Revolution through evolution

Celebrity chefs have poor food safety practices
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True Lies: People Who Lie via Telling Truth Viewed Harshly, Study Finds
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Businesses Shape International Law Through ‘Astroturf Activism,’ Paper Finds
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Having a Meltdown at Work? Blame It on Your Passion
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Pessimists, you aren’t alone in feeling down
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Hands-free just as distracting as handheld mobile phone use behind the wheel
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When Horses Are in Trouble They Ask Humans for Help
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Síria: quatro não alinhados e um moderador

Para se ter uma perspectiva diferente da versão oficial ocidental sobre Alepo e a Síria, deixo aqui o link para um programa de debate (intercalado com breves reportagens) que ontem, dia 15, passou no canal francês LCI (La Chaîne Info). Dura um pouco mais de uma hora. É preciso perceber francês e ter uma certa paciência com os anúncios iniciais e a meio. Mas vale a pena ouvir os participantes que, não parece, mas foram convidados pelo moderador. Infelizmente, não arranjei maneira de colocar aqui a imagem com ligação direta ao vídeo.

 

Alep seule au monde

 

Prevê-se estouro para breve

Ontem o PSD do Passos e da Luís levou mais uma rabecada do Marcelo, a propósito do “ruído” feito em torno da Caixa, altamente prejudicial para o banco do Estado e para o país. “Em nenhum país do mundo, nenhum banco consegue eficazmente fazer uma reestruturação estando ao mesmo tempo a debatê-la na praça pública.”

Este presidente não se cansa de pisar os calos do Passos, quando ele entra em modo de demagogia descerebrada.

Mistério, para mim, é a direita andar tão caladinha em relação ao presidente que elegeu. Com a barriga a estalar, repleta dos sapos que o Marcelo já lhe fez ingurgitar, o líder laranja arrisca-se um dia destes a estourar, tal vulcão de lama, como naquela cena de The Meaning of Life. Esperemos que seja depois do Ano Novo, para não estragar as festas.

Exactissimamente

A propósito de falar sem medo e de dizer verdades inconvenientes: ouviu ou leu o que disse esta semana, na Assembleia da República, a deputada socialista Isabel Moreira? Ela subiu ao púlpito e disse de Angola, olhando para Luaty Beirão, o que Maomé não disse do toucinho. Falou de uma ditadura brutal, de um total desrespeito pela liberdade. O caso Luaty tem já mais de um ano, mas foi preciso passar todo este tempo para que ouvíssemos alguém num órgão institucional português dizer tudo isto com as letras certas. Como é que alguém dizia (sobre outra coisa qualquer)? É isso: D-i-t-a-d-u-r-a.

in Duas palavras simples que nunca o são: verdade e justiça

Pata de urso

As petrolíferas americanas, mais os russos, cujos oligarcas dependem das receitas geradas pelos combustíveis fósseis, ditaram a eleição de Trump (a piratagem dos sistemas informáticos pelos russos aconteceu mesmo, e não tendo apenas como alvo o campo democrata, mas era este que interessava abater; o restante material, o do campo contrário, guarda-se para uma futura necessidade. As notícias falsas também funcionaram na perfeição) e irão procurar continuar a ditar o rumo da política do palhaço rico, que mais não será do que uma marioneta. E porque é que isto acontece? Simples. Os russos não estão interessados na adopção generalizada das fontes de energia alternativas e renováveis, tão apreciadas pelo ocidente, e que por cá ganham rapidamente terreno. A Rússia é o maior exportador de gás natural do planeta e o segundo maior exportador de petróleo. Assim, resolveram dar uma ajudinha logo durante a campanha a quem os podia ajudar. E conseguiram uma inesperada e estrondosa vitória. Depois, foi para eles um prazer assistir ao alarido mediático todo em volta dos escolhidos para as diferentes pastas, mais os tweets do Trump e as suas bizarrias, mais as provocações à China, enquanto tranquilamente ocupava o seu lugar o homem que verdadeiramente interessa nesta estratégia – o Secretary of State. Pois é, os oligarcas russos não estão dispostos a assistir sem luta, e sem guerra suja, ao seu próprio declínio. Parece que os americanos estão dominados.

Esta tese não é minha. É de uma pessoa próxima que vive nos States. Parece algo estapafúrdia, mas, observando o que se tem passado e o que tem sido noticiado nas últimas semanas e dias, penso que faz sentido.

É evidente que, em matéria de interferências na política de outros países, nada aqui é novo, a não ser as técnicas, que acompanham os tempos. Novo é o alvo. É também é sabido que os americanos tinham, e têm, uma grande rodagem nessa matéria das interferências e da manipulação. Mas os russos agora surpreenderam-nos.  Enfim, não aos que “lutam pela mesma causa”. Conjugação de interesses, chama-se a isto. Bem aproveitada.

Ocorre-me que o estado de espírito de quem por lá, nas esferas do actual poder e entre os democratas, e em geral entre a gente decente e bem informada, esteja a deduzir nestes mesmos moldes com base no que se vai descobrindo não deve ser famoso. Que tempos.

 

Para que serve o jornalismo político?

Foi há três semanas. Mariana Mortágua e Adolfo Mesquita Nunes apareceram na “Edição da Noite” para 12 minutos de paleio, 6 a cada. É impossível que essa interacção pública tenha qualquer influência – qualquer de qualquer de qualquerzinha – sobre qualquer parte – qualquer de qualquer de qualquerzinha – da nossa política. Mais, é quase certo que nenhum deles ao dia de hoje se lembra do que disse, ainda menos do que ouviu. E, no entanto…

No entanto, estamos perante duas figuras que, assim os deuses lhes dêem saúde e gana, poderão dentro de alguns anos liderar os respectivos partidos onde militam. Não é impossível que algum deles venha a exercer o cargo de primeiro-ministro, ou os dois em tempos diferentes. Coisas muito mais improváveis já aconteceram e continuarão a acontecer. Pelo que o episódio, na sua agoniante banalidade e irrelevância imediata, é igualmente especial e relevante desse outro ponto de vista onde colocamos a atenção sobre os padrões de comportamento e a estrutura relacional que tende a passar despercebida por ser sempre a mesma na sua repetição contínua.

O tema em debate nascia do pagamento antecipado de parte da dívida nacional ao FMI. Ocasião para um confronto entre esquerda e direita, aliados e opositores do Governo. 12 minutos no total. Que fazer com 6 minutos de tempo de antena para gastar com uma mão cheia de milhares de telespectadores? Mais do mesmo, responderam convictos Mariana e Adolfo. O tal mesmo que afasta cidadãos da política e da cidadania. A esquerda apenas conseguiu deturpar o problema da dívida, reduzindo-o à dimensão moral: agiotagem dos credores. A direita apenas conseguiu moralizar o problema da governação: incapacidade e incúria de uns fulanos socialistas que tiveram de chamar a Troika. Nenhum gastou meia vogal com os principais factores na origem do problema das dívidas soberanas: responsabilidade das políticas europeias na resposta à crise de 2008, onde a regra era meter dinheiro para evitar a depressão e sair o mais rapidamente possível da recessão, e responsabilidade das políticas europeias na concepção do papel do BCE, o qual só a partir de Novembro de 2011 se decide a resolver o problema pela mão de um Draghi acabado de chegar ao comando da instituição. Qual a razão para estas duas figuras da política profissional terem apagado algo que não poderiam negar se questionadas directamente a respeito sob pena de perderem a credibilidade intelectual? É que a terem falado com plena objectividade do tema digladiado não poderiam, em concomitância, gastar o tempo disponível no vício decadente da diabolização.

Entre os dois estava Sara Pinto. Jornalista. Que não abriu a boca sobre o que estava em causa quanto à contextualização factual das argumentações de parte a parte. Cujo silêncio tanto pode ser manifestação de ignorância como de alheamento, mas que talvez com maior probabilidade exiba um respeitinho civicamente infantilóide e jornalisticamente abjecto perante os “políticos” – como jornalisticamente abjecto seria o simétrico abuso dos políticos recorrendo à agressividade narcísica, ao enviesamento sectário e à difamação sonsa. Este silêncio perante dois discursos que se limitam a tratar os cidadãos como borregos é parte fulcral da irracionalização que degrada a democracia ao ser cúmplice das diferentes demagogias em compita.

USA Inc.

Tudo indica que Donald Trump se prepara para gerir o seu país como quem gere uma empresa. Na realidade, como quem gere todas as empresas norte-americanas. Aliás, como quem gere todas as empresas norte-americanas que estejam com ele. E ai das outras.

Assim, com a Rússia, podem fazer-se grandes e bons negócios. Logo, Putin é um amigo. Já era, aliás! Pelo menos para alguns espertalhões, os que sabem da poda. Não os míopes dos Obamas deste país. A política, a geopolítica, os aliados, a NATO, mas o que é que isso? Come-se? Aliás, compra-se? A NATO, por exemplo, é um bando de caloteiros. Ora, como eu dizia, negócios – business – e os russos que tratem do Médio Oriente, que estão mais perto. A gente vende-lhes o armamento que quiserem. Eles gramam. E nós facturamos.

A China, mas quem pensam estes “olhos em bico” que são? Produzem a preços inaceitavelmente baixos e inundam o mercado mundial, e sobretudo a América, com bonés, T-shirts, jeans, alhos e lâmpadas ao preço da chuva. Chuva de Xangai, clima do caraças. Mas dão-nos cabo dos salários e da indústria, como eu disse na campanha. Eu quero pagar mais aos meus trabalhadores. Só que não posso! Pois que os chinocas vão vender para o raio que os parta. Por aqui, porta fechada. Ai dizem que vão vender armas aos nossos inimigos? Ah, ah, mas que inimigos? Que é isso? Quem usa ainda inimigos?  Quem não quer fazer dinheiro?

E a OMC, quem são esses gajos? Têm hotéis? Donald Junior, vê se pões esses gajos a trabalhar para nós. Perdão, a facturar. Olha, a ONU também. Bando de inúteis. No Sudão estão a matar-se? Mas o que é que o Sudão tem para vender, além de areia? Estás-me a dizer que tem petróleo, mas só numa parte? OK, Ivanka, compra-lhes lá uns barris e constrói um hotel com vista para os campos de refugiados. Ou para os campos de guerra. Uns tantos da outra parte podem vir trabalhar nas cozinhas. Quanto à natureza dos hóspedes, no problem. Há ou não há quem goste de ver “walking deads“, afinal? Ali serão reais! Reais, estão a ver? Olha, na Turquia também pode ser interessante.

E é isto. É isto e pode ser mais. As chaminés a fumar na Pensilvânia e no Michigan que será uma alegria. America great again.

A 20 de janeiro, ponhamos os cintos de segurança que este tipo vai divertir-se à grande aos comandos.

Não gastemos o rico dinheirinho com os tribunais, a PJ vai acabar com a corrupção em dois ou três anos

“A corrupção em Portugal atingiu não só diversos sectores de actividade económica, mas também os mais variados serviços públicos. Estamos a prender um corrupto de três em três dias. Nos primeiros 11 meses do ano detivemos 119 pessoas suspeitas desse crime.”

Almeida Rodrigues, Director da Polícia Judiciária

Vamos admitir que o jornalista publicou as palavras exactas de Almeida Rodrigues. Se sim, então o Director Nacional da Polícia Judiciária manifesta desconhecer o que seja o Estado de direito. Porque considera que a PJ “prende corruptos” e à média de 1 a cada 3 dias. Que esses “corruptos”, afinal, não passem de “suspeitos” na altura da sua “prisão” é distinção demasiado subtil para um durão da PJ sequer reparar nela. Se estão a ser varridos do mapa, transmite este Almeida, é porque estão cheios de porcaria, são lixo.

No mesmo artigo aparecem umas contas que permitem saborear ainda melhor este naco de cultura policial tão do agrado do zeitgeist e da indústria da calúnia que goza de impunidade total em Portugal ao ponto de nem sequer os seus crimes serem investigados. As contas estão feitas, as ilações ficam para quem as apanhar:

De acordo com o relatório divulgado nesta sexta-feira pela Procuradoria-Geral da República, nos anos judiciais de 2014/2015 e 2015/2016 foram registados 3360 inquéritos relativos a crimes de corrupção e criminalidade conexa (abuso de poder, administração danosa e branqueamento, por exemplo). No mesmo período temporal foram deduzidas 297 acusações e arquivados 1673 inquéritos, tendo sido aplicado o instituto da suspensão provisória do processo em 129 inquéritos.

Revolution through evolution

Let Your Kids Lose
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Doctors’ burnout should be treated as organization-wide problem, new research suggests
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Cuidado aí com o orgulho em ser… muçulmana

O credo demasiado ligeiro e apressado da canadiana Ms. Massa, uma cara bonita:

«When it comes to her detractors, Ms. Massa has adopted the following credo: “That negative reaction comes from reading a headline and seeing a photo and deciding they don’t like the way I look. That’s not my problem. That’s theirs.” »

Eu sei que a sociedade ocidental deve respeitar as opções individuais, que uma mulher muçulmana não está mais condicionada nas suas escolhas do que uma filha de católicos ou de evangélicos, ou até de ateus, e que, portanto, o que vale para umas vale para outras, como dizer-se que a liberdade de opção religiosa, ou qualquer liberdade de escolha, é relativa, etc., mas que, esquecendo a intolerância que prevalece nas famílias muçulmanas, aceita-se que se diga que, chegadas à idade adulta, as mulheres que cobrem a cabeça em público o fazem por opção individual. Tudo bem.

Acresce que a “socialização” das vestes femininas muçulmanas menos encobridoras (caso da sua exibição em desfiles de moda) pode ser um bom sinal de integração social, de desdramatização e até de laicização dessas indumentárias. Também passar na rua por um homem de turbante ou de túnica ou por uma mulher de chador ou hijab enquanto usamos calças rasgadas, mostramos o umbigo e parte dos seios e abanamos a cabeleira colorida ao vento pode querer dizer que se aceita a diferença e a liberdade de cada um e que é possível conviver em paz com pessoas educadas para visões do mundo e dos sexos diversas. Na sociedade ocidental, em que, recorde-se, predominam os valores ocidentais, pode querer dizer isso e quer certamente dizer isso.

No entanto, alguém me explique por que razão uma mulher há de ter orgulho em não sair de casa sem cobrir totalmente os cabelos com um lenço (e o corpo com vestes largas para esconder as formas), alegadamente para não suscitar a lascívia dos “machos”. Que orgulho haverá em se considerar e ser considerada não mais que uma “fêmea” que se arrisca a ser atacada se mostrar o cabelo e as pernas? Isto no mundo ocidental, entenda-se, pois no outro está instituído e exarado em acta há vários séculos que os machos são bestas.

Considerando eu que a sociedade ocidental evoluiu no bom sentido no que respeita às mulheres e compreendendo eu que a mudança das mentalidades dos imigrantes não acontece de um dia para o outro, custa-me a aceitar que, ainda que indiretamente, se encorajem, ou que não se desencorajem de todo estes sinais externos de mentalidades há muito ultrapassadas por cá. Da minha perspetiva, tolerância transitória e apreciação do pitoresco são uma coisa. Excessivo respeito por hábitos e práticas indignos contra os quais lutámos e aceitação acrítica ou indiferente dos mesmos é outra coisa. Reagir parece-me saudável.

Assim, aquela mulher lá em cima pode apresentar todos os telejornais que quiser escondendo o cabelo por “pudor” e nos canais que o entenderem. Já achar bem ou achar graça a isto é que não devia acontecer. E se aos homens não incomoda, às mulheres livres devia incomodar. E mais, não considero que qualquer reação a isto se enquadre sempre no conceito de “hate”, termo usado na peça. Pode ser repugnância e bem sentida. E incómodo. É que a pena não faz nada pela evolução dos humanos. Nem o silêncio.

É o novo acordo pornográfico

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Fonte

Não tem importância nenhuma, certo? A Lusa mandou o texto assim, a TSF publica-o e deixa-o estar tal como veio. Administradores, directores, jornalistas, leitores, toda a minha gente se está a marimbar. Depois de atingirmos o estádio da pós-verdade, e por inerência, também chegámos ao pós-jornalismo. E já vamos a acelerar em direcção à pós-gramática.

Só há nisto uma consolação: está ao nível da linguagem chula de Passos. Por aí, até podemos falar numa admirável estilização ao serviço do subtexto.

Será mesmo só estupidez?

Está o cidadão tranquilamente a ler um semipasquim chamado Público quando depara com esta prosa:

Mas em quê, exactamente, terá consistido o alegado populismo de Trump? O populismo paradigmaticamente exemplificado pelo “Syrisa” grego ou pelo “Podemos” espanhol, politicamente correctíssimo, tem a pretensão de possuir um pedigree intelectual e académico que reabilita e promove a mentira na política democrática como meio legítimo de captar votos e o poder. Mas os Trumps de vários pêlos e estilos não mentem: limitam-se a dizer o que o povo pensa mas ninguém diz - pelo motivo de que o establishment vive protegido pelo “politicamente correcto”, uma forma de censura insidiosa mas violenta que impede a livre expressão das “inconveniências” que escandalizam as elites bem-pensantes e os eleitorados educados.

Será mesmo só populismo? – M. FÁTIMA BONIFÁCIO

É o pacote completo: Trump (et alia) não é populista, limita-se a dizer as verdades que as elites armadas em defensoras da democracia querem esconder do bom e puro povo; populistas são as esquerdalhas gregas e espanholas, fingindo-se modernas e cultas só para serem ainda mais mentirosas, esses filhos da puta.

O cidadão, muito distraído, ficou confuso. Quem é esta pessoa? Quem é que a convidou para escrever no semipasquim? E pagam-lhe por estas cagadas ou é ela que tira do seu bolso para conseguir pespegar o nome no jornal? Acima de tudo, que sofrimentos e infelicidades suportou ao longo da vida para ter acabado nisto, no espectáculo da sua miséria intelectual?

Foi então que olhei para o fundo da página, e lá estava a resposta. Óbvia:

m-fatima-bonifacio

A entrevista a Costa, mais o antes e o depois

Foi premonitório e certeiro o que António Costa disse à entrada para as instalações da RTP: que era muitas vezes mais importante responder diretamente às pessoas que lhe fazem perguntas, como acontecera há uns dias, do que responder a estas entrevistas com jornalistas que muitas vezes enveredam por assuntos que apenas interessam aos próprios enquanto agentes dos media. Também à entrada, uma jornalista perguntou a Costa se se tinha preparado melhor para esta entrevista… Insinuando que, para a outra, estava mal preparado? Que deselegância, para não dizer que estúpida insinuação de boas-vindas.

De facto, os temas mais demorados foram completamente os que fazem os títulos dos jornais e que, já se viu pelas sondagens, interessam muito pouco à generalidade da população. Os jornalistas detiveram-se demasiado tempo na Caixa Geral de Depósitos, mas lamentavelmente não à volta dos princípios (o porquê de um banco público, dados sobre o plano para a Caixa, qual a explicação para o ruído criado no Parlamento, etc.); sempre à volta da coscuvilhice. Sobre o Novo Banco, chegou André Macedo ao ponto de querer saber qual o preço que estaria bem para o Governo. Isto é absolutamente ridículo, estando em curso o processo de venda. Depois lá foram abordados temas como a dívida, o código laboral, as relações com a oposição, com o Presidente da República, os transportes públicos, tudo muito bem respondido por Costa, embora com pouco tempo, ficando André Macedo com cara de parvo pela ignorância e o sectarismo que demonstrou nas perguntas e interrupções.

E o pós-entrevista? Não deu para acreditar: os comentadores convidados para os painéis tanto na RTP3 como na TVI24 eram todos da direita, ou seja, contra Costa. Como é óbvio, nem um minuto perdi com aquele espectáculo, mas deu para ver que eram o David Dinis, a Helena Garrido, o Paulo Ribeiro, o José Manuel Fernandes…

Passos e o regabofe

Tribunal de Contas acusa Finanças de "falta de controlo" na CGD entre 2013 e 2015

Num relatório de auditoria sobre o controlo do Setor Empresarial do Estado efetuado pelo Ministério das Finanças entre 2013 e 2015, divulgado hoje, o Tribunal de Contas considera que houve uma "falta de controlo pelo Estado" do banco público nesse período, após a recapitalização de 2012 (no montante de 1.650 milhões de euros).

No documento, o Tribunal de Contas enumera situações em que considera que o Ministério das Finanças, que durante a maior parte daquele período foi tutelado por Maria Luís Albuquerque (no anterior governo PSD/CDS-PP), deveria ter exercido um maior controlo sobre o banco público.

"O controlo da CGD carece de transparência, particularmente evidenciada pela não remessa ao acionista dos documentos exigidos pelo regime jurídico do Setor Público Empresarial", afirma a entidade, concluindo que "a aprovação de contas da CGD foi efetuada com lacunas de informação".

Em causa está a "falta de conhecimento" dos instrumentos previsionais de gestão da CGD não só pela Unidade Técnica de Acompanhamento e Monitorização do Setor Público Empresarial (UTAM), mas também pela Direção-Geral de Tesouro e Finanças (DGTF).

Dessa forma, afirma o Tribunal de Contas, esta informação não foi incorporada no processo de apreciação dos documentos de prestação de contas, "o que fez com o que acionista tenha aprovado os mesmos sem a informação completa".


Fonte