A tristeza toda em meia dúzia de linhas

A notícia já começou a passar nas televisões: quatro portugueses morreram no sul do Chile, quando a avioneta em que seguiam se despenhou perto de Coyhaique, na Patagónia. Desses quatro portugueses, três são jornalistas: dois do Record e uma do Diário de Notícias. A Maria José Margarido. A Zé. A rapariga porreira que eu via todas as tardes, na escada, ao pé da máquina do café. Mais nova do que eu um ano. Trinta e três, 33, trinta-e-três. TRINTA E TRÊS ANOS. Foda-se.
Lembro-me agora da sua presença discreta, das suas reportagens invulgarmente bem escritas, das qualidades humanas sempre mais nítidas à luz da morte súbita, escandalosa, inexplicável. Mas não me apetece escrever essas coisas que se escrevem nestes momentos. Só quero dizer deste nó na garganta, desta tristeza que não passa, do café que já não sou capaz de tomar junto à máquina a que ela nunca mais se encostará.

3 thoughts on “A tristeza toda em meia dúzia de linhas”

  1. bem, eu sou mais velho, já me morreram bastantes pessoas próximas, mas continuam a viver dentro de nós, isto não é uma metáfora embora tenha algo de metonímia, depois verás…

  2. é com gosto que venho ao “respirar o mesmo ar”,na tentativa de respirar um pouco de paz…que cada vez se torna mais difícil!respirar um pouco de comprensão, dado que eu não me consigo compreender a mim própria…o meu irmão (César) lá ficou…ele e mais 3 amigos. para eles um sonho de viagem, para nós um pesadelo de realidade…a dor não passa, apenas aprendemos a viver com ela…inté AMIGOS…

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