6 thoughts on “A tempo da praia”

  1. (deskulpa lá Fernando, mas tenho que sizer isto)

    Ó fundamentalistas da porra, só vos garanto que se vcs fazem explodir uma coisa por cá, durante a presidência portuguesa, e matam compatriotas meus,

    eu vos garanto

    que vos enfio Allah no cú!

  2. UMA PALAVRA TE PROCURA

    Uma palavra te procura
    ao nível desta existência suave
    dura
    uma palavra não para ostentação mas para seguir na estrada
    no seu ágil correr de fogo
    para te abrir o dia
    para te fazer mais pequeno do que o buraco
    para te dar um breve crepitar
    de um insecto
    a fuga precipitada ou o vagaroso pêlo
    o imperceptível movimento
    da água na vereda
    a existência ínfima
    de qualquer animal
    ou folha
    uma partícula de poeira
    ou sulco
    um estalido
    uma palavra como uma chama um pouco mais clara do que o dia
    só levemente mais clara do que a tua mão
    e escura ou parda como a estrada

    António Ramos Rosa

  3. Mao, deixo-te aí uma coisa bonita, pela voz do Nick:

    “Não, não podia desenrolar a linha da beleza para Catherine, porque a linha da beleza explicava quase tudo, e Catherine vê-la-ia como um logro, uma ilusão trivial, parecer-lhe-ia uma loucura, como ela dizia.”

    Pag. 393, A Linha da Beleza, Alan Hollinghurst, trad. José Vieira de Lima, Asa (2004), 2005

    “A emoção era chocante, assustadora. Era uma espécie de terror, feito de emoções de todas as fases da sua breve vida, o quebrar de elos, saudades de casa, inveja, autocomiseração; mas sentia que a autocomiseração pertencia a uma comiseração mais vasta. Era um amor pelo mundo chocantemente incondicional. Parou de novo a olhar para a casa e, depois, deu meia-volta e prosseguiu a sua lenta deambulação. Contemplou perplexo o número 24, a última casa, com as suas insígnias de festões e arcos de estuque. Não era apenas aquela esquina da rua, mas o facto – por si só – de se tratar de uma esquina de rua, que parecia, à luz do momento, tão belo.

    Idem, pag. 555

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