«Pezinhos de coentrada» de Alice Vieira

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As crónicas publicadas nos jornais e nas revistas perdem-se poucos minutos depois de serem lidas. Recolhidas em livro, podem aspirar a alguma posteridade. Este volume de Alice Vieira recolhe textos publicados no Jornal de Notícias e nas revistas Tempo Livre, Audácia e Activa. Um dos textos tem o sugestivo título de «Ir à terra» e recorda uma visita da autora com Carlos Pinhão à Rua do Grilo ali no Beato, uma das muitas aldeias de Lisboa:

«Pareces o emigrante quando chega à aldeia – digo-te por brincadeira. Para o trabalho que tinha em mãos e para o qual pedira a tua ajuda naquela Lisboa para mim desconhecida, já não precisava de ver mais nada. Mas tu insistias: querias ver os lugares que existiam ainda e aqueles de que já nem sequer rasto havia. «Ali onde está aquela tabacaria, era a alfaiataria do meu tio. Eu ficava horas sentado à máquina de costura a pedalar, a pedalar, sentia-me o Trindade e o Nicolau… Depois o meu tio saía e dizia: «Vou entregar a obra aos fregueses» Ainda hoje sempre que tenho um artigo para entregar na Bola ou um original para a editora, digo sempre: «Vou entregar a obra aos fregueses». Entramos na escola primária, casarão imenso onde os degraus de madeira rangem tanto que até se deve ouvir lá fora, andamos por ruas e travessas, vilas e pátios, e reencontramos os olhos azuis da tua primeira namorada que engordou uns quilos e está cheia de rugas e cabelo branco e que, ao ouvir-te contar o tempo que passavas escondido só para a veres aparecer na rua, desfaz os teus sonhos com uma sonora gargalhada: «Olha que nunca dei por nada, palavra de honra!». «Fez-me bem ir à terra», disseste em jeito de adeus».

Editora – Casa das Letras
Capa – Neusa Dias

José do Carmo Francisco

4 thoughts on “«Pezinhos de coentrada» de Alice Vieira”

  1. O terrível cativeiro de quinze militares britânicos sob o regime de Ahmadinejad

    Jon Stewart, do Daily Show, dá-nos, com extraordinário humor, uma imagem pungente do drama vivido pelos quinze militares britânicos enquanto reféns de Ahmadinejad, por alegadamente terem violado águas territoriais iranianas.

    Stewart: estou certo que foram submetidos a todo o tipo de horrores. Foram obrigados a usar fatos de treino desirmanados. Tiveram de se entreter com jogos de sala e comer petiscos que se serviam nas festas nos anos oitenta. E foram obrigados a rir com naturalidade…

    Vídeo – 2:20m

  2. José do Carmo Francisco.
    Està a ver,as làgrimas viéram,so a pensar que vinha de Alcantara,a pé via o Museu das Artes Antigas,continuava,depois do Largo do Conde Barâo,onde jà nâo existe as varinas subia a Calçada do Combro,paràva sempre a ver o guarda Republicano de sentinéla na igreja.Éra um irrealismo para mim continuava à Pràça de Camôes depois de ver o loreto,descia justo ao Quartél do Carmo,andava por a Lisboa antiga,a mim fas-me chorar,é ou nâo uma democrasia?

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