A paranóia das Ligas voltou a atacar

Com a última jornada do campeonato, hoje, e na possibilidade de qualquer dos três chamados «grandes» poder ser campeão, lá voltou a paranóia das Ligas. Não há jornal nem jornalista que não venha com a «história» das Ligas. Qual história? – perguntarão os leitores. Trata-se de uma doença: uma febre vermelha. A situação é a seguinte.

Nas épocas de 1934/5, 1935/6, 1936/7 e 1937/8 foram organizados quatro torneios particulares, experimentais e sem atribuição de qualquer título nos quais entraram por convite 8 clubes portugueses. Ao mesmo tempo que decorria essa experiência, continuou a ser disputado o Campeonato de Portugal, esse sim, o torneio desportivo que atribuía o título de campeão de Portugal. Ora acontece que nos Campeonatos de Portugal entre 1934 e 1938 o Benfica ganhou 1, o F.C.Porto venceu outro e o Sporting ganhou dois. Mas, ao mesmo tempo, os torneios particulares e experimentais chamados Ligas tiveram como vencedores o F.C.Porto (1 vez) e o Benfica (3 vezes). Como lhes convinha para efeitos de estatística, muitos jornalistas simpatizantes do Benfica começaram a apagar os Campeonatos de Portugal de 1934 a 1938 (Benfica ganhou 1) dando relevo às Ligas (Benfica ganhou 3) como se de campeonatos se tratassem.

Ora, o campeonato da I Divisão só começou em 1938/9 tendo sido vencedor o F.C.Porto. Se as Ligas fossem campeonatos (e não torneios experimentais), não teria havido Campeonato de Portugal entre 1934 e 1938 e a Académica, o último classificado da Liga de 1934/5, tinha descido de divisão. Mas não desceu até porque não havia ainda II Divisão. A Académica voltou a jogar na Liga em 1935/6 sendo de novo o último classificado. Depois foi 5º em 1936/37 e 6º em 1937/8. Tal como o da I, o campeonato da II Divisão só começou em 1938/9, depois de 4 anos de experiências com 4 vencedores deste torneio experimental: Carcavelinhos, Olhanense, Boavista e Leixões.

Esta é a verdade. Já chega de paranóia das Ligas. Basta!

José do Carmo Francisco

2 thoughts on “A paranóia das Ligas voltou a atacar”

  1. Eu não gosto nada de futebol, mas saber de como tudo começou nesta doença embrutecedora mascarada de desporto no nosso país é, no mínimo, refrescante, alem de instrumento teórico para se ussar na próxima conversa de café com certos amigos contaminados.

    E isto para não falar da grande sorte de podermos desenjoar um pouco as coisas muito piores que insistentemente nos obrigam a ler neste jornal estranho.

    Continue, José. Basta dessas coisas contra as quais se insurge! Mas reapareça com os resultados das suas voltas pelos sebos da cidade, muito mais interesantes a meu ver.

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