Bem-vindo à perdição

Eu queria pôr aqui uma foto catita de Eduardo Prado Coelho, mas o «Movable Type» emperrou agora por ali. Vai um biografiazinha, sacada ao site dum nosso comum editor portuense, meu e dele (temos dois, ah ganda Porto!).

Nova tentativa. Não, definitivamente, o «upload file» do «Type» só produz barulhos esquisitos, extraterrestres. Vamos ao caso.

Terão reparado no tom de EPC quando fala em «blogues». Há ali uma distância, uma sobranceria. Há ali, sumo requinte, uma estudada ignorância. Aquele (este) não é o mundo dele, nunca o será, Deus o livre.

Não, nada aqui há que se aproveite, que se possa citar, que merecedor seja duma alusão. Como o sabe ele? É questão da mais pura fé. É que EPC não lê blogues. Possivelmente a mágoa é mais vasta ainda. EPC, tudo leva a crê-lo, ignora a Internet. Não me lembro de apanhá-lo cedendo uma «url» à massa leitora. Faz bem, esta aranha interplanetária que nos tem nas penugentas patas não é de recomendar.

Mas o que fere – e ele sabe que fere, porque inteligente é ele – é o alcantilado desprezo que nos vota. Sentimo-nos, a seus olhos, não a minúscula grei de bons selvagens que nos supúnhamos, mas os soturnos diáconos dum culto lúgubre, sórdidos oficiantes de fatais missas negras, diárias para mais, enfim, isto torna-me lírico.

Mas a nossa vingança vai ser terrível. Não tarda, e EPC terá também a sua cela nestas húmidas paragens. Isto, senhor, é um vórtice a que ninguém escapa. Bem-vindo à perdição.

Nem por teima:

Hoje, sábado, no «Público», o magnífico Rui Tavares sai, de mangas arregaçadas, em denodada defesa do nosso convento. Eia, sus! Dá-lhe!

3 thoughts on “Bem-vindo à perdição”

  1. Deus queira que sim, porque da última vez que o vi, o aspecto não augurava bom futuro.
    Tenho lido o que debita na crónica do Público e a acidez dos comentários que produz sobre gente que nem conhece ( et pour cause).
    Se algum dia sucumbir à rotina de um blog, vai ter que levar e contar.

    Cá o esperamos.

  2. Imagine-se um cenário hipotético (que o ego não permitiria, mas vá): que ele já teria tido um bloguezinho anónimo e ninguém lhe tinha ligado um corno…

  3. Acabei mesmo agora de ler o artigo de Rui Tavares que me provoca alguma desconfiança em relação a outros escritos.

    Porém, neste, em tom brando mas seguro, descalça a bota cardada do despeito que adivinha nos cronistas visados.

    Bem feito.

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