Deputados do PSD querem saber quanto custam os sindicatos de professores
Arquivo mensal: Junho 2013
Excelente intervenção de Pedro Delgado Alves
Relatório sobre as PPP – quem escreve com os pés, argumenta com o quê?
Para além de, em matéria de conteúdo, pouco trazer de novo ao que já ouvimos da boca do PSD/CDS nos seus ataques ao Governo anterior, de repetir as insinuações contra Paulo Campos e outros governantes socialistas (já repudiadas e respondidas, mas os esclarecimentos foram ignorados), de concluir invariavelmente que o grave disto tudo foram os erros de previsão do tráfego (o que em anos mais distantes da crise era compreensível) e de desconsiderar o facto de os encargos se distribuírem ao longo de 30 anos e de haver milhões de beneficiários futuros, o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito às PPP, que o Valupi tão gentilmente aqui nos facultou, está cheio de erros de português.
Aqui ficam apenas algumas pérolas.
– As opções políticas que serviram de base ao lançamento de Parcerias Público Privadas são o maior factor de influência do seu sucesso/insucesso (ponto 4) (?)
– indeminização (várias ocorrências)
– não lhe trás (ponto 26)
– as previsões foram avaliados (ponto 31)
– défice de tráfego regulares (ponto 32),
– só se revela eficaz se alterações nas formas de validação dos títulos de transporte implicando um investimento não previsto (ponto 37)
– que concluiu vantagem no seu lançamento (ponto 53)
– A Comissão sabe que nesse mesmo dia que estava agendada (ponto 57)
– a Comissão entende que se aparentam indícios de gestão danosa (ponto 64)
– maior eficiência na necessidade pública (67)
– apuramento do Value for Money do modelo SCUT (112)
– garantia assinada pelo governo anterior que previa que se determinados eventos ocorressem; (a frase termina aqui) (ponto 167).
– (acordo ortográfico à escolha do freguês) acionista, mas objectivos; projetados, mas projectos
O ponto 183 encerra o relatório, mas termina com um ponto e vírgula.
As estimativas da população residente para 2012, publicada hoje pelo INE, com especial enfoque nos nºs da emigração
A população residente foi estimada em 10.487.289, um decréscimo de 0,5% face a 2011.
O nº de nados vivos atinge o valor mais baixo desde que há registos, descendo abaixo dos 90 mil, pela primeira vez.
O índice sintético de fecundidade atinge o valor mais baixo de sempre: 1,28 (crianças vivas nascidas por mulher em idade fértil)
Nos últimos dois anos, o país regressa a saldos migratórios negativos.
Nos últimos dois anos, o nº de emigrantes permanentes duplicou. Atualmente, há cerca de 52 mil emigrantes (+28 mil face a 2010).
O maior grupo etário de emigrantes permanentes situa-se entre os 25-34 anos: são cerca de 18.000 [+7mil face a 2011 (+63%)]
O grupo etário dos 55-64 anos é o que mais cresce em termos relativos, face a 2011, (+70%, o equivalente a +500 indivíduos)
O INE compila pela 1ª vez os dados para a emigração temporária, (com dados disponíveis apenas para 2011 e 2012), destacando-se:
O nº de emigrantes temporários atingiu aproximadamente os 70 mil: um crescimento de 22% face a 2011 (+12.500).
Nos últimos dois anos o nº de emigrantes temporários superou o nº de emigrantes permanentes.
O grupo etário dos 25 aos 34 anos foi o que mais emigrou: foram mais de 16 mil a fazê-lo [+ 4.139 face a 2011 (+34%)]
Mais de 11 mil jovens (dos 20 aos 24 anos) emigraram temporariamente: +2.819 face a 2011 (+32%). No entanto, a este facto deverá estar associado o fenómeno da mobilidade académica.
Mais de 6 mil pessoas com 55 e + anos emigraram temporariamente.
Este Governo, ou uma forma de fazer política, como bem explica Rui Paulo Figueiredo
O deputado do PS, Rui Paulo Figueiredo, acusou hoje o PSD de usar a comissão de inquérito das Parcerias Público-Privadas (PPP) para criar encenações destinadas a disfarçar “o desastre da governação” e branquear as responsabilidades do PSD.
“[A comissão das PPP] é uma comissão de inquérito de acusação de responsáveis do PS e branqueamento das responsabilidades dos governantes do PSD”, disse o deputado, reagindo ao relatório que foi divulgado na segunda-feira.
Rui Paulo Figueiredo criticou as audições “seletivas” da comissão e considerou que a versão preliminar do relatório é de “uma banalidade confrangedora”, acrescentando que o comportamento do PSD foi “pouco ético” ao divulgar o documento antes de este ter chegado às mãos dos deputados.
“O PSD viola a constituição e a lei sistematicamente e usa as comissões de inquérito para criar encenações que disfarçam o desastre que é a governação do país”, salientou o deputado socialista, afirmando que o relatório é “parcial” nas análises feitas aos governos liderados pelos sociais-democratas e branqueia “negócios ruinosos” feitos pelo atual governo, nomeadamente o “caso escandaloso” da Lusoponte.
Rui Paulo Figueiredo lembrou que a comissão de inquérito recusou a audição de Álvaro Santos Pereira, Miguel Relvas, Bagão Félix ou Manuela Ferreira Leite e de vários responsáveis de concessionárias revelando “uma fixação numa empresa ligada ao grupo Mota-Engil”.
Por outro lado, o relatório “dedica mais de 20 páginas a defender as responsabilidades” do atual secretário de Estado, Sérgio Monteiro, mas não responde às perguntas que eram feitas e apresenta “meia dúzia de recomendações incipientes”.
“Não estamos disponíveis para colaborar em encenações políticas que só se destinam a branquear este governo e a criar cortinas de fumo”, sublinhou o deputado, lamentando que “o deputado relator, que devia ser independente, se tenha prestado a este triste papel de contribuir para disfarçar as dificuldades do Governo”.
Rui Paulo Figueiredo respondeu que acha “muito bem” que o relatório seja enviado para o Ministério Público, mas gostava que “as conclusões fossem consubstanciadas em factos, provas e naquilo que esta nas atas” e não em opiniões.
Já somos duas
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1. Não sei se estas afirmações devem ser interpretadas como um desafio/provocação a alguém que se inveja e sempre se invejou e admirou, como sincera curiosidade sobre o que faria alguém que se inveja e sempre se invejou e admirou, ou como palavras de solidariedade com um governo a cujo radicalismo e incompetência MFL não tem poupado críticas. Neste último caso, é muito estranho. E incongruente. Nada que já não tenhamos observado na ex-presidente do PSD, muito devido à sua ligação ao presidente da República mais patego e rancoroso de que há memória.
2. Seja como for, em 2011, MFL e muitos outros no PSD, e a oposição em peso, clamavam contra a falta de credibilidade do Governo e não compreendiam e protestavam contra a resistência de Sócrates à vinda da Troika.
3. É claro que José Sócrates “enfrentaria a Troika” com uma atitude muito diferente da subserviência do Gaspar. Aliás, não é Ferreira Leite que diz que não há mas devia haver gritaria nas reuniões regulares de avaliação? Pois é. Se bem me lembro, já na discussão do programa original houve gritaria, sendo Sócrates considerado osso difícil de roer nas negociações. Como pode MFL duvidar de que ouro galo cantaria?
4. Seria mesmo assim irónico que o homem que mais lutou contra o resgate fosse executar o programa que lhe vinha acoplado e que ele a todo o custo quis evitar. Mas os eleitores lá sabiam o que faziam. E MFL não os esclareceu devidamente na altura.
Agora todos temos pena.
Suspensão da memória
Manuela Ferreira Leite discursava segunda-feira à noite numa sessão subordinada ao tema “O estado da Nação. Perspetivas?”, no âmbito das comemorações do 873.º aniversário da freguesia da Estela, Póvoa de Varzim, onde reiterou que a receita aplicada pela ‘troika’ a Portugal “está errada” e os seus “resultados são desastrosos”.
“Eu se pudesse satisfazer um desejo, teria tido imenso prazer em que o Sócrates tivesse enfrentado a ‘troika’ e ficar ele a tomar as medidas terríveis. Não mais falavam de camarote tanto quanto agora falam”, respondeu a antiga governante, quando lhe perguntaram se achava que o PSD se tinha precipitado aquando do chumbo do PEC 4.
Manela, dois anos depois do que andou a fazer e a dizer
“Aquilo está a ser feito a este país tem de ter um limite. Esse limite passa por este Parlamento, tenho pena que não passe em primeira fase pela ponderação do PS, como é que resolve o problema da existência de falta de confiança neste Governo. Era o PS que poderia com facilidade resolvê-lo”, afirmou a antiga líder social-democrata, sugerindo que o PS poderia ter substituído José Sócrates.
Chegados a esta crise, o país tem de se concentrar na produção e não avançar com cortes de salários e pensões, afirmou a vice-presidente do PSD. E disse ser necessário uma alternativa “a esta espiral de políticas erradas”. Se não se fizer isso o país continuará a afundar-se.
Manela, dizendo grandes verdades na tarde em que votou para a submissão de Portugal à Troika
Nem tranquila fico se Sócrates ficar na oposição.
Manela, a dois dias de entregar o País ao casal Passos-Relvas
Será desta que conseguem meter um xuxa no chilindró? Vá lá, rapaziada, pelo menos um…
Comissão PPP’s quer responsabilização de ex-governantes PS
A Comissão não conseguiu apurar se os estudos de tráfego foram, nalguns casos, empolados de forma a justificar a realização de determinados investimentos. Mas a Comissão também não apurou o contrário;
Exactissimamente
A INSTRUMENTALIZAÇÃO DA (PSEUDO) CIÊNCIA – JORGE GATO, HOJE, NO “I”
É um texto imprescindível, escrito por quem sabe, por quem fez um doutoramento na matéria, por quem é, assim, Doutorado em Psicologia.
Graças à Ana Matos Pires, consegui colocar, também aqui, o texto, para quem não o tenha lido no jornal.
O líder da Juventude Popular devia falar com Putin
O líder da Juventude Popular (JP), numa entrevista ao “i“, afirmou isto: “a criança não cresce num ambiente saudável com dois pais ou duas mães”. Eis uma afirmação que nenhum Deputado avançou, mesmo sendo contra o projeto de lei sobre co-adoção, aprovado na generalidade no dia 17 de Maio.
Temos portanto o líder de uma juventude partidária – estruturas que, pela sua própria composição, tentam refrescar as propostas dos respetivos Partidos, atentas ao evoluir dos tempos, inovadoras – que discursa com a atualidade desaparecida há décadas e que não se apercebe – será? – do insulto que encerra a sua frase.
O líder da JP pode argumentar contra a co-adoção; argumentar, insisto, mas não pode, numa penada, dizer que milhões de pessoas no mundo inteiro, algumas com idade para serem seus pais, e centenas em Portugal, não são saudáveis.
De onde vem esta afirmação ofensiva? Do que viu? Das crianças e jovens de famílias homoparentais que frequentam a sua casa? Do estudo atento dos pareceres mais conceituados das Academias de todas as áreas que envolvem esta matéria? Da leitura de estudos universitários portugueses? Da fundamentação do Instituto de Apoio à Criança? Não terá sido, porque todos estes elementos podiam, apesar da sua força, não convencer o jovem líder, mas podiam apelar à humildade e conter um discurso generalista e definitivo que ninguém, repito, ninguém, a começar pelo CDS, teve. Em bom rigor, até o mais acérrimo opositor da co-adoção, o Senhor Bastonário da OA, afirmou que nada tem contra à educação de crianças por duas mulheres ou por dois homens.
Eis que um representante do futuro sabe (ele sabe) que as pessoas em causa – crianças, adolescentes e adultos que cresceram com duas mães e dois pais – não são saudáveis, que é como quem diz que são, digamos, adoentadas.
Gostava de confrontar o líder com algumas dessas pessoas, adolescentes, por exemplo, e de o ver dizer-lhes na cara isto: “vocês cresceram num ambiente não saudável, vocês não são saudáveis”. Nunca a JP se aproximou de um olhar sobre o papel do Direito baseado no “é a minha opinião: aquilo (eles) são maus para as crianças e pronto”.
O líder da JP tem o consolo de muito do que foi dito aquando da aprovação recente – e já condenada pelo PE – de uma lei, na Rússia, que proíbe o que apelidam de “propaganda homossexual”. Putin mantém-se forte na defesa da lei e apoia os deputados que explicam a lei, por exemplo assim: ” os defensores dessa propaganda propõem-se a equiparar as relações sexuais tradicionais com as não tradicionais aos olhos dos menores”.
O líder da JP está bem acompanhado.
Sorte a nossa, seres nosso
O falecimento de João Pinto e Castro atingiu-me de surpresa. E doeu fundo. Tal como a Penélope, atribuía ao seu recente silêncio digital e mediático diferentes hipóteses explicativas benignas, a começar logo pela mais provável quando nada se conhece da vida privada de outrem: estar farto, ter mais e melhor onde gastar o seu tempo. Acresce que nunca com ele falei, apenas o lia com gosto e proveito.
O João destacava-se entre os autores da blogosfera política por aliar uma sólida cultura académica com uma longa experiência empresarial e um superior domínio da escrita. Resultado: os seus textos nascem de uma investigação exigente e de uma reflexão ágil, mas oferecem igualmente ao leitor um prazer estético e uma recompensa afectiva que se passa a querer consumir como néctar para a inteligência.
Estamos perante um belo e trágico exemplo de alguém que nunca fez parte da elite e que foi sempre um activo representante do escol português. Na elite usufrui-se dos diferentes poderes, no escol conservam-se, aumentam-se e partilham-se os diferentes saberes. Se é verdade que esta morte absurda nos deixa mais pobres, tanto o que o João ainda tinha para viver com os seus e também para dar à comunidade, igualmente verdadeira é a constatação de que o seu desaparecimento físico permite sentir parte essencial do invisível, do intangível e do inefável da sua pessoa.
Testemunhos:
A carta que nunca te escrevi. – André Castro
João Pinto e Castro. Eras assim, na minha memória – Irene Pimentel
joão – f.
O tempo de João Pinto e Castro – Helena Garrido
Textos fulcrais:
Revolution through evolution
Menopause May Be an Unintended Outcome of Men’s Preference for Younger Mates
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People Suffering Intimate Partner Violence Need Better Help
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Absent Fathers Create More Sexually Risky Daughters
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Humans Are Happier When They Do the Right Thing; It Also Helps Them Overcome Difficulties
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A Smartphone Spectrometer Diagnoses Disease At A Fraction Of The Price
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People Are Overly Confident in Their Own Knowledge, Despite Errors
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Why is it acceptable to take a sick day to rest your body, but not your mind?
Compre o que é nosso
Depois das lasanhas com carne de cavalo da Roménia, das alheiras de caça com frango de aviário e de mais mil coisas travestidas, com ou sem bactérias e metais pesados, agora andávamos a comer um “bacalhau com natas” feito de peixe-caracol, uma porcaria que vem da China, a que se chama snailfish (peixe-caracol) ou, para enganar, bacalhau azul (blue codfish), e cujo nome latino é Liparis tanakae. O peixe-caracol pescado no Pacífico, depois de salgado e seco, é vendido a 3.000 euros a tonelada por companhias chinesas e é transformado por firmas portuguesas do ramo alimentar em pratos congelados de “bacalhau”, que até há pouco eram vendidos nas nossas cadeias de supermercados trazendo “Compre o que é nosso” escrito no rótulo. De que alimárias serão feitos os hamburgers e os patés aux fines herbes que nos oferecem por aí? Nem digo, para não perturbar o vosso almoço.
“Compre o que é nosso” fez-me lembrar os pins com a bandeira de Portugal que os gajos do governo Coelho puseram nas lapelas. Acho que a ASAE deveria ocupar-se da fraude e mandar retirar do mercado este governo-caracol.
Bendita honestidade intelectual
O estado decadente da direita portuguesa não suscita investigações, reflexões, desabafos ou tremeliques na comunicação social profissional – o que diz muito, ou tudo, dos poderes fácticos que moldam esse mesmo sistema. Nem mesmo quando essa direita decadente chega ao poder através de campanhas de ódio, conspirações judiciais, perseguições jornalísticas e golpadas belenenses – com isso arrastando o País para o seu período mais desgraçado desde o 25 de Abril – aparece alguém a sugerir que os protagonistas deveriam ser… como é que é mesmo a palavra?… ah, já me lembro… responsabilizados. O secular respeitinho que a oligarquia impõe numa sociedade de pobreza material e miséria cívica endémicas continua a ser muito bonito.
Nesta paisagem, Pedro Marques Lopes brilha à distância e ofusca os seus pares ideológicos. Não se conhece mais ninguém dos que deram o voto a Cavaco e Passos com o seu presente fervor na defesa do Estado de direito, da decência e da comunidade. Mais ninguém, é devastador. Não sendo (ainda?) um político partidário, a sua actividade profissional como comentador dá força aos pilares da democracia que são a inteligência e a coragem. Em simultâneo, essa atitude de tolerância zero para com as pulhices, venham de onde vierem, em nada o impede de promover a sua visão onde Portugal deveria ser governado à direita. Precisamente ao contrário: quão maior o carácter, maior a relevância.
Ora, este nosso amigo ainda tem mais para nos dar, como se ouve em dois brevíssimos espasmos:
No primeiro, rotula como desonestidade intelectual estar a repisar os idos de Março de 2011 pois a queda de Sócrates era inevitável naquele contexto. No segundo, dilui a acção de Cavaco recorrendo a Sócrates a propósito do tema Europa. Em qualquer dos casos, podemos e devemos dar-lhe razão – mas não a razão toda, e não a melhor das razões.
Se é verdade que não havia condições para a continuidade do Governo minoritário do PS após o discurso da tomada de posse de Cavaco e subsequente ataque do PSD ao PEC 4, e não havia, tal não impede que se comparem os cenários possíveis. E tal não impede que se avaliem as decisões tomadas pelos agentes políticos. E ainda, e mais decisivo para o que mais nos importa, tal não impede que se retirem ilações sobre o que não aconteceu e poderia ter acontecido. Aqueles poucos, raríssimos, que justamente não se calam a respeito do PEC 4 não estão em modo de birra, antes expõem abundante argumentário. A conclusão, para quem prezar a honestidade intelectual, só pode ser esta: não era uma fatalidade ter-se escolhido o pior dos caminhos para Portugal, esse desfecho nasceu pelo arbítrio de alguns. Já quanto à temática da Europa, e continuando nas boas práticas da honestidade intelectual, comparar o silenciamento de Cavaco, o qual estava ao serviço da diabolização de um primeiro-ministro, de um Governo e de um partido, com a suposta ausência da temática nos discursos de Sócrates (o qual ou ainda não tinha apanhado com as crises pela frente ou tinha especiais responsabilidade governativas que lhe condicionavam a expressão verbal) só se desculpa porque tu, Pedro, és mesmo um excelente rapaz.
O que estas notas permitem pensar é relevante para a compreensão da reacção de tantos. É que muita gente moralmente íntegra, e nada parva, aceitou dar o seu voto a um Cavaco que vinha com a Inventona de Belém nos braços e ao casal Passos-Relvas que vinha com o pote na cabeça. São fenómenos que nascem da peculiar constituição da natureza humana, onde a racionalidade é sempre secundária no páreo com a identidade. Porém, a construção da identidade é absolutamente racional, de uma racionalidade já inscrita na biologia. Logo, vale a pena dialogarmos a partir das nossas diferenças, e quem mais apostar na inteligência do interlocutor é quem mais terá a ganhar.
O que nos leva para o corolário supremo daqueles que estão apaixonados pela cidade: a luta continua – ou seja, seremos quem nos inventarmos.
Sem palavras
Twitter Comedy
“Crato, os professores e a não política”
Foram para a política quando deviam ter ido para patrões no Bangladesh. Ali não precisariam de saber fazer política – isto é, prevenir, ceder aqui e influenciar ali, ser maquiavéis e discutir… -, só precisavam de distribuir umas lamparinas em caso de reticências. Mas não, foram para a política, a arte do compromisso. O azar é que lhes calhou a taluda e chegaram ao Governo. Era como se o alheado do Vítor Gaspar chegasse a ministro das Finanças. Ah, chegou?! Então já sabem. O problema é que ele não é caso único de tipo que chumba cada dia. Por falar em chumbar, peguem no Crato dos exames. Foi para patrão dos professores, um sector coriáceo (tão duro e tão cego que foi dos que mais ajudaram a instalar esta trupe no Governo). Ministro, Nuno Crato tinha um plano para tirar poder aos professores. Atenção, não vou aqui discutir se é justo ou não, digo que há plano. Logo, se era para os combater, um político nunca teria pensado em fazê-lo quando os professores são mais capazes de mostrar a sua força de grupo. Ora que altura escolheu o ministro para o confronto? A época de exames, que é como invadir a Rússia no inverno. Dando-se conta da asneira, Crato recorreu aos tribunais para impedir a greve dos professores. Pois ontem soube-se que ele não vai poder obrigar aos serviços mínimos porque faltava papelada no que mandou para o tribunal! Crato exige exames e ele próprio chumba a todos. Resta-lhe ir para o Bangladesh mandar em mudos.
Temos um “PM-Sol” – “A lei sou eu”
O artigo 57º da CRP garante o direito à greve. Estabelece que “compete aos trabalhadores o âmbito de interesses a defender através da greve, não podendo a lei limitar esse âmbito”.
A lei define, depois, o que deve ser prestado durante a greve: “condições de prestação de serviços mínimos necessários à segurança e manutenção de equipamentos e instalações” e os necessários “para ocorrer à satisfação de necessidades sociais impreteríveis”.
O direito à greve é um direito coletivo, com uma longa história, que representa uma arma de luta dos trabalhadores. A greve tem sempre consequências negativas para terceiros. Sempre. E esses terceiros não são alvos, mas prejudicados por uma decisão de exercer um direito constitucional que pondera todos os fatores implicados.
Independentemente dos que dizem que a greve dos professores não podia ser feita em dia de exames e dos que dizem o contrário, a verdade é que vamos assistindo a um discurso, em cada greve que se anuncia, que se traduz nisto: “nós respeitamos o direito á greve, mas…”.
Há sempre uma redundância (nós respeitamos o direito à greve – pois que remédio, é um direito constitucional) e uma adversativa (mas).
Este é o discurso de quem, verdadeiramente, não respeita o direito à greve.
No caso da greve dos professores, a chantagem do argumento em torno dos “nossos filhos”, num discurso pessoalizado, é demagógica e esconde a causa de uma luta na qual os professores estão empenhados.
Os despedimentos, as deslocações, a quebra de salários, o aumento absurdo da carga horária – como se os professores não tivessem horas e horas de preparação não contabilizadas – são factos e argumentos para lutar pela dignificação da carreira de professor e pela qualidade da escola pública.
Voltando ao argumento isolado dos jovens que não fazem exame, é bom recordar que a facada que está a ser dada nos professores, na escola pública, nas condições de, enfim, alguém poder ser um bom professor é uma facada na qualidade de ensino a que os alunos têm direito.
Por isso, esta luta prejudica os alunos no dia dos exames (claro que prejudica e isso é inevitavelmente duro), mas beneficia os alunos a longo prazo, porque a luta é também por eles.
Que diriam os “direito à greve, mas” se os professores fizessem greve durante as aulas? É que sem aulas não é lecionada a matéria essencial para a formação dos alunos e para os mesmos se prepararem para… os exames.
Isto é: nunca há greves sem um prejuízo conjuntural. Depois, as greves têm eficácia, na lógica do conflito poder contra trabalhadores, precisamente se tiverem impacto.
Fica claro nesta discussão que o Governo gosta de greves se forem em Agosto. Essas sim, seriam inofensivas.
A verdade é que houve uma decisão arbitral e outra do tribunal administrativo que não deu razão ao Estado.
Que faz o PM? Pois se os Tribunais, no enquadramento que fazem da CRP e da lei não o confortam, trata de anunciar uma “lei que proíba greves em dias de exame”. O sentido democrático de Passos nunca se revelou tão evidente. Vai fazer uma lei-medida. Uma lei para o caso concreto de os professores fazerem greve em dia de exames. Devia, em coerência, anunciar um conjunto de leis sobre “dias proibidos” para greves de transportes, de médicos, de funcionários das finanças e de todos que incomodem.
Em vez da CRP, da lei e de decisões judiciais, revoga-se esses empecilhos e cria-se um admirável mundo novo.
Temos um “PM-Sol” – “A lei sou eu”
João Pinto e Castro, bolas
Lia com imenso gozo os seus artigos no Jornal de Negócios e nos blogues em que escrevia. Tinha um estilo original e cativante. Vi-o uma ou outra vez na televisão e admirei o seu à-vontade, a sua inteligência, a sua clareza, a simplicidade. Por mero acaso, jantei com ele e com um grupo de amigos com quem viajara, em Bruxelas, não há muito tempo, em setembro do ano passado. Enfim, não foi bem um jantar, pois não passei da entrada: uma indisposição forte de um dos presentes fez-me sair disparada para as urgências. Problema resolvido, não voltei a vê-lo, naturalmente. Mas recordo bem um João falador, jovial, bem disposto, aparentemente são que nem um pero, com quem era extremamente fácil “embalar” em conversa. No hotel e no trajeto para o restaurante, houve ainda tempo para descobrirmos um conhecimento comum e falarmos dos filhos distribuídos por esta Europa.
Continuei a lê-lo com prazer. Recentemente, estranhei o seu silêncio nos jornais e na blogosfera, mas atribuí-o a milhentas razões. Nunca, mas nunca, a esta.