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Arquivo mensal: Outubro 2016
O DN inventou uma nova forma de dar notícias
Ideias de Passos que podem ser aproveitadas por Costa
José Lello
Nunca falei com ele. Creio que nem sequer trocámos vogais e consoantes numa caixa de comentários, ao contrário do que aconteceu com João Pinto e Castro, falecido a 13 de Junho de 2013 com 62 anos, e Osvaldo de Castro, falecido a 20 de Junho de 2013 com 66 anos, duas pessoas com quem se estabeleceu, embora de diferente modo, um convívio blogosférico feito de simpatia, empatia e admiração.
A ligar as três personalidades nestas palavras está a morte prematura de quem viveu apaixonadamente a política, a cidade e a comunidade. É só isso que conheço deles na distância do nosso convívio. E seria facílimo destacar as diferenças de percurso biográfico, contributo intelectual e tipologia de intervenção cívica. Nada disso importa na comoção do mistério da sua finitude, a nossa.
José Lello deixou como última publicação no Twitter uma ligação para um texto que escrevi em Março deste ano. Isso, para além da mera coincidência, significa que ele não dava, ou já não dava, importância ao canal embora o continuasse a usar para dialogar com outros utilizadores. E significa também que isto de teclarmos sem qualquer preocupação outra que não seja o prazer de pensar e de falar, de pensar ao falar, de falar ao escrever, pode ter os resultados mais imprevistos.*
Adeus, José Lello
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* O ignatz alertou-me para o erro, nascido de um resultado num browser que não tem qualquer relação com o que aparece noutro computador. É um alívio descobrir ter sido enganado por algo cuja explicação, assim que a encontrar, publicarei.
** Está explicado o fenómeno: há dois perfis José Lello no Twitter, e aquele que vi primeiro, pensando que era o único, tem o meu artigo como última publicação. Este bizarro erro não teria acontecido se eu percebesse alguma coisa de como funciona o Twitter, mas não é o caso.
Um Nobel alegre. Parabéns, Robert!
Ó César das Neves, pelo amor da santa!
Sempre atenta a como param as modas na sacristia, não pude impedir-me de ler a crónica de hoje do César das Neves, no DN, de imediato pronta para responder à hipotética pergunta que imaginei implícita no título “Deus ou nada” com um definitivo “nada”. Afinal, não havia pergunta. Mas a ideia de “nada” face ao proposto abre tantas possibilidades gostosas, não é? Eu iria por aí. Além do mais, ao dizer que a alternativa “nada” me seduz, estou a cumprir o meu dever e a satisfazer a minha necessidade de chamar a atenção dos leitores para os milhões de fervorosos crentes em deus que povoam o Médio Oriente e o norte de África. São ou não são estados de adoração e de fé em deus, vividos em Estados opressivos, alguns em estados de sítio, estados de guerra e estados de violência, para os quais a alternativa “nada” seria uma bênção? É só pensar nas possibilidades de soluções que abriria.
Mas, Zeus, porque é que este homem César desemboca sempre nos homossexuais e naquilo que ele chama “depravação moral”? Agora até já refere a sigla LGBT, não vão os seus leitores pensar que imorais só há uns, os G. Não, certifiquem-se de que o diabo é multifacetado e designa-se por várias letras.
Ora bem, sendo esse o rumo que as suas crónicas infalivelmente tomam, com a variante dos divórcios entre casais hetero e o a tragédia do fim do casamento tradicional, o que me traz aqui hoje, porém, é a revelação ao mundo que este homem faz da diferença entre “pobreza” e “miséria material”. Ora leiam, que vale a pena:
[Diz ele, citando o livro de um senhor bispo africano, a quem presta homenagem]
Vêem a ligação? E, no entanto, ele acha que está lá. Liguemos, então: há pobres, ou antes “miseráveis materiais”, porque há gente depravada. Ou querem ver que há pobres porque, na ordem do mundo segundo Cristo, tem mesmo que haver? Tudo é possível. Lutar contra a pobreza é que não pode ser. Só combater a miséria material. E, já agora, espiritual. Decidam, caros leitores, qual é para ele a mais importante,
A propósito, o preço do quarto para ver o papa parece já ir nos 1500 euros. Mais caro do que para um concerto de uma banda rock ou um jogo de futebol. Não é decididamente preço para miseráveis materiais. Já para miseráveis espirituais está adequado.
PSD num raro momento de autocrítica
Perguntas simples
Ainda vamos acabar agradecidos ao Trump
A candidatura de Trump é tão grotesca que damos imediata razão a Mel Robbins, comentadora da CNN, quando escreve isto: “At this point, I believe that Donald Trump, as he has suggested, could actually shoot someone and it would not matter to the 40-45% of Americans who still appear to be voting for him” – The Trump tape doesn’t matter Acontece que estas palavras vieram a público antes do debate, antes de vermos Trump usar quatro mulheres social e mentalmente fragilizadas, tenham ou não tenham razão nas suas queixas nunca provadas contra Bill Clinton, como carne para o seu canhão populista e fascizante. Antes de vermos um candidato presidencial norte-americano, e num debate, a ameaçar de prisão a sua adversária na corrida presidencial caso consiga ser eleito e propondo-se manipular o sistema de Justiça para o efeito. Tal nunca antes tinha acontecido na História não só dos EUA mas da maioria, se não for mesmo a totalidade, das democracias onde esteja em vigor um Estado de direito respeitado pelo sistema político.
Porém, contudo, todavia, há várias facetas do que se está a passar do outro lado do Atlântico que são análogas ao que se passou e passa aqui no rectângulo. O mutatis mutandis é fácil de estabelecer:
– Em 2004 e 2005, o CDS e o PSD aceitaram e promoveram uma campanha de calúnias, apoiada por órgãos de imprensa, onde o secretário-geral socialista ao tempo foi carimbado como corrupto e homossexual.
– Em 2008 e 2009, o CDS, o PSD e o Presidente da República ao tempo alinharam a estratégia para a derrota do PS nas eleições de Setembro de 2009. Essa estratégia passou pelo regresso das calúnias, pelos assassinatos de carácter e pela espionagem de um primeiro-ministro em funções através de uma pessoa das suas relações pessoais com quem mantinha uma comunicação que permitia capturar conteúdos das áreas governativa, política, partidária, económica e pessoal. Tendo falhado por inexistência de provas o plano para constituir Sócrates como arguido numa caso de “atentado ao Estado de direito”, ou que fosse tão-só conseguir levá-lo a prestar declarações ao Ministério Público em cima da campanha eleitoral, foi lançada a “Inventona de Belém” a 5 semanas das eleições, uma réplica exacta, mas em versão cavacal, das “October surprises” americanas.
– De 2009 até hoje, a direita decadente – leia-se, a que não repudia a baixa política e golpadas dos que querem o poder pelo poder – repete a cassete de que Sócrates e o seu Governo foram protegidos pelos Procurador-Geral da República e Presidente do Supremo Tribunal de Justiça ao tempo. Apesar das violações do segredo de justiça e de os documentos do processo estarem agora ao dispor do público, nunca quem calunia e difama estas pessoas e instituições apresenta qualquer prova de ter havido qualquer ilegalidade no arquivamento. A argumentação a que se agarram é irracional, infantil e odiosa. Na sua distorção cognitiva, conseguem apagar o facto de todas as escutas a Sócrates, na sua versão integral, terem estado e continuarem a estar ao dispor das autoridades, dos jornalistas e dos adversários e inimigos de Sócrates e do PS.
– Directamente ligada com a acusação anterior, surgiu em 2011 o discurso de que bastaria mudar uma individualidade na Procuradoria-Geral da República para que tudo o resto mudasse – leia-se: para que Sócrates fosse finalmente engaiolado, juntamente com o seu bando. Essa individualidade dá pelo nome de Joana Marques Vidal e foi a escolha de uma ministra da Justiça que oficializou a nojeira ao comentar o envolvimento de ex-governantes socialistas em processos judiciais recorrendo à expressão “o tempo da impunidade acabou“. Isto é, a PGR estava finalmente descontaminada da corrupção que tinha impedido que esses criminosos fossem apanhados mais cedo.
– Aquando da detenção de Sócrates, um deputado do PSD foi para o Facebook manifestar a sua alegria – “Aleluia!”. Ex-líder da JSD rejubila com detenção de Sócrates – vindo depois a apagar a peça. O que ele fez conseguiu ser, ao mesmo tempo, o achincalhamento moral de um concidadão e ex-governante, a negação do seu estatuto de inocente até prova em contrário, a celebração da judicialização da política, a manifestação de uma barbárie provinciana e o desprezo pelos valores religiosos onde foi buscar a exclamação. Acontece que ele não estava sozinho nos festejos, foi apenas mais estouvado do que muitos dos seus colegas de partido e de facção. Este melro há muito que procurava o supremo consolo de ver Sócrates nas mãos das autoridades policiais e judiciais. Explodiu de prazer com o espectáculo da sua captura.
– Também Passos, depois de ter chegado a presidente do PSD e no aquecimento para as presidenciais de 2011, avançou com a ideia de prender os seus adversários políticos. Foi em Novembro de 2010, e as suas lapidares palavras, à luz do que o seu futuro Governo viria a praticar, são estas: «Quem impõe tantos sacrifícios às pessoas e não cumpre, merece ou não merece ser responsabilizado civil e criminalmente pelos seus actos? Sempre que se falham os objectivos, sempre que a execução do Orçamento derrapa, sempre que arranjamos buracos financeiros onde devíamos estar a criar excedentes de poupança, aquilo que se passa é que há mais pessoas que vão para o desemprego e a economia afunda-se. Não se pode permitir que os responsáveis pelos maus resultados andem sempre de espinha direita, como se não fosse nada com eles.» Este mesmo fulano fez meses depois uma campanha em que prometia tornar Portugal grandioso outra vez, sem ser preciso cortar salários, cortar pensões e fazer despedimentos. Só tínhamos que cortar nas “gorduras do Estado” – ou, indo para o exacto paralelo com Trump, para resolver os problemas da América só é preciso cortar nos mexicanos, nos muçulmanos e, já agora, nos impostos dos mais ricos.
– Igualmente em campanha eleitoral para as eleições legislativas de 2011, foi possível ouvir a Carlos Moedas a sua certeza de que “com as reformas que o PSD vai implementar, eu digo-lhe que ainda vão subir o ‘rating’ de Poertugal, não sei se nos próximos 6 meses, se nos próximos 12 meses“. Esta promessa é de um simplismo mágico que compara ao milímetro com a promessa de Trump de levantar um muro na fronteira do México.
Seria fastidioso listar os restantes exemplos do mesmo propósito populista: usar uma crise económica e social gravíssima para atacar os políticos com responsabilidades governativas numa estratégia de ódio e acirramento da turbamulta. Nesta estratégia, a comunicação social foi decisiva para o clima de caça às bruxas que levou a várias tentativas para conseguir enfiar Sócrates e quem com ele esteve em actividade partidária e governativa numa situação de perseguição judicial. O que faz o Correio da Manhã por sistema, despejando calúnias atrás de calúnias que são criminosas no plano moral e legal, explorando a Lei para violar as leis da República e da comunidade, também em nada se distingue do que fez Trump ao explorar quatro mulheres vítimas não se sabe de que circunstâncias para atacar quem é, para todos os efeitos, inocente das suspeitas e acusações levantadas. E esta marca do desprezo pelo Estado de direito, pela mera decência e pelo valor da palavra, expelindo mentiras com a mesma facilidade com que se dá um aperto de mão, é uma característica em que Passos não está em nada distante de Trump.
Há uma esperança a formar-se, no entanto. A de que este espectáculo de degradação seja o remédio de que precisamos para criar os anticorpos que impeçam que tal se repita seja em que grau e forma for. Se tal acontecer, se sairmos desta desgraça mais fortes, ainda teremos de agradecer a Trump e a Passos por serem como políticos os javardos que são.
Que pantomineiro, este Marcelo

«O Presidente da República homenageou esta manhã o seu antecessor no cargo, sublinhando a "sensibilidade social" demonstrada por Cavaco Silva há dez anos, quando elegeu a inclusão como uma prioridade política.
"Quero agradecer-lhe ter sabido compreender o que se passava na sociedade portuguesa, ter sabido eleger a inclusão social como tema do primeiro roteiro presidencial e ter sabido dar o seu próprio exemplo no lançamento da Bolsa de Voluntariado", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa na cerimónia que assinalou os 10 anos do lançamento da Bolsa de Voluntariado, que decorreu na zona de Alcântara, em Lisboa, e contou também com a presença de Aníbal Cavaco Silva.
Admitindo que a memória das pessoas às vezes é curta, o chefe de Estado disse ser necessário reconhecer que "representa uma perceção, uma sensibilidade social muito aguda" lançar em 2006 um roteiro preocupado com a inclusão social quando o mundo ainda não tenha conhecido a crise que atravessaria anos mais tarde.»
Esta notícia leva-nos para uma situação que é um poço sem fundo de cinismo, de deboche político e de provocação moral. Atente-se no mimo da referência à “memória curta” e na sua ligação ao ano de 2006. Que barrigada de riso este número de apagar o que Cavaco fez em 2009, ao deixar um Governo minoritário a ser queimado em labaredas selvagens só para servir os interesses da sua recandidatura e do projecto de poder da direita, e ainda do que fez em 2011, em que empurrou o País para o resgate de emergência com toda a força que tinha, dessa forma condenando milhões a uma devastação fanática que ambicionava aumentar ainda mais as desigualdades. Que barrigada de riso este número de apagar o que Cavaco fez durante o Governo de Passos, validando os ataques à Constituição e a violência do “doa a quem doer”.
Que barrigada de hilariantes gargalhadas esta cena de vermos o circense e sectário Professor das homilias dominicais feito Presidente da República a homenagear o ex-Presidente das golpadas contra Governos democraticamente eleitos, partidos com representação parlamentar e actos eleitorais.
O que não iremos ver neste debate
Não iremos ver Hillary recusar-se a cumprimentar Trump no início do debate. Porém, bastaria isso para que se fizesse História e que não precisasse de dizer mais nada sobre a corda que está posta no pescoço do seu opositor.
Quanto ao caso da gravação de 2005 onde Trump faz comentários banais do ponto de vista da cultura machista que é prevalecente em tantas sociedades, etnias e contextos pessoais – comentários que não foram feitos com a intenção de serem tornados públicos, presume-se sem dificuldade – é confrangedor que se tenha de recorrer a uma violação de privacidade (pois as suas palavras não configuram qualquer tipo de crime) para gerar o actual grau de repulsa que se espalhou como se a pólvora tivesse sido descoberta a 1 mês das eleições. Já a resposta de Trump à crise, na qual ataca Bill e Hillary por causa dos seus escândalos sexuais nos anos 90, merece muito mais atenção do que aquela que está a receber. Porque se trata da exposição de alguém que não pretende assumir qualquer responsabilidade pelos seus actos. Nesse sentido, o seu “pedido de desculpas” fica como um monumento às evidências do que é um psicopata.
Também não veremos ninguém neste debate a chamar psico ou sociopata a Trump. Ou veremos?
Revolution through evolution
Why ‘Managerial Derailment’ Affects Women More Than Men
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Children Mean Stress for Mums, Joy for Dads
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Health determined by social relationships at work
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String pulling bees provide insight into spread of culture
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A new exercise partner is the key to exercising more
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Sex Before Sport Doesn’t Negatively Impact Performance
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Students of All Races Prefer Teachers of Color, Finds NYU Steinhardt Study
Quando há que destacar, há que destacar
O artigo de Ferreira Fernandes hoje no Diário de Notícias. Muito bem escrito, sensível e sem saltos/cortes abruptos que, por vezes, nos desorientam. Fala de John le Carré, Graham Greene e do “voar em círculo”. Parabéns.
Completamente diferente, o artigo de Anselmo Borges, padre católico, também no DN de hoje. Fala do Islão e da não separação da religião da política. Ou de como a pensar talvez a gente se entenda.
Vamos lá a saber
Processo de decadência em curso: um caso de política
No planeta Terra, papa já há um e tem um público limitado

A propósito de Guterres passar a liderar as Nações Unidas. (Na foto, dirigentes da Boko Haram e respetivas armas)
Tal como não existe tal coisa de uma mulher ser melhor do que um homem só por ser mulher (e, por tê-lo afirmado, a ONU está de parabéns), também não existe tal coisa de um português ser melhor do que um búlgaro/chinês/malaio só por ser português (podem pôr no feminino). Ser português não é, infelizmente, garantia de qualidade, como ilustra o caso de Barroso, e, quando a má qualidade e o umbiguismo de cariz financeiro se dão a ver internacionalmente, a vergonha pode ser total. Apesar disso, estou contente pelo facto de o português António Guterres ter sido considerado por avaliadores internacionais, e num processo inédito de transparência (resta saber se se mantém), o mais apto e preparado para liderar a ONU. Foram eles, os representantes dos diversos países, sobretudo os dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, e após escrutínio também por organizações civis, que o escolheram, não fomos nós, convém lembrar. No entanto nós, e penso que nós todos, com excepção de Mário David, considerámo-lo merecedor do cargo pelo percurso seguido, pelo seu humanismo e pelo seu dom da palavra (importante sem dúvida) e solidarizámo-nos com a sua vontade de exercê-lo. A responsabilidade e os louros pelo que acontecer nos próximos cinco anos ficam assim, de certo modo, partilhados. Espero, muito esperançada, pelos louros.
Guterres nasceu em Portugal, estudou em Portugal, teve mestres portugueses, fala português, gosta possivelmente de sardinhadas e de bacalhau à Zé do Pipo. Nós também. Ele podia ser eu ou tu. Essa sensação, ainda em estado puro, é boa. Confirma-se que não somos um Estado falhado – temos uma sociedade organizada, instituições estabelecidas, boas escolas (Guterres sempre estudou cá), tranquilidade suficiente para produzir académicos e políticos de qualidade. Mas atenção: Guterres não deixa de ser escrutinado a partir do momento em que assume o cargo de secretário-geral das Nações Unidas. Aqui, em Portugal, pelo menos, o escrutínio vai ser permanente e emocionante.
Sabemos que o novo cargo não lhe confere um grande poder. A sua acção será a montante e a jusante dos poderes políticos. Ganhará mais poder de intervenção na medida exacta do prestígio que for ganhando no exercício da função.
Embora sabendo que, ao contrário de Barroso, Guterres vai por bem, espero que não desperdice esta oportunidade de acção limitando-se a mensagens genéricas de paz e concórdia entre os homens como se fora um papa. O planeta Terra não está fácil de gerir. As armas parecem fluir livremente. Há um ponto sobre o qual Guterres tem que conseguir um acordo mundial: secar as fontes de abastecimento de armas a grupos de bestas como os lá de cima, o Daesh, a Al Qaeda, a Al Nusra e mais uns tantos já bem identificados. Estarei a ser utópica, mas esta é a minha missão pessoal para Guterres. Depois, chegámos a um ponto em que mesmo os mais humanistas dos humanistas têm que estar conscientes de que a tolerância tem limites. Não podemos cristãmente “dar a outra face” a assassinos e a australopitecos sociais e deixar assim morrer tudo o que de bom a humanidade já conquistou. Não passando Guterres a ser o dono do mundo – pois não só não tem acesso a um famoso botão como também não possui, por si só, um exército interventor e nem sequer dissuasor e muito menos uma potência atrás de si – compete-lhe gerir equilíbrios de modo a prevenir conflitos graves ou de consequências brutais para populações desprotegidas. A ver vamos. Desejo-lhe sorte e sabedoria.


