«O preço de um ‘Scolari’»

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Lendo – já tarde – o «Público» de hoje, dou com esta Carta ao Director.
O autor é da casa. Por isso, esta discreta divulgação.

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Todos condenamos facilmente atitudes como a de Scolari depois do jogo com a Sérvia. Ainda que a muitos apetecesse o soco que ele não chegou a dar. A violência não é a finalidade do desporto, tanto mais que idealmente o imaginamos como escola e prática de virtudes.
Pelo Natal de 2005, tive a grata surpresa de uma amiga comum me ter posto em conversa telefónica com o “Felipão”, porque ela sabia que eu o admiro e, por um acaso vindo da infância, torço pelo seu verde Palmeiras. Uma das coisas que lhe disse foi que o futebol era uma escola exemplar de disciplina. Sem tempo então para lhe explicar a ideia, faço-o agora, caso ele leia esta carta.
O gesto irreflectido de Scolari pode custar-lhe muito caro. Muito mais caro do que o mesmo gesto em outras circunstâncias da vida. Sá Pinto pagou um preço altíssimo pelo seu impulso vingador da honra que julgou ferida. O equivalente a muitos milhares de contos e a quase um décimo da sua carreira. Duas faltas leves durante um jogo de futebol podem equivaler a um cartão vermelho, com a respectiva expulsão e o consequente prejuízo de milhares de euros, além de uma multa de centenas. E vale o mesmo uma simples palavra de desabafo em calão.
Não sei que castigo será julgado justo para Scolari. Mas, por mais leve que seja, será sem dúvida muito mais grave do que se ele tivesse perdido a calma num gabinete de trabalho ou num bar de esquina.
Talvez não possa nem deva ser de outra maneira. Mas que há uma enorme desproporção entre a justiça desportiva e a comum, disso não restam dúvidas.

Daniel de Sá
Maia, São Miguel

5 thoughts on “«O preço de um ‘Scolari’»”

  1. Daniel, Tenho certeza que o Filipão lerá tua carta e lembrará da forte impressão que deixaste naquela breve conversa telefônica. Uma partilha de sentimentos comuns pelo verde Palmeiras,azul do Grêmio e pelo Pauleta de São Roque.Um momento de descontração e simpatia mútua. O seu gesto impulsivo pode custar-lhe caro,é verdade. Mas, não apaga seus feitos dentro e fora do campo.Muito menos o respeito e admiração por seu trabalho.

  2. Meu Caro Fernando, meus Caros amigos do Aspirina
    Absoluta surpresa para mim, esta publicação. Tanto mais que a mandei na noite da 5ª-feira, e só amanhã ou 2ª lerei a edição de hoje.
    Mas aproveito para dizer que foi esta belíssima amiga, “açoriana de 250 anos” como ela gosta de se apresentar, que me surpreendeu passando ao Felipão o telemóvel num encontro entre ambos na Portela, a caminho do Brasil.
    Claro que a Lélia não tem 250 anos. A emigração de “cazaes dos Açores” para o Sul do Brasil, ordenada por D. João V, é que foi a meados do século XVIII.
    Ah, só mais isto: eu escrevi foi “Socolari”.
    Obrigado, querida Lélia.
    Daniel

  3. A partir do momento em que o sr. Scolari mandou foder uma jornalista que lhe fazia perguntas incomodas, e toda a gente assobiou para o ar…passou a achar-se impune! Até afirmar-se admirador de Pinochet, e o sr.Daniel também finge que não conhece…Enfim!

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