Alegres mentiras

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Manuel Alegre tem uma concepção de si ligeiramente exagerada. Nas suas palavras, foi “a” voz, “o” fundador e o primeiro responsável da rádio “Voz da Liberdade”; garante ter convivido longamente com Che Guevara; “relembra” ter encabeçado e preparado audazes acções de luta armada e, por último, em resposta a Jerónimo de Sousa, afirma ter vivido com Álvaro Cunhal e poder reivindicar o nome do comunista, por ter conhecido Cunhal antes de Jerónimo.
Sejamos claros: Alegre só reivindica Cunhal porque ele está morto e não lhe pode responder. Acerca do resto, há muita gente viva para o corrigir, só não têm provavelmente vontade de perder tempo. Por isso, aqui ficam algumas “precisões” que Alegre necessita para reavivar a memória. Manuel Alegre participou na Rádio Voz da Liberdade, foi uma das suas, muitas, vozes, não foi fundador da emissora de Argel, nem sequer na Frente Patriótica de Libertação Nacional era o responsável da rádio; nunca encabeçou nenhuma acção armada e “conheceu” Che Guevara, entre croquetes a aperitivos, numa recepção na embaixada de Cuba em Argel. Sobre a sua longa convivência com Cunhal, o facto pode resumir-se ao seguinte: Alegre ficou largos meses na casa do PCP em Argel, onde vivia o responsável do PCP (Pedro Ramos de Almeida) e família, e que acolhia os dirigentes do PCP, quando de visita à capital argelina, mas isso não lhe dá o direito de “reivindicar” o dirigente do PCP contra o partido que ele ajudou a construir.

18 thoughts on “Alegres mentiras”

  1. Nuno: cada dia que passa as declarações de Alegre são cada vez mais egocêntricas e quase sempre assentes em estórias que desconfiámos, construídas para angariar votos à custa de passado histórico. Ainda bem que desmontas “essas”.

  2. A meu ver, o camarada Alegre não tem culpa das suas “imprecisões”. Ele padece de uma grave transtorno de personalidade narcisista. Senão vejamos: a tabela que se segue (retirada da DSM.IV) apresenta 9 critérios para o F60.8-301.81, mas bastam apenas 5 para se considerar que uma pessoa apresenta um Transtorno da Personalidade Narcisista. Acho que no caso do Sr. Alegre reconhecemos mais que 5..

    Critérios Diagnósticos para F60.8 – 301.81 Transtorno da Personalidade Narcisista
    Um padrão invasivo de grandiosidade (em fantasia ou comportamento), necessidade de admiração e falta de empatia, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, indicado por pelo menos cinco dos seguintes critérios:
    (1) sentimento grandioso da própria importância (por ex., exagera realizações e talentos, espera ser reconhecido como superior sem realizações comensuráveis)
    (2) preocupação com fantasias de ilimitado sucesso, poder, inteligência, beleza ou amor ideal
    (3) crença de ser “especial” e único e de que somente pode ser compreendido ou deve associar-se a outras pessoas (ou instituições) especiais ou de condição elevada
    (4) exigência de admiração excessiva
    (5) sentimento de intitulação, ou seja, possui expectativas irracionais de receber um tratamento especialmente favorável ou obediência automática às suas expectativas
    (6) é explorador em relacionamentos interpessoais, isto é, tira vantagem de outros para atingir seus próprios objetivos
    (7) ausência de empatia: reluta em reconhecer ou identificar-se com os sentimentos e necessidades alheias
    (8) freqüentemente sente inveja de outras pessoas ou acredita ser alvo da inveja alheia
    (9) comportamentos e atitudes arrogantes e insolentes

    ATENÇÃO: Os homens perfazem 50 a 75% dos indivíduos com o diagnóstico de Transtorno da Personalidade Narcisista.

  3. Caro Nuno. Muito bem. Os pontos nos is. Gostei. Este Manuel é assim. Temos que ter paciência e não contar as outras histórias

  4. Mas se lermos os escritos do Cunhal acerca do Manuel percebemos que ele só falou porque o Cunhal ja não lhe pode responder. A isso chama-se cobardia

  5. “(…) Não são apenas os C.M.L. (na sua primeira, segunda, terceira, quarta versão) que anunciam a realização de tal tarefa. Vários outros (E.D.E., Cadernos e caderninhos, trânsfugas, agora também os aventureiros de Argel) propõem-se criar ou “ajudar” a criar a “vanguarda revolucionária”. Imitando os mesmos passos ao entrar em cena dos actores que antes desempenharam o mesmo papel, há quem agora diga, que uma “nova aliança revolucionária” de verbalistas pequeno-burgueses de todos os matizes, será o ponto de partida para “a criação de um partido marxista (?) revolucionário (?) capaz de dirigir e de concluir, sozinho (!) ou com outros partidos revolucionários (?), a revolução socialista em Portugal” (M. Sertório, “Por uma nova aliança””, p.6). Assim se julgam dignos do reconhecimento eterno dos trabalhadores, “incapazes” de definirem a sua estratégia e, mais de 120 anos após o “Manifesto Comunista”, irem além de uma ideologia sindicalista, sem a ajuda da “teoria revolucionária” “introduzida” e “inculcada” no movimento operário do “exterior”, por obra dos intelectuais pequeno-burgueses.

    Com o seu espírito típico de classe, não consideram a chefia política como um apuramento de quadros e como o reconhecimento de uma situação resultante da acção desenvolvida, mas como uma espécie de “lugar”, para ocupar o qual, basta haver vagas e concorrentes. Começam pois por proclamar que “não há dirigentes”, que “não há chefes”, para depois avançarem: “aqui estamos nós”.

    “O problema político nacional (escrevem uns) é em grande parte (…) um problema de direcção” (Cadernos de Circunstância”, nº 2, p. 25).

    “O problema político português (dizem outros) é fundamentalmente o problema duma vontade política e duma determinação revolucionária que tem faltado às forças antifascistas (…) A culpa é dos que têm a direcção do movimento antifascista (…) O que o povo não tem tido é as organizações e os dirigentes revolucionários de que precisa e que merece (Piteira, Alegre & Cª – “Textos da Voz da Liberdade”, p. 20).

    Até ao momento, claro, em que eles aparecem no tablado.

    Na sua contestação do PCP e dos quadros de direcção do movimento operário e democrático, procuram mostrar que há um completo vazio de direcção e que entre eles, candidaos à chefia, e o povo “desorganizado” e “espontâneo”, nada de válido existe. Vendo-se a si próprios como guias predestinados, fazem demagogicamente a “guerra aos dirigentes”. Erguem-se contra “a mísica do Partido” (entenda-se do PCP) (Cadernos de Circunstância”, nº 6, p.13). Bradam ao povo para que “deixe de estar à espera de salvadores” e para que se organize “sobre as suas próprias forças” (CMLP, VIII, 1969, p.2). Proclamam: “nem salvadores, nem Messias iluminados, nem chefes perpétuos” (Piteira, Alegre & Cª, “Textos”, pp.2 e 6). Intrigam e caluniam quanto podem. E, julgando ter reduzido a zero a autoridade do PCP, dos seus dirigentes e de outros dirigentes do movimento operário e democrático, põem-se em bicos de pés e afirmam que eles sim vão “criar o que falta” e “dar o exemplo”, que eles sim serão os “agentes históricos” (sic), os dirigentes, os chefes, os salvadores, os Messias!

    Processo tão velho como o radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista, tão velho como a história dos inimigos do partido do proletariado. (…)

    Tanta bazófia, senhores meus! Tanta suficiência e “superioridade” de “pessoas instruídas” em relação aos trabalhadores! Como imaginam a classe operária a correr para eles, para os “consultórios” dos Cadernos, para os estrategos da E.D.E. ou do CMLP, para Paris, para a Suiça, para Argel, para que a esclareçam do “conteúdo revolucionário implícito das suas lutas, para que sejam a sua “memória colectiva”, para lhes implorar: Senhores intelectuais pequeno-burgueses! Por piedade! Coordenai-nos, unificai-nos, explicitai-nos, memoriai-nos, pois a nossa “débil saúde política”, a nossa “incapacidade de organização”, a nossa “falta duma estratégia própria”, nos desarma perante o capitalismo e perante os falsos Messias e salvadores! Como dizem sabiamente alguns de vós, estamos à espera que a nossa consciência progrida para sentirmos a necessidade duma organização política. Sois vós, senhores intelectuais pequeno-burgueses, “as minorias historicamente mais conscientes”, sois vós as “minorias depositárias (quem depositou não sabemos, mas acreditamos no que dizeis!) da experiência historicamente acumulada”! Acudi-nos, senhores! Sede os nossos verdadeiros Messias e Salvadores!

    É assim que os radicais pequeno-burgueses de fachada socialista imaginam o processo de criação do seu futuro partido, da sua “vanguarda revolucionária”.

    E como, nos seus sonhos de hegemonia, encontram por diante o partido do proletariado, como as suas considerações são desmentidas pelo próprio facto de que o Partido existe, consideram como tarefa primeira, “prioritária” (quase todos o afirmam) o combate ao Partido Comunista.

    Os estudantes ou ex-estudantes da E.D.E., escreveram um dia que o “anticomunista tornar-se-à o grande denominador comum de uma nova frente política, da direita à esquerda burguesa”. A verdade é que o anticomunismo deixou de ser apanágio da burguesia reaccionária e se está tornando o “denominador comum” de intelectuais esquerdistas, de despeitados, de trânsfugas, ou seja da “nova frente política, da direita à esquerda” do radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista. (…)”

    (pp 172 a 176, do livro “O radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista”, de Álvaro Cunhal, 3ª edição, Edições “Avante!”, 1974)

  6. Bem-vindo José Tim! A tua operação em Londres foi coroada de sucesso: agora chamas-te Margarida e não voltaste a citar o “Livro Negro do Comunismo”.

  7. Desculpa João,
    mas esse hábito de citar a mesma e interminável passagem, em vários post, parece o nosso estimado José Tim: tem muito mais de agressão simbólica do que de polémica de ideias.

  8. “Agressão simbólica”??!!! Que mariquice é essa?? A chavala citou, e com muito a propósito, o “Radicalismo Burguês” – que o pessoal de blogues pretenciosos como este devia estudar a preceito. Depois chamem-me unreconstructed, para ver se eu me importo!

  9. Moscardo,
    Não me está atravessado, só acho demais que ele reivindique coisas que não são dele e seja tão absolutamente autocentrado
    Agora vai homenagear Salgado Zenha e recriar a sua fuga para o exílio. Não se lhe conhece uma única proposta, só visitas a cemitérios.

    Caro anónimo,
    A mariquice como qualificou, é alguém que envia a mesma longa citação para vários posts. Em vez de argumentar. Percebeu?

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