Leia por que não.
Arquivo mensal: Dezembro 2012
Cavaco, um fantasma perigoso
Jorge Bacelar Gouveia, constitucionalista e antigo deputado do PSD, faz uma defesa eloquente do “império da Constituição” e desmonta a retórica e os sofismas que estão a ser lançados na praça pública para justificar mais uma traição de Cavaco ao seu juramento presidencial:
Perguntas complicadas
Nunca é demais lembrar
Atendendo a que, à esquerda do PS, habitam 1) uma seita comunista que considera a Coreia do Norte um país amigo e 2) uns radicais intelectuais que gostaram, gostam e se aproveitam do protagonismo que a direita lhes concede e que têm tudo em comum com a seita, como por exemplo o programa económico e político, menos a disciplina militar e os hábitos de consumo, os socialistas estão mesmo condenados a governar sozinhos. Para isso, é dramaticamente imperioso que obtenham maioria absoluta e que, para isso, elejam internamente líderes carismáticos, determinados e com personalidade forte, capazes de inspirar confiança e destruir com classe as fantasias dos habitantes 1) e 2) e presentemente as mentiras diárias da direita sobre as causas da crise. Neste momento, a fraca liderança de António José Seguro e a sua falta de assertividade em relação às mentiras constantemente vendidas à opinião pública, que impedem o PS de descolar definitivamente nas sondagens, são o único motivo por que o Bloco de Esquerda se permite ensaiar aproximações e por que o PS os recebe. Mesmo perante a exposição escancarada do que pretende verdadeiramente e por quem é constituído o bando do pote que nos governa, o PS não passa dos 34% nas sondagens. Assim o país não sobrevive. Querem os socialistas sair disto, ou conformam-se futuramente com uma coligação com radicais ou, em alternativa, com o que sobrar da tropa do pote ou a restante direita capaz das maiores sujeiras contra o principal adversário político? Estes dois cenários deixam os eleitores naturalmente céticos e levam-nos a tolerar um governo calamitoso, com o qual o atual PS parece igualmente conformado.
E por falar no bando do pote, recordemos a sua composição: um potencial ator de revista, inútil, mas dotado de boa voz e boa apresentação para ir à frente; a seu lado, e indissociável, um chico-esperto aldrabão, amigo e cúmplice de longa data, para tratar do futuro dos dois; um quadro do Banco de Portugal há anos destacado no estrangeiro, totalmente alheado dos portugueses, com uma obsessão por modelos económicos e deleitado com a oportunidade oferecida para os experimentar (e, como tem estudos, na prática o chefe do governo); o líder de um partido de direita pouco representativo, mas que sempre se tem mantido assente em descarada demagogia para conquistar pelo menos um cargo de ministro; irrelevâncias como Assunção Cristas e Pedro Mota Soares; um alien vindo do Canadá; uma Paula assaz vingativa, assertiva, mas tonta; um ministro na sombra para manobrar as privatizações, ideologicamente influente sobre cabeças ocas como a do potencial ator e cuja visão do mundo manda a decência que permaneça mesmo na sombra.
Não é difícil concluir dos dois parágrafos anteriores que só uma boa alternativa, e vista como tal, no maior partido da oposição poderia levar os portugueses a exigirem o fim imediato desta governação patética mas com consequências tão trágicas. Até lá, vamos assistir impotentes à destruição do país.
Só faltou dizeres por que raio votaste contra um Governo de esquerda que fez tudo para evitar que Portugal caísse no Memorando desejado pela direita
“Um governo de esquerda é um governo que se constrói e pratica uma política ao contrário da que está no memorando, o memorando protege os bancos, um governo de esquerda defende as pessoas; o memorando destrói a economia, um governo de esquerda constrói e faz emprego; o memorando é o paladino das privatizações, um governo de esquerda defende os serviços públicos, foi isto que dissemos ao PS”, afirmou o líder bloquista.
Perguntas simples
Progressividade fiscal e capacidade contributiva
Jorge Miranda, hoje, no DN, voltou a insistir nesta ideia, por causa da nova (redução) configuração dos escalões do IRS):
“Elevar os rendimentos mais baixos a um escalão superior e colocar no mesmo escalão quem pertence à classe média e quem recebe rendimentos muito superiores, correspondentes por vezes a cinco, ou dez vezes mais do que quem pertence à classe média claramente viola o princípio da progressividade.”
Para o constitucionalista, “tem que haver uma adequação do imposto pessoal ao rendimento, quem tem um rendimento mais baixo deve pagar menos, quem tem rendimento mais alto deve pagar mais.”
Ainda segundo Jorge Miranda, em vez de redução dos escalões, “o que seria necessário seria um aumento dos escalões, diminuindo a carga sobre os mais carenciados e aumentando sobre os que têm rendimentos mais elevados”.
JM tem sido incansável no ataque à norma dos novos 5 escalões do IRS. Todos sabemos que é a mais difícil, em termos de uma vitória no TC.
MRS defendeu que se cumpre a CRP, porque continua a haver “progressividade”.
Em bom rigor, seguindo a lógica de MRS, se a norma contemplasse 2 escalões apenas, não haveria inconstitucionalidade, porque acima de um há sempre “progressividade”.
Ora, a nossa CRP alia progressividade a capacidade contributiva, pelo que JM tem razão. Acrescentaria que a redução das deduções fiscais ajudam a uma conclusão.
Injusto é.
E a justiça é um princípio constitucional.
O desespero desavergonhado de Passos Coelho
“Queixam-se de lhes estarmos a pedir um esforço muito grande”, disse Passos Coelho em Penela, considerando que esses reformados e pensionistas “descontaram para ter reformas, mas não para terem aquelas reformas”.
Tais pensões elevadas, segundo o primeiro-ministro, “não correspondem ao valor dos descontos que essas pessoas fizeram” ao longo da sua carreira contributiva.
“Por isso lhes estamos a pedir um contributo especial, não é para ofender a Constituição”, sublinhou.
É assim que Passos se defende antecipadamente de um processo de fiscalização das normas do OE de 2013 que atacam brutalmente os reformados e os pensionistas?
Junta mentira e demagogia alegando estar a proteger quem descontou uma vida inteira e quem tem pensões mais baixas?
De que Portugal está a falar o PM? E de que OE? Então não estão lá sacrificados reformados e pensionistas a partir da milionária quantia de 600 Euros mensais?
Passos, deliberadamente, mistura os chamados fundos de pensões privados, constituídos em regime de capitalização, como é o caso dos fundos de pensões dos bancários (caso em que foram os bancos, eles próprios, descontando por cada trabalhador activo, garantindo assim que estes receberiam a pensão de reforma quando passassem à reforma), com o resto. Quando os bancos transferiram os fundos para o Estado (o que aconteceu há um ano com o objectivo de baixar o défice orçamental) eles foram transferidos incluindo todas as responsabilidades, como explicou, e bem, Fernando Ulrich.
Tirando estes casos, dentro da lei, e que permitem retratar pessoas que estão a irritar Passos Coelho, que assim conseguiu ver nos jornais caras dos seus críticos e as respetivas reformas, tirando estes casos (ou incluindo), dizia, cujo regime jurídico nunca vi o Senhor PM colocar em causa, milhares e millhares de pessoas foram alvo de uma mentira e de um insulto.
Milhares e milhares de pessoas que descontaram uma vida inteira, reformados ou pensionistas, que têm direito ao que é seu – não por acaso há quem faça uma analogia entre pensão/reforma e propriedade privada. E é seu consoante o que descontou. Se forem 600, 700, 800, 1500, 2000 Euros, ou muito mais, é indiferente. É seu. Chama-se direito à segurança social e chama-se princípio da tutela das expetativas jurídicas.
Passos fala como se os reformados e pensionistas não tivessem tido notícia de que a partir de 600 Euros estão subjugados ao roubo. Desde um subsídio a dois de forma “a ver se não reparam” (portanto, uma ou duas pensões/reformas) tendo ainda, quem já tem os planos de vida irremediavelmente traçados, esperando apenas que o Estado cumpra a sua parte, de ajudar à festa com uma contribuição especial que varia entre 3 e 50%.
Conheço – por relato direto – milhares de casos de reformados e pensionistas em desespero absoluto com estas medidas (a que se juntam todas as outras).
Este insulto era uma taxa moral que todos dispensavam.
A voz de César
Como seria diferente a civilização caso tivéssemos acesso à voz de Buda, Sócrates (o outro, calma…) e Jesus? As palavras escritas que ficaram em seu nome ganhariam, mas igualmente perderiam, significados e sentidos. É que a voz transporta os músculos e o nervo, a carne. E nessa matéria que molda o ar fica impressa a imagem do corpo interior, aquele espaço onde cada um de nós é rei numa sala sem corte nem porta. Na ausência da voz, as palavras engaioladas na unidimensionalidade da escrita transfiguram-se em seres que tanto podem ser angélicos como demoníacos. A raiz da palavra humana é um humano enraizado, e esse concreto pede a voz e o rosto.
Falta-nos a marca sonora dessas figuras históricas, mas podemos recorrer à voz de vultos igualmente grandes, senão maiores, como, por exemplo, um César, e logo um das Neves:
Nestes 5 minutos de paleio espontâneo temos uma súmula do quadro ideológico que explica a reacção e estratégia da direita partidária desde a crise de 2008, num crescendo de ferocidade e revanchismo que está agora em plena produção. Consiste num discurso simplista e moralista, daí ser repetido por tantos daqueles que nem sequer percebem que são vítimas da lógica que defendem acefalamente, onde se procura um acerto de contas – do ponto de vista da oligarquia derrotada no 25 de Abril – com o modelo de sociedade onde a repartição da riqueza tenta reduzir a pobreza e as desigualdades, tanto as económicas como as do ensino e da qualificação profissional. Repare-se no modo vago e sem qualquer fundamentação como César das Neves dispara fórmulas cujo propósito é apenas um: instigar a pulsão para culpabilizar bodes expiatórios. Não há nenhuma contextualização com a política europeia nem raciocínios que promovam a análise e a reflexão a respeito das crises internacionais. O orador, ao contrário, investe o fôlego no juízo definitivo e castigador sobre os seus adversários políticos e a própria comunidade, como se as nossas dores actuais fossem o directo e exclusivo resultado do mau comportamento de uns indivíduos muito beras e rascas.
Mas talvez a passagem mais relevantemente reveladora, e nela a voz é um elemento que confere transparência, seja a seguinte afirmação:
é só num momento de desespero que é possível fazer alguma coisa
Esta ideia de que só à bruta – com a violência que fosse necessária, o tal “custe o que custar”, o tal “ai aguentam, aguentam” – se poderia desmantelar o Estado social criado ao longo de 30 anos chegou a ser vocalizada por mais do que uma vez, e em diferentes vestimentas, ao longo de 2009, 2010 e 2011 nos encontros da elite da direita portuguesa. Ir a eleições com esse programa era de loucos, sabiam-no, pelo que a única forma de alcançar esses objectivos seria pelo recurso a uma invasão estrangeira: o FMI, que se tornou a sua bandeira de salvação. A crise das dívidas soberanas na Europa veio criar o quadro perfeito para se realizar o plano, com o altíssimo e gozadíssimo bónus de se poder culpar o PS e Sócrates pelo pedido de ajuda externa. Restava só garantir que o Presidente da República alinhava no enredo, depois caluniar e mentir à fartazana na campanha eleitoral, e, assim que chegassem ao poleiro, começar a destruição e concluí-la no mais curto espaço de tempo para poderem ir à sua vida satisfeitos da mesma. É o que está em marcha a todo o vapor, continuando Cavaco a ser cúmplice e ficando a oposição a ver o comboio passar.
César das Neves é um publicista inflamado que trabalha numa instituição da Igreja Católica e que defende posições morais conformes a uma certa ortodoxia católica. Contudo, o seu entusiasmado apoio à devastação social que os actuais PSD e CDS promoveram e estão a executar faz-nos suspeitar de que as suas leituras da Bíblia ainda não chegaram àquela parte que vem a seguir ao Antigo Testamento.
Revolution through evolution
‘Commitment-Phobic’ Adults Could Have Mom and Dad to Blame
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Caffeinated Coffee May Reduce the Risk of Oral Cancers
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Brain Cells Made from Urine
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Conservatives Can Be Persuaded to Care More About Environmental Issues When Couched in Terms of Fending Off Threats to ‘Purity’
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Bedroom TV Viewing Increases Risk of Obesity in Children: More Than 2 Hours of TV a Day Adds Significantly to Children’s Waist Size
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Feeling Lonely Linked to Increased Risk of Dementia in Later Life
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Higher Levels of College-Degree Attainment Boosts Employment for All, Even the Least Educated
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Got Food Allergies? You Can Now Test Your Meal On the Spot Using a Cell Phone
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Ability to Sit and Rise from the Floor Is Closely Correlated With All-Cause Mortality Risk
Estamos todos potencialmente julgados
Insisto nesta coisa que se chama Estado de direito. Custou a conquistar e garante uma série de coisas, como os nossos direitos, liberdades e garantias. Lembro-me, com algum espanto, da MJ declarar que “acabou a impunidade”, uma MJ que não foi parca em críticas ao ex- PGR e confiou na eficácia da nova e em funções PGR.
Um dos ataques mais violentos ao bom nome de alguém é o desrespeito pelo segredo de justiça. Este desrespeito, que tem de envolver quem tem os casos em mãos, no MP ou na PJ, aliado às letras gordas das primeiras páginas dos jornais, matam uma pessoa antes de a mesma ser o que quer quer que seja. Pode ser morta sem ser suspeita, sendo arguida, mas já está condenada, o julgamento popular está feito. O caso Freeport foi evidente, com Sócrates transitado em julgado na imprensa sem nunca ter tido qualquer intervenção no processo.
Aflige-me que a MJ não diga nada quanto aos casos dos últimos dias. Quanto à impunidade, claramente ela não acabou e, a este ritmo, esta PGR verá o MP ser atacado pelo triplo dos casos do anterior.
Para dar exemplos, exemplos que deveriam causar um sobressalto cívico, façamos um exercício de memória recente:
1) Nesta notícia, diz-se que Passos Coelho é “apanhado” em escutas telefónicas no caso “Monte-Branco”. À ilegalidade da divulgação de uma escuta que não diz nada sobre qualquer tipo de suspeita sobre Passos, junta-se o verbo jornalístico – “apanhado” -, o qual quer incutir a suspeita. Esta miséria deveria ter merecido a indignação de todos e do PM, cujo direito à privacidade deveria ser a bandeira a levantar, mas antes preferiu dizer que até poria as ditas escutas à nossa disposição. O medo do julgamento popular é tão grande, e a nossa passividade coletiva é também tão grande, que o PM, em vez de registar a ilegalidade do ato, e de proteger a sua intimidade, abre a porta à devassa.
2) Com total naturalidade a chantagem sobre os agentes públicos passou-se das escutas para as “buscas domiciliárias”. Também, sem sobressalto cívico, lemos em todo o lado, e ouvimos, que Mário Lino e António Mendonça, dois ex-ministros das Obras Públicas socialistas, bem como Paulo Campos, que foi secretário de Estado das Obras Públicas, foram alvo de buscas domiciliárias por parte do Ministério Público. Por causa das parcerias, aquelas, um horror, bandidos. Numa manhã estava feito o julgamento. “Está-se mesmo a ver”.
3) Também foi normal esmagar o segredo de justiça e sabermos de buscas domiciliárias a Medina Carreira, ouvimos e lemos notícias, o comentador envolvido no caso “Monte Branco”, fotografias escolhidas a dedo e depois o esclarecimento: era só um nome de código, o homem não tem nada que se investigue. Pelo meio, não sei se alguém pediu desculpa pela maçada. Mas a atenção ao desmentido é 100 vezes menor à atenção ao alarme ilegal.
4) Finalmente, alguém tratou de ter a certeza de que o segredo de justiça continuaria a ser quebrado: Teixeira dos Santos foi alvo de buscas, pois claro, pela PJ, por causa das PPP, na operação “buraco no asfalto”. Ficou-se com um digno “quem não deve não teme”.
Acontece que eu temo. E cada vez mais. Casos e casos sistemáticos em que quem investiga não garante o segredo de justiça; casos e casos sistemáticos em que vejo nas capas dos jornais frases que são já o julgamento definitivo dos sem-nome no dia em que a lei é violada: casos e casos sistemáticos em que a divulgação pública de iniciativas que são, por lei, secretas, fazem-me temer quanto ao objetivo de quem está por trás deste ataque doentio ao Estado de direito; casos e casos sistemáticos tornam o horror habitual, ajudam à intimidação de quem mexe na coisa pública e de quem a comenta.
Isto é gravíssimo e gostava de ver uma união suprapartidária neste ponto. Todos nos lembramos de julgamentos de crueldade invulgar de gente presa e depois com a inocência provada. Agora começou nas escutas e pegou nas buscas domiciliárias. Acaba onde dissermos todos que acabou.
A não ser assim, estamos todos potencialmente julgados.
Chorar
Adia essa pôrra, Dilma!
A libertação ao alcance do telecomando
Perdoem-me os aspirinautas mais militantes, mas é sábado e tenho que abrir aqui um descompasso para desabafar sobre uma magna questão pessoal, que só muito colateralmente poderá ter a ver com a renegociação do memorando da troika ou com a fiscalização preventiva ou sucessiva do Orçamento.
Às vezes dá-me uma de nostálgico por não ter enveredado por uma carreira de empresário ou engenheiro. Acho que poderia ter singrado nessas nobres actividades, se tivesse optado por rumos mais úteis à humanidade. Gostaria de ter lançado produtos revolucionários e tenho a platónica pretensão de que os poderia ter inventado. Quase todos os dias me ponho a imaginar uma maquineta inovadora, quando tenho que suportar o ruído infernal do moinho de café do local onde almoço, para já não falar da chinfrineira de pires e chávenas. Não há conversa, leitura ou digestão que resista a tal tortura. Numa era em que se colocam sondas em Marte com precisão de metros, ninguém me convence que é impossível fabricar um moinho de café silencioso ou louça de café que não destrua a convivialidade dos locais que frequento por necessidade ou lazer. Mas o meu maior sonho era o de criar um software para o aparelho de televisão e um telecomando com special features. Os actuais botões do telecomando para pouco servem e o zapping é um desporto frustrante.
Finalmente!!! As Nações Unidas dizem.
As Nações Unidas – que até têm um conselho economico e social – têm estado alienadas da crise vivida por vários Estados, como é o caso de Portugal.
Falaram. Disseram.
Disseram da renegociação urgente da dívida portuguesa.
Disparar a matar: o método de Ana Gomes e pelo meio o Estado de direito
As declarações de Ana Gomes – na senda de outras, de resto – num debate com António Pires de Lima são inaceitáveis.
Da opinião pessoal que cada um de nós tenha de alguém à opinião pública, declarada, explanada afirmativamente sem dúvida alguma, vai uma enorme distância: – chama-se respeito pelos direitos fundamentais do outro.
Ana Gomes, no seu estilo justicialista, afirmou – já seria grave que criasse a suspeita -, afirmou com a força que o seu tom acusatório lhe permite, que o CDS não sairá do Governo porque Portas precisa da imunidade por causa da justiça, por causa dos submarinos.
Louvo a paciência e o tom com que Pires de Lima recordou que Portas não é nem foi arguido, suspeito ou sequer testemunha nesse caso.
Ana Gomes deveria saber algumas coisas: se não tem provas para apresentar ao MP; se o único facto que tem para a apontar a Portas é o de ele ter sido Ministro à época da negociação dos contratos, o que naturalmente não o incrimina em nada; se o domínio da constestação ou mesmo raiva politica e o domínio do direito não se misturam; se o PM e os membros do Governo não gozam da imunidade parlamentar prevista na Constituição; se, portanto, Portas pode ser investigado à vontade; se a comissão de ética da AR entendeu no passado que só tem de autorizar que os membros do Governo que sejam acusados – repita-se, ninguém pode impedir que sejam constituídos arguidos, investigados, objeto de inquérito e acusados -, é o de autorizar que eles sejam submetidos a julgamento, uma vez acusados definitivamente, ou então autorizar que sejam detidos ou presos no caso de as autoridades judiciais solicitarem à Assembleia da República essa detenção ou prisão; se tudo isto se verifica, ou melhor, se nada se verifica, quem, no seu estado normal, lança uma acusação contra um Ministro daquele calibre?
Ana Gomes não hesita em defender o direito ao bom nome dos seus e dos que não lhe merecem simpatia, mas uma ou um democrata tem de ser de ferro nestas matérias, diria, sobretudo quando estão em causa os nossos adversários.
Paulo Portas é presidente do CDS. Por mim, podia ser do PS, do PSD, do BE ou do PCP. É-me indiferente. Tem de ser assim. E é, com genuína naturalidade.
No dia em que aparecesse uma fuga com uma notícia sem provas sobre Ana Gomes, no dia em que ela fosse Ministra e contratos realizados sob a sua tutela viessem a ser objeto de suspeitas, no dia em que o seu bom nome fosse atacado, cá estaria para ter tudo isso por inadmissível.
Antes de se estar com ou contra quem quer que seja, está-se com o Estado de direito.
Cavaco pedirá a fiscalização sucessiva?
A ser verdade esta notícia segundo a qual Cavaco promulgará a Lei do OE de 2013 (LOE) sem, portanto, requerer a fiscalização preventiva da mesma, Cavaco deixará assim entrar em vigor essa mesma lei apesar de convencido da sua inconstitucionalidade.
Falará mais alto do que o dever constitucional – jurado por Cavaco – de defender e fazer cumprir a Constituição permitir que a LOE, que viola a Lei Fundamental, entre em vigor dia 1 de Janeiro. Diz que é fundamental para os “mercados” e assim.
Por acaso poucos OE entraram em vigor no agora sagrado 1 de Janeiro, mas a questão nem é essa, é mesmo a de um Chefe de Estado, o único que pode prevenir, por exemplo, que os reformados e pensionistas sejam amputados por um dia que seja – precisamente através da fiiscalização preventiva, que tem prazo e é rápida – nos seus direitos, prefira “deixar andar”.
Depois, pedirá, diz-se, como eu e os meus colegas também podemos fazer, a fiscalização sucessiva.
Talvez a notícia não seja verdadeira. Aparece em todos os jornais, citam fontes da Casa Civil, mas temos de admitir que não seja verdadeira.
A ser, Cavaco, quando promulgar a LOE, estará a violar o primeiro dos seus deveres constitucionais.
Em termos não institucionais, estará a ser um amoral.
Ponham estes gajos no poder, fechem as fronteiras e distribuam uma picareta a cada português
O líder comunista frisou que Portugal não é um país pobre nem precisa de mais empréstimos, pois tem «potencialidades imensas» para libertar meios para criar emprego e gerar riqueza, dando como exemplo as riquezas existentes no subsolo – ouro, prata, cobre, pedras ornamentais – e que quando são exploradas o são por estrangeiros.
«Temos o maior filão de cobre da União Europeia. Está a ser explorado, mas por quem? Por estrangeiros que o arrancam em bruto e o levam para os seus países para o transformarem, quando, se tivéssemos sentido patriótico, eram os portugueses que o exploravam e depois transformavam», afirmou.
Exactissimamente
Portas e Relvas provocam depressão
1. Desiludam-se os que pensam que algum dia, nos próximos dois anos, Paulo Portas rompe a coligação. A avaliar pelo que aconteceu em Itália (e sim, Berlusconi é um palhaço) e já antes com a hipótese de referendo na Grécia (onde não havia palhaço algum), à mínima ameaça à “estabilidade” (para nós, a penitência) pretendida pela Alemanha e sua corte nos países mais vulneráveis, começam a chover telefonemas de Barroso, van Rompuy, Merkel e até Hollande. Portas não vai sair até ao fim da legislatura. Não só não lhe interessa pessoalmente, porque adora ser ministro e nem sempre tem oportunidade, como também, se por milagre, tal decidisse, seria imediatamente impedido de o fazer por pressões externas. O que lhe resta, pois, para não deixar os créditos do seu partido afundarem-se com a sua participação na orgia assassina de Passos e Gaspar? Ir fazendo uns números a simular discordância, pôr uns deputados a insurgirem-se contra certas medidas, incentivando vários comentadores a perorarem sobre a iminência de um rompimento (no fundo, ele compraz-se) e, no essencial, ir despejando cola na coligação. Não será por aí, nem por Belém, que nos livramos do bando.
2. A RTP. Só de pensar no perfil de gente a que a querem concessionar e assim entregar a prestação do serviço público, dá vontade de trepar pelas paredes. Não há um único país civilizado que não possua um ou dois ou três canais estatais, tratados com seriedade, dignidade e pinças. Assistir a um indivíduo como Miguel Relvas, um chico-esperto, vigarista e politicamente um aldrabão, a tratar de fazer negócio com o canal de televisão do Estado, sem provento financeiro que se veja para o país, só pelo capricho de o oferecer aos amigos é quase como uma sessão de tortura. Espero que quem tiver competência ou poder para impedir tal coisa o impeça. Miguel Relvas não pode levar a melhor nesta matéria.