproveite para se encostar ao ordenado e se disponha a lutar pelo direito ao trabalho. A duplicação de salários a que conduz o afastamento desta coordenadora constitui, além do mais e como é evidente, gestão danosa do erário público.

    É urgente que os grandes poderes – aqueles que efectivamente elegemos – tomem uma atitude firme na punição destes abusos. Quem avalia estes avaliadores? A ministra da Educação e o primeiro-ministro têm de entender que a demora na justiça é, em si mesma, um agigantamento da injustiça. E que o silêncio é também uma forma de cumplicidade.»

    Inês Pedrosa

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