Balada nocturna para Eduardina

Viola-da-terra, menina
Nas mãos de Hélio Beirão
Cria na voz de Eduardina
O rumor duma canção

Na Rua dos Navegantes
Como na Horta, cidade
São as coisas importantes
Que criam maior saudade

Entre igrejas e conventos
Entre ermidas e mercados
Ficam no pó dos momentos
Os teus passos registados

Nas janelas dos solares
Na Ribeira da Conceição
Nos mais diversos lugares
Angústias em construção

Viola-da-terra, menina
Mas mãos de Hélio Beirão
Cria na voz de Eduardina
O rumor duma canção

Das Angústias, freguesia
Pode nascer um compasso
Com palavras de alegria
É esta canção que faço

Jardim Florêncio Terra
Num coreto silenciado
Uma voz em pé de guerra
Procura por todo o lado

Qual é o exacto lugar
Onde fica a sua canção
Será na Rua do Mar
Ou na Rua de S. João

Viola-da-terra, menina
Nas mãos de Hélio Beirão
Cria na voz de Eduardina
O rumor duma canção

José do Carmo Francisco

Escrito depois de um concerto de viola-da-terra
na Casa dos Açores

3 thoughts on “Balada nocturna para Eduardina”

  1. J.C.F.
    É a saudade que fala, ou simplesmente o poeta?
    Porque quando a alma fala o que sente, muito ainda está por dizer.

  2. O poeta deve morrer para que o poema nasça, deve esconder-se para que o poema apareça, dever ficar na sombra para que o poema esteja na luz. E possa ajudar nem que seja por breves momentos a fazer entrar um pouco de felicidade na vida cinzenta dos seus leitores.

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