«As pequenas memórias», de José Saramago

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O título deste livro, explica o autor, deve-se a nele surgirem «as memórias pequenas de quando fui pequeno». Mas começou por se chamar «O livro das tentações». Não era nada fácil nos anos 20 do século XX a vida dos pais do (ao tempo) pequeno José Saramago: a mãe doméstica e o pai guarda da PSP, mais tarde o subchefe Sousa. Quartos, partes de casa e, finalmente, casas, constituem-se no quase infindável roteiro: Rua E ao Alto do Pina, Rua Sabino de Sousa, Rua Carrilho Videira duas vezes, Rua dos Cavaleiros, Rua Fernão Lopes, Rua Heróis de Quionga, Rua Padre Sena de Freitas e por fim a Rua Carlos Ribeiro. Uma rua sem saída de onde José Saramago viria a sair aos 22 anos para casar com Ilda Reis.

Há neste livro memórias alegres e irónicas, mas também amargas e infelizes. Como por exemplo a morte do seu irmão Francisco: «A mãe e os filhos chegaram a Lisboa na Primavera de 1924. Nesse mesmo ano, em Dezembro, morreu o Francisco. Tinha quatro anos quando a broncopneumonia o levou. Foi enterrado na véspera de Natal. Em rigor, em rigor, penso que as chamadas falsas memórias não existem, que a diferença entre elas e as que consideramos certas e seguras se limita a uma simples questão de confiança, a confiança que em cada situação tivermos sobre essa incorrigível vaguidade a que chamamos certeza. É falsa a única memória que guardo do Francisco? Talvez o seja mas a verdade é que já levo oitenta e três anos tendo-a por autêntica…Estamos numa cave da Rua E ao Alto do Pina. É o Verão, talvez o Outono do ano em que o Francisco vai morrer. Neste momento é um rapazinho alegre, sólido, perfeito.»

Editorial Caminho
Colecção O Campo da Palavra, 149 páginas

José do Carmo Francisco

4 thoughts on “«As pequenas memórias», de José Saramago”

  1. o senhor do Carmo Francisco tem sempre que meter a vida privada ao barulho. Que era casado com esta e depois com aquela, que tirou o nome da outra da dedicatória, que viveu na rua tal do número tal, que a escritora se ofendeu com o beijinho, que o poeta deu um traque…
    Já que o mandaram à fava no jornal do Sporting, podia ir pedir emprego à Caras ou à Nova Gente – é que tem jeito para a coisa, quase tanto como o Cláudio Ramos.

  2. Concordo com o comentador anterior, já para não falar da sanha persecutória a um cidadão que escreve nos por jornais, por este usar legitimamente o apelido do seu Avô.

  3. Anonymous e Álvaro Castro
    Aqui lê quem quer e à borla… assim como comenta o que lhe der na real gana… ao nível das suas capacidades, claro.

  4. Tem razão a «sininho» como sempre. o falso anónimo que cheira a peixe mau de Sesimbra nem percebe que se trata de citações do livro do Nobel. Não inventei nada, fiz apenas uma nota de leitura…

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