A voz

Nas carruagens do metropolitano de certa cidade europeia, sai dos altifalantes, já desde há muitos anos, uma voz de homem, timbrada, envolvente, daquelas que transmitem tranquilidade (muito práticas em documentários), daquelas que inspiram confiança (muito práticas em anúncios de seguradoras). Mas pouca gente sabe – e é bom que assim seja – que o dono daquela voz… já não está no mundo dos vivos.

Arrepiante? Não. Pelo contrário, há aqui – como diríamos – certa mensagem de perenidade. De que o fim, parecendo-o, nunca é bem o fim.

Pessoalmente, isto toca-me. Existem centenas, talvez milhares de portugueses, que me ouvem, a mim, nos seus carros, quando querem saber o caminho mais exacto de A para B. Figuro ali, é verdade, com outro nome. Mas isso não muda nada. Mesmo com o meu nome próprio, eu ser-lhes-ia um desconhecido. Espero, sim, que a voz inspire confiança, e, já agora, transmita tranquilidade.

E também isto, bom, também isto me faz pensar no futuro. Um futuro que eu, ainda assim, desejo, se me permitem, um tanto distante.

2 thoughts on “A voz”

  1. A mim calhou-me dar voz a um curso de portugues da televisao estatal, a meias com a professora que o ICamoes cá tinha. Desconfio ë que o registo nao sobreviverá online por muitos anos…:(

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